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Entrevista a Sampaio da Nóvoa: «Valença é a minha Mátria»!

Sampaio da Nóvoa

É independente e está na corrida à Presidência da República

Sampaio da Nóvoa apresenta-se às eleições de Janeiro de 2016. A 27 de Junho esteve em Monção e conversou com o “Minho Digital”, garantindo que vai continuar a chefiar uma candidatura independente. Sem apoios partidários conhecidos até ao momento, o valenciano fez questão de referir: “Espero e desejo que tenha muitos apoios partidários. Mas a candidatura é independente”.

Com ligações familiares a Valença, o candidato não esconde o afastamento das “gentes” de Lisboa. Acreditando na necessidade de verificar todas as realidades. “Julgo que é necessário ver o país a partir destas realidades locais”, frisava.

Sampaio da Nóvoa, com 61 anos, acredita na educação como “um motor de transformação do ponto de vista social e económico”.

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Minho Digital (MD): Qual a razão que o levou a apresentar esta candidatura?

GOSTA DESTE CONTEÚDO?

Sampaio da Nóvoa (SN): A razão que me leva a apresentar esta candidatura prende-se com uma reflexão forte que fiz da minha vida, sobre a minha história e sobre a convicção que tenho de que posso contribuir para a mudança deste país. E tenho uma visão de uma nova ideia para o futuro de Portugal. Eu procuro dar corpo a uma nova visão estratégica do país.

 

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MD: Esteve sempre ligado à investigação e docência. Porquê avançar para outras áreas?

SN: A questão da educação a que estive sempre ligada e do conhecimento são absolutamente centrais e decisivas para o futuro. Não há futuro de Portugal sem educação. Não há futuro de Portugal sem cultura. Não há futuro de Portugal sem que a educação, conhecimento e cultura sejam um motor de transformação do ponto de vista social e económico. E é esta convicção de quem esteve nestes domínios de que consiga trazer esses para uma renovação do tecido social e económico. E também para a renovação de estar na política.

 

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MD: São essas as linhas centrais da sua candidatura?

SN: As linhas centrais da minha candidatura prendem-se com uma nova visão estratégicade Portugal no mundo e a nossa relação estratégica. E depois com duas matrizes absolutamente centrais, que é o princípio da educação, do conhecimento e da cultura e da maneira como estes podem e devem contribuir para a renovação económica e social. E por outro lado a defesa do Estado social e da coesão social e territorial. A defesa de um Estado social forte e de um estado social que protege, sobretudo, os mais pobres e que luta contra as desigualdades existentes em Portugal.

 

MD: Foi uma decisão fácil de avançar com esta candidatura até ao momento independente?

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SN: A candidatura é mesmo independente será até ao final. Isso é uma marca da minha vida.

 

MD: Mas não terá apoios partidários?

SN: Espero e desejo que tenha muitos apoios partidários. Mas a candidatura é independente. Não é de nenhum partido e é uma candidatura que procura juntar sectores muito diferentes da sociedade. De direita e esquerda. De movimentos sociais. É uma candidatura que procura unir em torno de causas e todos aqueles que estejam de acordo com a minha carta de princípios e com os grandes temas da minha carta serão bem-vindos na dinâmica desta candidatura. Mas ela será independente do primeiro ao último dia, esperando, no entanto, ter o apoio de muitas forças partidárias.

 

MD: Foi uma decisão ponderada.

SN: Sim, muito ponderada como é tudo o que faço na minha vida. Foi difícil. Para fazer esta candidatura temos de renunciar a muita coisa. Temos de renunciar à dimensão de privacidade. Expomo-nos muito e ficar sujeitos à crítica e opiniões de pessoas. É uma decisão muito difícil do ponto de vista económico. Não tendo partidos por trás o risco é enorme para quem viveu toda a vida com o salário de professor e nunca teve outo tipo de interesses económicos. Mas foi uma decisão tomada como uma espécie de um gesto de responsabilidade geracional.

 

MD: O seu pai, Alberto Sampaio da Nóvoa, foi ministro da República para os Açores. E agora você tenta dar-lhe seguimento?

SN: Sim, mas a outro nível. É, sobretudo, uma responsabilidade geracional. Tinha 19 anos no 25 de Abril. E este abriu-me todas as possibilidades. Para estudar, trabalhar, para ter uma profissão. Para ser professor. E depois de 40 anos dedicado a isso tocou-me a responsabilidade de devolver ao meu país uma parte do que me deu. Faço este gesto com enorme humildade de quem se entrega a uma causa. De quem não quer nada para si, mas quer tudo para o país. De quem não tem nenhum interesse pessoal e particular, dando um contributo que passa pelas ideias, as discussões e causas. É um gesto feito em nome de Portugal.

 

MD: Alguém disse que era o “Eusébio das ciências sociais”. Assume-se como um ponta de lança das ciências sociais.

SN: Toda a minha vida foi feita com a pergunta: O que ainda me falta fazer? Nunca olhei para o que fiz e para o que consegui. Olhei sempre para o que ainda posso fazer. Em quê que a minha vida pode servir para melhorar o país. É nessa dimensão de serviço aos outros que apresento esta candidatura. Nos últimos segundos da minha vida ainda vou estar a pensar o que ainda me falta fazer.

