Editorial

CR7

Manso Preto

Manso Preto

Director / Editor
Manso Preto

Manso Preto

jornalista.manso.preto@gmail.com
Director / Editor

Todos aqueles que mais ou menos seguem o futebol, sabem de casos dramáticos de jogadores que se distinguiram nos relvados, juntaram enormes fortunas do dia para a noite a dar pontapés numa bola, mas terminado o ‘prazo de validade’ logo tudo desperdiçaram.

 

Muitos, mas muitos morreram na miséria, outros andaram pelas cadeias após terem enveredado pelo mundo da droga e, só por piedade, lá lhes arranjaram um emprego de subsistência.

Lembro-me do grande Vitor Baptista que, precocemente envelhecido e alcoolizado, acabou os seus últimos dias como coveiro lá para as bandas de Setúbal, após uns anos atrás das grades.

Cristiano Ronaldo nasceu no seio de uma família pobre, na Madeira, tendo um pai que adorava e a quem tentou desviar de vícios. Não foi a tempo …

Creio que com 16 anos, alguém conseguiu mandar aquele então miúdo para Lisboa onde entrou na Academia do SCP (Sporting Clube de Portugal) que lhe deu cama, comida, roupa lavada e certamente uma mensalidade simbólica apropriada à idade do ainda desconhecido, se bem que se adivinhasse promissor.

O garoto franzino, fruto da sua persistência e não duvido que de bons conselhos, lá foi ganhando músculo e aperfeiçoando a sua técnica. Foi assim que entrou na equipa sénior de futebol do SCP, na I Divisão, onde acabaria por dar nas vistas. Um ano apenas e logo seria cobiçado pelos ingleses do Manchester United, Seguiu-se o Real Madrid e agora a Juventus. Sempre sob os conselhos do seu amigo e empresário Jorge Mendes, CR7 deu um ‘salto’ qualitativo em termos financeiros.

Porém, não se deixou ‘embriagar’ e ao primeiro depósito bancário logo tratou de tirar a família, com o pai entretanto falecido, das condições em que aquela vivia, ou sobrevivia… Ajudou a mãe, financiou negócios às suas irmãs e irmão, e com o decorrer dos anos transformou-se num autêntico mecenas de pessoas e instituições que não conhecia mas pelas quais o seu coração convocava. E nunca, que eu saiba, convocou conferências de imprensa a anunciar esses donativos, tal a descrição que seria sempre a sua única exigência.

Desportivamente, nunca ouvi um treinador dizer mal dele, do seu carácter, pôr em causa o seu profissionalismo – antes pelo contrário! «Ronaldo é dos primeiros a chegar aos treinos e dos últimos a sair», todos reconhecem de forma exemplar. Os mais próximos de CR7 dizem que ele é um viciado no treino físico e mesmo em casa nos dias de folga, pois ali montou um ginásio que certamente muitos milhares de clubes pelo mundo não têm.

Soube investir em bons negócios. Para já, 6 hotéis em vários pontos do globo e, não fosse a pandemia, já teria inaugurado um outro no centro de Madrid. CR7 sabe o quanto vale a sua imagem e não recusa um contrato, nem que seja a roupa interior ou perfumes. Tem caprichos? Pois tem, sendo um deles a colecção de automóveis fabulosos. Se ele pode e é consequência do seu esforço, mas também de muitas e muitas privações a uma vida mundana e ‘fashion’, da ‘high society’em que se perderam muitos colegas, por que haveremos de o criticar?!

Tem os seus pontos fracos, como todos nós.

O caso do microfone retirado da mão de um jornalista e atirado ao lago foi, provavelmente, um dos mais graves. Como jornalista, obviamente não posso concordar com a sua atitude. Não há jornalistas intocáveis, nem craques de desporto, nem políticos, empresários ou outros profissionais.

Mas a Liberdade de Imprensa, essa sim, é intocável.

w

CR7, como outros que por aí saltitam devem lembrar-se que, quando eram desconhecidos tudo faziam para aparecer nos jornais, e mais ainda para fazer primeiras páginas. Nessas alturas, não se questionavam ou importavam com eventuais violações das suas privacidades. É o velho e estafado argumento: vícios privados, virtudes públicas!…

É hora de encararmos esta situação não como uma ‘luta de morte’, com agressões gratuitas, antes a cortesia de um bom relacionamento que a todos é útil.

E CR7 deve ter hoje consciência que se tornou um ídolo nacional, mas quando passa jogos sem marcar os golos da nossa alegria, lá voltam as acusações do costume.

w

Está-nos no sangue! Mas acredito que, no Mundial no Qatar, Cristiano vai voltar a ser ‘Deus’!

jornalista.manso.preto@gmail.com

Partilhar

Partilhe este artigo

 Do autor...  Do mesmo autor...