5 Anos de permanente agonia em volta da tragédia do incêndio da Igreja de Lavradas

“Pior que não tomar decisões acertadas é permanecer nas escolhas erradas!”

18.12.2017-2022

Passaram 5 anos sobre o trágico incêndio que deflagrou e consumiu a igreja paroquial na freguesia de Lavradas, em Ponte da Barca. Um desastre material/patrimonial, mas também de afectos e de graves danos, morais e sociais. Decorreram cinco anos de acentuada tensão entre as partes; de manifestações e de revolta, de guerrilha aberta, de ofensas e pecado. Mas que importa o pecado se do lado da Igreja diocesana se encontra o poder e o dinheiro? Transformou-se assim, uma situação que devia ser pacífica, de consensos e de união, num desgastante calvário. De disputas e ofensas, de insultos e de uma evidente degradação na relação entre os habitantes da freguesia. Ao mesmo tempo assistia-se a uma Igreja comprometida, distante, remetida a um sórdido silêncio, a pactuar com o pior cenário, no âmbito de uma simples reconstrução, subsidiada pelos fundos recolhidos, que devem ter ultrapassado meio milhão de euros!

A generosidade popular ultrapassou todos os cálculos! Logo no ano seguinte havia o dinheiro para se iniciar e concluir a obra de restauro, com aprumo e dignidade. Alguém, levianamente, impediu que tal acontecesse. Começavam então, a fervilhar os tais interesses particulares, os esquemas e as fugas, com base num aliciante projecto de igreja nova! A diferença em reparar e reconstruir naquela altura e hoje, cinco anos depois, abarca um significativo aumento de custos adicionais. Em materiais e mão de obra! Que grosseira irresponsabilidade, torpe visão à boleia do dinheiro proveniente do sacrifício popular. Isto merece uma séria averiguação, eventualmente através de um procedimento cautelar e judicial. O povo aguarda por esse provável desfecho!

Veio depois a era do COVID19 um tempo de risco e de provação a todos os níveis. Que bem poderia resfriar os ânimos e trazer a serenidade necessária, quiça a resolução definitiva deste triste caso. Certo é que ninguém aprendeu a lição. Outro facto de fazer arrepiar caminho, foi o brutal acidente rodoviário, que ceifou a vida ao Sr. Bispo D. Anacleto Oliveira. Outra tragédia e dor, que se associaram a uma “sagrada” teimosia, em levar por diante a tresloucada ideia de um projecto novo, de raíz. Outra igreja, outros custos, outros contornos. Verdadeira aberração que inclui a desconstrução da casa paroquial, que o povo construiu nos anos sessenta.

E foram-se desfazendo oportunidades, ultrapassaram-se os limites do razoável, cometeram-se graves erros, decisões controversas, com destaque para uma votação, no fim de uma missa, a que chamaram eleição do novo projecto, em contraponto com a simples reconstrução da igreja. A mesma que tinha sido abonada pela Igreja e desejada pela população, que, generosamente, a pagou de pronto.

Aconteça o que acontecer, haja o que houver, a Igreja e a sua junta fabriqueira, estiveram mal. Carregam, aparentemente, com o peso da irresponsabilidade, da intolerância e de outras incongruências próprias de serem tratadas noutra instância! Tanta é a irregularidade, que inclui usar os donativos da reconstrução, para outros fins, outra obra, outros interesses. Será que ainda há alguma réstia de consciência e bom senso? Será que ao perder a vergonha, se perdeu também a honra? Estará o poder e o dinheiro acima da lei e da dignidade humana? E que nos diz o nosso Bispo que já se inteirou de todo este enredo? Alguma vez comunicou com a comunidade, para lhe dar satisfações e contas, de todo este processo? Ou é mais conveniente continuar a silenciar e a desprezar a bondade e a solidariedade popular? De que servem depois o sermão, a ladaínha e até os sacramentos? Que Igreja é esta que não acerta pelo diapasão da justiça e da verdade? Claro que ninguém perde a fé, n’Aquele que nos ama incondicionalmente, o úncio Salvador, Jesus Cristo, o Senhor, mas perdemos, isso sim, a confiança numa instituição vocacionada para promover o bem e a paz, a tolerância e o diálogo, a igualdade e a fraternidade, a transparência e amizade!

