Crónicas de Trazer por Casa: De Aveiro com um brilhozinho nos olhos

Nem sempre o dia é cinza. Nem sempre as notícias são feias.

 “ Felizmente há sol e luar e tudo o que cheire a humanidade!

O Minho conhece bem Aveiro com moliceiros, ovos moles, salinas e Santa Joana, mas hoje venho apresentar-lhe uma cidade melhorada. Há muitos anos nasceu nela um “ comboio amarelo  “ que não passava de um bairro social com todas as vertentes menos boas que este tipo de guetos tem.  Era arriscado visitá-lo porque as pessoas tinham preconceito e medo e por tal a avestruz reinava com a cabeça na areia. A dada altura a Educação de Adultos entrou, ouviu, instrui, adequou a transmissão de conhecimentos aos saberes dos que tinham vindo de longe e nós sentíamos que se estava a contribuir para a esperança de alguém. Foi gratificante.

Fui surpreendida esta semana pela abertura de uma exposição de fotografias realizadas por crianças e jovens do Bairro. Aprenderam com um cagaréu de gema, Adriano Miranda, a fotografar a Felicidade com Liberdade. Dinheiros nenhuns, mas as máquinas analógicas apareceram com os cliques mágicos de quem partilha o pouco que possui. O Bairro de Santiago veste-se agora com um pouco mais de sol, de luz e de solidariedade. E tem uma casa diferente das outras: Laboratório Cívico de Santiago. Não o encontram em capas de revista nem em entrevistas sociais. A razão desta crónica? Afirmar que é possível concretizar sonhos, abraçar causas simples que não contribuem para o aumento de euros na bolsa de ninguém.

Sei que no Minho se semeiam plantas destas, mas se não tiverem ainda esta semente, podem adquiri-la no Laboratório Cívico de Santiago. É ”Grátis”!

Chove em Santiago?

Chove. Mas não são balas traiçoeiras.

reporterzcaminha@gmail.com
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