Conferência empolgou assistência e difundiu “arcos” para o futuro

Conseguiram “soltar” gargalhadas à plateia a falar da crise. Luís Ferreira Lopes, João Alberto Catalão e João Seabra, inspirados pelo tema-senha “Remar contra a maré”, arrebataram a plateia arcuense, em mais um “andamento” do Ciclo de Conferências “Re(en)contros de Valdevez”, que se realizou no passado dia 27 de novembro, na Casa das Artes concelhia. Organização emparceirou o Município de Arcos de Valdevez e o CENFIPE.O jornalista Luís Ferreira Lopes desfiou vários casos de sucesso empresarial que ele próprio compilou no livro Remar contra a maré, baseado no programa “Sucesso.pt” (SIC Notícias). “São as pessoas, e não as folhas de Excel, quem faz o sucesso das empresas”, atalhou o apresentador, antes de realçar os principais ensinamentos da crise.

“Esta trouxe uma mudança de paradigma e uma nova atitude entre trabalhadores e empresários, que souberam resistir à ‘intempérie’ e às incertezas, puxando pela economia, através da sua capacidade de reinvenção, do trabalho em rede e da clara aposta na diversificação”, explicou.

Mas o êxito das empresas – transversal aos setenta casos selecionados naquela obra –, está dependente, hoje como ontem, de fatores críticos de sucesso como a “focalização no cliente”, o “saber do negócio”, a “visão”, a “capacidade de mobilização”, o “saber ouvir” e “a retenção de talentos”, elencou Luís Ferreira Lopes, que insistiu na criatividade, na resiliência e na liderança como “ases de trunfo” para fazer vingar ideias de negócio. Inversamente, funcionam como entraves ao desenvolvimento das organizações a “pequenez”, a “burocracia” e a “inveja”.

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Contra a resignação e contra “a força do porque sim”, a conferência seguinte, apresentada pelo irreverente João Alberto Catalão, foi toda ela dominada pela dialética “dor”/”prazer”, “reagir”/”agir” e “atitude”/”comportamento”. E, no centro de tudo, a paixão de “fazer acontecer”, espécie de contramão da crise.

Segundo o dinamizador, que exaltou a bandeira como símbolo nacional, a economia de ação “gira em torno de dois caminhos”, o “prazer” e a “dor”, e é por isso que “incriminamos os outros” e “nos isentamos de responsabilidades”. “Estamos sempre a apontar o dedo”, em réplicas como “eles que trabalhem!” ou “eles é que governam mal!”, atirou Catalão, que, à maneira de uma catarse coletiva, conseguiu “arrancar” palmas e gargalhadas à plateia.

Apesar do muito que aprendeu com a crise (que teve o condão de “pôr toda a gente a pensar”), Portugal só mudará, de vez, “se todos começarmos a olhar para dentro de nós.” Nesta perspetiva, a solução para mudar é “o querer” ou “o ter que”, pois é “a atitude que induz comportamentos criativos e tudo o resto é comodismo”, sentenciou Catalão, que lançou, metaforicamente, o desafio de “sediar em Arcos de Valdevez a República das Possibilidades.”

Mas a mudança, “produto” do risco/ação, “não é normal” entre os portugueses, por isso, só a “surpresa positiva” poderá funcionar como elemento catalisador daquela. Nesta coexistência, segundo o convidado, “o humor é a forma mais rápida de focalizar a [inter]ação das pessoas.”

A terminar esta sessão, integrada nas comemorações dos 500 anos do Foral de Valdevez, o comediante João Seabra fez jus ao mote do seu predecessor “agarrando” a plateia pelo riso.

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Nuvem do Minho
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