Lavradas, uma terra duramente injustiçada. Por ter sido atraiçoada, enganada!

 

 

EVOCAR ESTA EFEMÉRIDE…

É trazer à memória, as mais diversas iniciativas levadas a cabo pela população local e pelas reacções, mensagens e apoio manifestados pela gente da diáspora, que tanto contribuiu para ajudar a reconstruir a igreja. Gente, a quem alguém faltou à palavra e ao respeito! Gente solidária, que se sente enganada.

É lembrar outras arrojadas manifestações públicas, a frequência e o interesse da imprensa nacional, das televisões e da reportagem, das opiniões e das entrevistas. A que se juntaram outros sinais de controvérsia e confronto; foram evitadas caricatas situações de carácter provocatório, indecente vindo de gente formada, com acentuada carga de vingança e outros sentimentos que a Igreja não subscreve, nem tolera.

É homenagear, com sentido pesar, as centenas de pessoas falecidas, na freguesia e no distrito, mas também noutros cantos do mundo, onde a mobilização e o apoio se fez, com alma e coração. Na esperança de uma rápida restauração da igreja. Morreram sem ter a alegria de ver recuperado o templo da sua predilecção. Com profunda mágoa e tristeza! Que descansem em paz, todos esses seres, maravilhosos colaboradores, merecedores das alegrias celestiais, que só Deus pode conceder!

É dizer ainda, que foi criada uma Comissão Cívica, representativa da sociedade civil, daqueles que não tendo voz desejam ser representados. O mesmo grupo que solicitou uma audiência ao Sr. Bispo. Dom João Lavrador não respondeu e mostrou desse modo, não se sentir à vontade para dialogar, com quem tem o direito de ser esclarecido, informado. Mais um registo, de alguma má fé e desconforto.

É lembrar e até denunciar, por ser ilegal a manutenção das missas na sede de junta e aposentos associativos, destinados às actividades culturais e cívicas. Estar seis meses ou até um ano, ainda se entende, mas cinco anos!!!! E tudo parece funcionar bem, como se nada fosse. A Igreja, o Sr. Padre sabe bem que não deve ser assim. Que há limites, em que o sagrado impede uma determinada coabitação, de convivência e modo de usar os espaços públicos, destinados a outras funções e/ou actividades. O seu inverso seria aceitável?

É recordar que tal acontecimento trouxe até Lavradas o próprio Presidente da República. Que rapidamente se apercebeu do engodo e se distanciou do enfadonho caso. Quando contactado pela Comissão Cívica e de Acompanhamento respondeu, atirando com a responsabilidade para a Conferência Episcopal portuguesa. Um gesto de quem conhece bem, os meandros da questão em causa.

É dizer que foi liminarmente recusado um referendo, para em seu lugar se organizar a suspeita de uma fraudulenta votação, chamada de eleição, com o fim de validar um projecto de igreja nova, à revelia do povo. Quem foi à missa e quem votou, tinha conhecimento da aparente farsa, da montagem, que se estava a preparar? E aqueles que ficaram de fora nessa peça teatral? E por que razão se recusaram a referendar tal matéria?

É de salientar uma séria preocupação da maioria do clero e leigos do Distrito. Os padres são cautelosos nessa abordagem, mas há sempre um ou outro, para não citar nomes, que emite o seu parecer, no sentido da reconstrução e não de uma igreja nova. Eles têm razão quando dizem que as paróquias dos 10 concelhos da Diocese, também deram dinheiro. Deram os de lá e os de cá. Deram e sentem-se injustiçados. E até indignados. “Eles deram, mas nós também fizemos a nossa parte”! Mas afinal quem deu mais? O Município de Ponte da Barca doou dez mil euros de uma assentada!

É também referir que a obra de reconstrução não precisa, nem de licenças, nem dos serviços de arquitectura. Apenas de um engenheiro, supervisor da obra. E qualquer um o faria benevolamente, sem alaridos, nem comentários avulsos e muito menos tomada de posição e controvérsia. Serena e responsavelmente. Sem qualquer burocracia e afins.

