Editorial

Conversar com alguém “olhos nos olhos”

Jorge VER de Melo

Jorge VER de Melo

Consultor de Comunicação
Jorge VER de Melo

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jorge.melo@minhodigital.pt
Consultor de Comunicação

Esta nova forma de viver com tudo que é virtual incluindo as redes sociais, empurra-nos para um tipo impensável de solidão. Vamos então apelidá-la de (epidemia existencial).

Sem sair de casa podemos ir ao cinema, ao teatro, falar com amigos ou inimigos, etc. Apenas vendo televisão, manipulando o computador ou o smartphone.

Não estamos a falar de novidades, isto é o nosso cotidiano… Mas, à custa disso estamos a transformar-nos em animais solitários e egocentristas o que nos precipita num mundo bélico, egoísta e desejoso de poder.

Tudo acontece sempre para obter tudo mais e melhor do que os outros possuem.

E assim chegamos a uma era descartável, até porque nessa luta acabamos por repetir compras ou adquirir algo desnecessário.

Estamos a lembrar esta situação porque em Harvard, durante 75 anos estudaram os efeitos do modo de vida de muitas pessoas e qual o seu efeito na longevidade de cada um.

Embora todos pensemos na importância da genética, do dinheiro ou da alimentação como fundamentais para a nossa saúde, eles concluíram que afinal o fator mais importante é a relação com os amigos.

As fortes amizades podem ajudar-nos na longevidade por até mais dez anos do que o previsto.

O facto de termos de sair de casa para passear com eles já nos debita algumas vitaminas devido à exposição solar e ao ar que respiramos, mas o tal convívio estimula uma hormona chamada ocitocina que tem esse efeito da longevidade na nossa saúde.

Tudo porque a interação entre as pessoas, nos descontrai, provocando um efeito contrário ao da adrenalina que por sua vez nos causa stress.

Como sabemos, o stress é o culpado da maioria dos problemas do coração por aumentar os batimentos cardíacos logo, a tensão arterial encarrega-se de fazer os estragos indesejados.

A ocitocina aumenta os níveis da interleucina que auxilia o nosso corpo no controlo da imunidade e da memória. Assim, ficamos com uma tendência natural para a vida mais saudável. Essa estabilidade da saúde deixa-nos sobreviver, em princípio, mais alguns anos.

Mas a epidemia dos monitores é muito confortável e resolve-nos imensos problemas. Porém, quanto à saúde, não é muito aconselhável quando usados sem limites.

Os resultados dessas investigações dão-nos ótimas informações, talvez já esperadas por muita gente. Até porque tudo que é demasiado está possivelmente errado.

Algo nos diz que uma alegre cavaqueira é bem mais saudável do que todas aquelas horas agarrados ao virtual criando problemas ósseos, de obesidade e até mentais.

Será que o caminho da felicidade é bem mais simples do que imaginávamos?

Umas boas gargalhadas com alguns disparates à mistura dão-nos outra disposição para esquecer o que de mau vai acontecendo pelo mundo e até encarar a vida de forma mais saudável.

Já agora, podemos também fazer algumas divertidas caminhadas com os amigos, respirar ar puro, apanhar um pouco de sol e conversar mais regularmente, “olhos nos olhos”.

jorge.melo@minhodigital.pt

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3 comentários

  1. Tenho saudades de receber, mais, uma crítica sua.
    Foi o único professor catedrático que me leu e me respondeu.
    Fui um modesto professor secundário.
    É um desperdício de tempo, com quem, escreveu, alguma vez!
    Gosto de conversar com todo o meu semelhante.
    Tenho um simples amigo em qualquer lado.
    Sou um da humanidade…

    1. Amigo Telmo, agradecemos-lhe sempre a sua útil colaboração. Já agora, vamos tentar continuar a não o dececionar no futuro.
      Jorge VER de Melo

  2. Um dia soube, neste lugar, do centenário do nascimento de Eugénio de Andrade. Depois vi a foto dele na capa de um literário. No dia 14 deste mês lembrei-me de comprar um livro dele. Comprei um livro que me transportou ao 1° ano do EB1.
    Sou Leitor “revolucionàrio” no Polo de Joane da BMCC Branco de Vila Nova de Famalicão. Levei o livro ao bibliotecário, de serviço, e deu exposição a 19 de Janeiro, no dito Polo.
    Olhos nos olhos.
    Domingo houve cartões brancos em Joane, no final do futebol, por socorro a adepto taipense, por parte de um fisioterapeuta do Taipas e de um massagista do Joane.
    Olhos nos olhos.
    A minha filha, que é profissional de saúde, colaboradora de um vimaranense mensal e de um cerveirense quinzenário, informou-me. Juntei dois sites e informei o meu colega de O Jogo que me agradeceu, e saiu ontem.
    Sem olhos nos olhos, mas olhos no papel.
    Sofro de informite aguda.
    Aguentem-me ou não.

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