Editorial

007 Vai ser uma menina de pele escura
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Joaquim Letria

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Joaquim Letria

Professor Universitário

O James Bond do próximo filme vai ser uma mulher negra! Adoro o politicamente correcto e mais politicamente correcto do que isto não há: mulher para satisfazer as diferenças de géneros e negra para assegurarem a não descriminação das minorias étnicas. A Money Penny, antiga secretária de M, o patrão dos serviços secretos onde Bond trabalha, ficaria bem (digo eu)se passasse a ser representado por um travesti bissexual.

Imagino que Ian Fleming, o autor desta personagem e das suas empolgantes histórias, deve estar às voltas no túmulo, arrependido de não ter ficado em Portugal quando por cá passou a espiar o III Reich, nos anos 40 do século passado, a jogar roleta e baccarat no velho Casino do Estoril.

A actriz britânica Lashana Lynch vai substituir Daniel Craig no próximo filme e ficará com a licença para matar e o código de 007. Craig será chamado a Londres interrompendo a reforma na Jamaica ainda como James Bond e 007, para uma última missão, mas  mas perderá o papel e o título.

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Que saudades vou ter do Sean Connery, do Roger Moore e do Daniel Craig, figuras de respeito naquele papel de puro entretenimento, longe da inteligência e do talento das obras do John Le Carré, aos calcanhares de quem Fleming nunca chegou.

Ao fim e ao cabo, esta revelação não é uma surpresa. Vivemos na era do politicamente correcto que é encarado como uma nova religião. Veremos se o casting do 26º filme de Bond irá acender disputas e divisões não só no meio internacional do “show business” mas também na própria comunicação social.

Para os apreciadores, aquele estilo de agente ao serviço de Sua Majestade, no seu Aston Martin, com os seus martinis, stir not shaken, e a Beretta certeira que era a cereja no topo do bolo da parafernália do engenhoso armamento que Q lhe preparava, era um papel que qualquer homem de anteriores gerações não se importava de representar na vida real. Vê-lo entregue a uma menina de pele escura vai para muitos ser difícil de assimilar.  

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