 

MD: É um insatisfeito.

SN: Sou um insatisfeito por natureza. Procuro sempre o que ainda não fiz e o que me falta fazer. Os gestos que ainda podia ter tido e não tive.

 

MD: Como candidatura independente tem de recolher 7500 assinaturas. Como está esse processo?

SN: É um processo muito difícil. Os portugueses, às vezes, não têm noção disto. Cada assinatura tem de preencher um formulário com duas páginas. Implica ir buscar uma certidão eleitoral às Juntas de freguesia. Não é simplesmente assinar num papel e colocar o número do BI. É um processo mais complexo. Felizmente esse processo está praticamente concluído. Já temos 5000 assinaturas. Contamos, dentro em breve, ter este processo concluído. E só foi possível graças a muito voluntariado e a muitas pessoas que se voluntariaram nesse processo. Está concluído sem qualquer apoio partidário.

 

MD: Acha necessário mais independentes na política?

SN: Penso que os partidos são absolutamente centrais e decisivos. Nunca me ouvirão, em nenhuma circunstância a fazer um discurso contra os partidos ou fazer um discurso que possa diminuir a importância destes. As formas de organização partidária passam pelos partidos. É isso que está consagrado e é isso que tem de ser. Mas a nossa Constituição reserva a disputa das eleições legislativas para os partidos, mas diz que quem se candidata a presidente da República são cidadãos, maiores de 35 anos. Julgo, por isso, que todos temos uma responsabilidade de poder agir neste país politicamente. Seja numa freguesia, num concelho ou no país. Essa responsabilidade de participação cidadã e de uma presença política é absolutamente central nos dias de hoje. Eu procuro cumprir isso à minha maneira. E digo muitas vezes isto: Cada um de nós é responsável pela humanidade inteira. Temos uma responsabilidade que não é só cuidar da nossa vida, mas também uma obrigação maior e essa obrigação traduz-se na palavra política.

 

MD: Todos temos essa obrigação social?

SN: Sim é a obrigação pública. Aquilo que nos junta num exercício de cidadania. É por isso que o meu primeiro princípio abre com a expressão: Chegou o tempo dos cidadãos. Este é o tempo dos cidadãos. É o tempo da cidadania, que não é apenas dos partidos, mas de todos nós.

 

MD: É natural de Valença e ainda mantém ligações a esta cidade?

SN: A minha relação com Valença, tragicamente foi desaparecendo nos últimos anos, com o falecimento da minha mãe, que era um dos últimos elos a Valença, do ponto de vista familiar. Temos ainda alguns primos, mas os elos mais fortes foram desaparecendo. A minha ligação afectiva é muito forte e quero mantê-la. Valença é a minha mátria.

 

MD: Por ser do Alto Minho terá uma visão diferente desta região?

SN: Cada um de nós habita um determinado lugar e é evidente que uma das vantagens da minha candidatura prende-se com o facto de ter muitas pertenças. Sou do Alto Minho, vivi em Vieira do Minho, em Coimbra, em Lisboa, Aveiro e também no estrangeiro. Essas pertenças dão-nos uma mundividência de pertença no país e fora do país que achoo muito importante. Essas filiações são fundamentais e o mesmo acontece do ponto de vista académico. Circulei por muitas coisas. Comecei pela matemática, que não acabei. Continuei pelo teatro, pelas artes. Passei pela educação, pela história. Essas diversas circulações permitem-nos olhar para a realidade de diferentes pontos de vista e isso é um enriquecimento. Não sou um especialista especialmente especializado. Tenho uma visão generalista das coisas, que por vezes tem inconvenientes. Mas permite-nos ler diferentes linguagens. Aprender diferentes coisas e ser capazes de fazer uma síntese. O que estou a tentar fazer é trazer esses diferentes universos e que seja uma candidatura que fala a partir de diferentes lugares.

 

MD: Tem feito um périplo pelos concelhos do Alto Minho. Como o avalia?

SN: É muito impressionante para quem às vezes de Lisboa tem uma visão muito paternalista e miserabilista destas regiões. Mas é necessário perceber que estas regiões, sobretudo nas áreas urbanas, se desenvolvem bem e estão hoje com boas infra-estruturas e onde existem pessoas com enorme qualidade. Os presidentes de Câmara com quem conversei são de enorme qualidade e vemos que hoje o país tem um potencial de pessoas na vida política, cultural e empresarial, o que nos leva a ter as maiores experiências no futuro. Julgo que é necessário ver o país a partir destas realidades locais. Há situações de pobreza e de desemprego, mas tenho sentido que há um potencial imenso que temos de ser capazes de trazer para uma visão de desenvolvimento de Portugal. Falta-nos uma política com maior clareza e melhor visão de futuro. Não podemos ficar fechados ao mesmo discurso de sempre nem às mesmas ideias de sempre. Parece que andamos sempre à volta da mesma roda e que não somos capazes de sair dessa. Precisamos alargar a nossa visão do mundo. É extraordinário o potencial deste país e que muitas vezes está a ser desperdiçado por falta de política e por falta de visão. É isso que quero trazer para a Presidência da República.

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