Doa a quem doer

Talvez os culpados de boa parte desta situação, que vou falar, continuar a existir, seja por culpa de todos nós.

Seja por omissão, por inercia, ou cansaço, e falta de alternativas, o certo é que não temos sabido bater o pé. Comemos e calamos.

O certo e sabido que a coisa pública, não está nada bem e continua a degradar-se.

E a coisa pública, de que vou fazer referência, é todo o sector de serviços, desde os Municípios, Finanças, Conservatórias, Centros de Saúde, hospitais, etc., etc., etc.

1РSe verificarmos como funciona o Centro de Sa̼de local versus hospital privado a 500 metros de dist̢ncia, rapidamente chegamos a esta concluṣo.

Se, no privado, mesmo nos serviços comparticipados pelo Estado, somos recebidos com toda a cordialidade, os actos são rápidos, discretos e sem berros, e têm lucro, porque é que o mesmo não acontece no público?

2 – Se formos às finanças (AT), podemos ser tratados com sobranceria ou um certo desdém. Podemos ter a sensação de que somos um empecilho na vida de alguns funcionários entediados.

3– Se ao sairmos dali, formos a uma das Conservatórias, estamos a jeito para ser tratados de acordo com os humores de uma noite, bem ou mal dormida.

4 – Mas, se o assunto estiver nos serviços do Município, tudo se complica. Aqui, o enfado e a sobranceria sobem de escala. Pode, até, ter o azar de, alguns dos funcionários que o deviam estar atender, terem saído pra ir tomar um café na pastelaria mais próxima com outros colegas de serviço.

5– Mas azar dos azares. Se o seu problema está, algures, no hospital público de Viana do Castelo, tudo pode acontecer. Corre o risco de, tendo consulta marcada há longos meses, não ser atendido, por o médico ter ido embora, porque o tempo estava péssimo e ele tinha que ir para o Porto. O mesmo tempo (perdido) que você enfrentou para se dirigir ao mesmo.

Que azar o senhor teve, diz o funcionário? Olhe, aguarde nova marcação.

Mas isto sendo grave não é, todavia, o pior.

Não quero nem vou escarafunchar mais, apenas citei alguns dos locais que nos torturam. Mas há muitos mais, óh se há.

É inevitável não estabelecer uma comparação entre o público e o privado, aqui ou pelo país fora.

Em primeiríssimo lugar, ressalvar os óptimos profissionais tidos em qualquer dos locais que mencionei. É uma sorte, todos sabemos, quando estes bons profissionais estão de serviço.

E porque é que o sector púbico não tem a mesma qualidade que o sector privado?

6 – Porque o Estado não tem rosto. Está desumanizado e é cego. Não premeia o mérito, mas sim o demérito e a incompetência. Ganha tanto o competente como o incompetente, E esta é, desde logo, a grande diferença para o privado.

Ter prejuízo, em vez de lucro, não é nenhum problema. Se o utente ficou, ou não, satisfeito, para eles é a mesma coisa. Têm emprego garantido para toda a vida, o que não acontece no privado. Aqui, no Estado, ninguém responde perante ninguém. Não há ninguém a supervisionar os trabalhadores, a chamar-lhes a atenção, a agilizar procedimentos, a ouvi-lo ou a encaminhá-lo.

Nem o utente recebe em casa um questionário para saber como correu a sua experiencia.

Pode, sempre, apresentar queixa no livro de reclamações, mas isso não lhe resolve, de imediato, o seu problema, ao contrário do privado. Aqui, não há culpados, nem mérito para os que se esforçam.

Mas, tudo isso, só é bom para os incompetentes que nos atendem, em qualquer dos sectores da coisa pública. Não é justo para aqueles que se esforçam, que são dedicados, simpáticos e competentes, sendo mal vistos, tantas vezes, pela mediocridade dos colegas.

Porque é a mesma irracionalidade garantista, do emprego vitalício, que beneficia o medíocre, em detrimento bom funcionário.

Quase 50 anos depois do 25 de Abril a, grande, reforma da Administração Pública, de que muito se fala (ás vezes) e é urgente, continua a ser uma miragem e nem perspectivas há para a realização da mesma.

E como ninguém se indigna, continua tudo no caminho do abismo.

turismopt16@gmail.com
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