É informar que se poderiam ter evitado as escavações e pesquisa arqueológica. O adro da igreja foi levantado, sem que ninguém o consentisse e tem a ver com o tal projecto de igreja nova. Uma imposição e trabalho pago ao preço do ouro! Falta ainda escavar no interior do templo! Coloca-se a pergunta: em quanto ficou e quem tem de pagar? Há quem aponte muito dinheiro!

É dizer às pessoas que podem recuperar o seu donativo, atendendo à orientação e às decisões, ulteriores à campanha e peditórios, cujo slogan versava: “Vamos reconstruir a nossa igreja”.

Frases e opiniões recolhidas nos diversos órgãos de comunicação

“É uma vergonha, também em Ponte da Barca haver um caso “Pedrogão Grande”. Tem que ser investigado!”António Dantas

“Será que isto não vai ter fim? Já não há paciência para estes jogos, que não levam a lado nenhum! Onde está Deus no meio disto tudo?” -Eva Pereira

“Há uma contenda de contornos preocupantes… O que está a faltar é bom senso e espaço para o diálogo. Gostava de ver a malta em paz.” -Inês Portocarrero

“De que estão à espera? Já passou tempo a mais, a igreja não precisa de política, precisa de ser reparada” -Lucinda da Silva

“É mesmo uma vergonha, o povo não merece ser enganado, tenham respeito.” -António Álvaro Gomes

“Porquê tentar esconder informação? Que interesses estão subjacentes? O Sr. presidente da Câmara tem inviabilizado a reconstrução daquele templo…Maria José Gonçalves, ex-Vereadora Câmara Municipal.

“Animados pelo fogo do amor de Deus e aos irmãos, queremos congregar todos os esforços na reedificação da igreja paroquial de São Miguel de Lavradas”O Pároco, José Filipe Sá

“Segundo a minha opinião, não devem acabar nem identificar-se, assim cria mais adrenalina e imaginação. Continuem a fazer o ótimo trabalho que têm realizado. Pois já deu muitos e bons frutos. – Manuel Sendão, tesoureiro da junta fabriqueira, a incitar os perfis supostamente falsos, a uma actividade caluniosa e por isso atentatória à dignidade das pessoas!

“Faço votos para que todos se entendam e espero que não permitam a construção de um barracão moderno, ainda por cima destruindo uma casa feita com o dinheiro do povo”Magalhães Sant’Ana

“Foram cindo anos de profunda tristeza! De angústias e preocupações. De controvérsia e acentuado desgaste moral. De confrontos e azedumes. De perseguições e calúnia. De caciques e maldades gratuitas! A única alegria sentida e partilhada foi o facto de haver uma consistente mobilização do nosso povo, para juntar rapidamente o dinheiro, com vista à reconstrução da igreja. De tudo valeu o empenho sério e responsável de quem sempre deu a cara, na defesa da verdade e daquilo que era do interesse público, das pessoas.”André Fernandes ex-presidente de Junta de Freguesia.

Sugiro que as esmolas recolhidas sejam canalizadas para as obras de recuperação desta igreja” – D. Anacleto Oliveira, bispo da Diocese, Dezembro de 2017

 

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2 comentários

  1. Na minha ,modesta,opinião penso que os cristãos e praticantes deveriam querer a reconstrução da Igreja que os seus antepassados lhes deixaram. Acho que devemos reconstruir,sempre que possivel, as obras de arquitectura que se possam reconstruir. Fazre uma nova para quem? Casa vez há menos pessdoas nas freguesias, também,por isso, há menos pessoas a frequentar a Igreja. Se me dizessem que ao reconstruir a Igreja lhe iam dar conforto para que todos se sentissem bem,digo que era de todos apoarem.Gastar rios dinheiro quando se pode poupar,bão acho de aseja muito cristão.

  2. Em ultima análise, a culpa tinha de cair no Bispo e até em Deus!…
    Que os cristãos assumam uma vivencia séria do seu cristianismo e a coisa resolve-se!

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