QUANDO O PODER FALA MUITO PARA NÃO DIZER NADA!…
Há discursos que duram vinte minutos e não contêm uma única resposta. Fala-se de compromisso, progresso e futuro, mas ninguém diz que medida será tomada, quanto custará, quem beneficiará dela nem quando poderemos avaliar os resultados. As palavras ocupam o tempo que devia pertencer aos factos.
Muitos órgãos de comunicação social divulgam esses discursos sem fazer as perguntas que importam. O cidadão ouve, não encontra sentido e acaba por pensar que o problema é seu. Não é! Antes de acreditares no que a imprensa te diz, descobre quem paga a tinta. Saber quem financia um órgão de comunicação não invalida tudo o que publica, mas ajuda a exigir-lhe independência.
Entretanto, os ecrãs mantêm-nos ocupados.
Uma manchete provoca indignação e um vídeo leva ao seguinte.
Assim, torna-se mais difícil olhar para trás e analisar o percurso completo: como certas decisões encarecem a habitação, reduzem o tempo livre, aumentam a dependência e vão desmontando a vida que cada pessoa tinha construído. Cada mudança chega separadamente e parece suportável. Anos depois, muitos descobrem que trabalham mais para viver com menos. Quem decidiu essas mudanças, a quem beneficiaram e porque foram apresentadas como melhorias inevitáveis?
A qualquer governo convém que a sua narrativa seja repetida. Por isso, precisa de ter pela frente jornalistas que façam perguntas, cientistas que o possam contradizer e cidadãos que exijam os dados originais.
Regular a Internet não deve tornar-se uma desculpa para afastar críticas incómodas. Chamar «desinformação» a uma pergunta não é responder-lhe.
Uma sociedade cansada, distraída e habituada a discursos vazios perde a capacidade de perceber como a sua vida está a mudar e de exigir responsabilidades a quem toma as decisões.
Se o poder precisa que deixemos de fazer perguntas para que a sua narrativa funcione, o problema nunca foi a nossa falta de compreensão: foi a sua falta de respostas.












