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Assaltante violento homenageado com nome de rua em Monção

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Carlos Serafim Fernandes Reis, mais conhecido por ‘Carlos Gato’ e que em finais de 1999 faleceu por problemas cardiovasculares, viu na altura o seu nome atribuído a uma rua da freguesia de Cortes, de onde era natural. Numa terra pequena onde tudo se sabe, mas mesmo assim a Junta de Freguesia aprovou a proposta, a Câmara não se opôs e, até hoje, a homenagem está intocável. Com direito a placa com heráldica e tudo!

A proposta chegou, também, a estar agendada para uma Assembleia Municipal mas, tal como a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Monção presidida por José Emílio Moreira, a todos parecia normal, por ventura nada a suscitar dúvidas em termos éticos onde outras actividades ‘empresariais’, como por exemplo o contrabando, sempre gozaram de simpatia e proteção popular em qualquer zona raiana. Compreende-se que o reconhecimento público para as populações locais seja correspondido de várias formas, entre as quais a atribuição do nome de um benemérito ou figura insigne  a um largo, uma rua ou a uma instituição. 

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O surpreendente, numa terra pequena onde tudo se sabe e todos conhecem as vidas uns dos outros, provavelmente mais nas coisas menos dignificantes, era o facto de ‘Carlos Gato’ ter um passado nada aconselhável.

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Fugiu de Carabanchel

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O cidadão emérito nasceu em 20 de Maio de 1952 e aos 28 anos, mais precisamente a 12 de Abril, o confesso motorista de profissão foi preso pela Polícia Nacional de Vigo e veio a ser condenado na 4ª Instância do Tribunal local (Proc. B1A0V de 27/3/84). A pena de 18 anos por assalto à mão armada a uma relojoaria desta cidade galega, começou a ser cumprida no Estabelecimento Prisional de Carabanchel, Madrid, para onde só iam delinquentes violentos, inclusive narcotraficantes e terroristas da ETA.

‘Carlos Gato’ aproveitou a sua primeira saída precária e, não só não regressou a Carabanchel, como as autoridades do país vizinho jamais o conseguiram deter. Apesar de ter sido emitido um mandado de busca e captura no país vizinho, o benemérito cidadão refugiou-se na terra natal, do lado de cá do rio Minho, e chegou a ser eleito dirigente desportivo do Clube de Futebol de Cortes.

Na altura, a colaboração policial entre os dois países vivia numa espécie de ‘gueto’ onde imperava a desconfiança, a rivalidade, a disputa rápida de louros quando algo de positivo acontecia e até a nível judicial a colaboração não era estratégica, nem célere, quase inexistente.

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8 Sentenças condenatórias

‘Carlos Gato’ parecia saber tudo isso pela impunidade que aparentava possuir e que se presume não tenha sido desmotivadora para continuar a mexer-se no submundo da criminalidade.

Vejamos os seus antecedentes: assalto e uso indevido de automóvel (Proc. S008 de 1980); roubo e uso de arma (Proc. S5001 de 17/3/1980); roubo por força (Proc. S002 de 17/3/80); roubo e uso de arma (Proc. S5003 de 18/3/80); roubo por força ((Proc. S004 de 18/3/80); falsificação de documentos (Proc. S005 de 31/3/80) e o assalto à mão armada a relojoaria (Proc. R001 de 12/4/84).

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Nenhumas destas actividades eram desconhecidas, mas nem mesmo uma ‘Carta Aberta’ publicada no jornal local ‘A Terra Minhota’, dirigida ao presidente da Junta de Freguesia e assinada pelos ex-presidentes do Clube Atlético de Cortes (excepção do período 90/94), foram impeditivas da atribuição do seu nome a uma rua.

E se, então, o autarca de Cortes propôs e a Assembleia Municipal e a Câmara Municipal não se opuseram, a realidade é que, mesmo passados estes anos e com outras pessoas a dirigir os destinos autárquicos locais, jamais alguém se manifestou inquietado do simbolismo social e político que é perpectuar  no nome de uma rua, com direito a placa com a heráldica da autarquia, uma pessoa com 8 sentenças condenatórias e procurado pela Justiça em Espanha. E que levaram ‘Carlos Gato’ até à prisão de alta segurança de Madrid de onde, à primeira saída precária, deliberadamente jamais regressou!

 

 

 

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