Editorial

E se falássemos claro?…

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Nunca me consegui conformar com certas evidências e lugares comuns, adquiridos como direitos justos, inamovíveis…

Essa ideia adquirida, enquistada, de que um lugar, um posto, uma vaga preenchida, correspondem a um número fixo num recibo de vencimento.

Vi gente conformada que desistiu desse brio de dar mais e melhor, rendida à evidência triste de um país adiado, remediado, de salários que nos custam confessar.

Gente que cumpria o seu dever sem vigor ou relance de futuro, na inevitabilidade de rotinas que se sucedem, até uma reforma triste mas redentora…

As férias os feriados e as pontes, ilhas preciosas e ansiadas na amargura de um dever cumprido, mas com a amargura de quem arrasta os passos com sacrifício.

Mas vi também os que nunca se conformaram. Que acima de tudo este povo que juraram servir, não tinha a culpa de um edifício de rotinas e burocracias, que nos pesava os dias.

Os que na Urgência, na consulta, nos blocos, nas trincheiras desta eterna batalha sem fim à vista, nunca negaram esforços, não sabiam dizer não, carregaram às costas a imagem e a eficácia dos serviços clínicos que representavam.

Tantos e tantos que deram o melhor de si na consulta, no internamento, urgência, bloco, nunca regateando esforços e generosidades na sua luta por um bem maior…

E porque não admitirmos a simples evidência?

Admitirmos que tem de haver forma desse esforço ser compensado.

Admitirmos que o ser humano também se rege por estímulos e reconhecimento.

Para quando a vitória da meritocracia na prática da Medicina?

Porque não quem mais e melhor trabalha ser compensado nessa justa medida?

Quem mais e melhores actos médicos pratica.

Quem não se conforma com a mediania das rotinas, quem está sempre disponível para aprender, melhorar.

Quem se disponibiliza generosamente a ensinar e partilhar o conhecimento, a experiência, adquiridos.

Quem dedica ainda parte do seu tempo à formação, ao ensino, à investigação científica.

Quem está disposto a enfrentar os desafios, suportar o preço inerentes a posições de chefia e gestão de equipas.

A Meritocracia tem de ser cultivada e premiar cada um na justa medida do seu empenho, sacrifício.

Ao longo das reuniões de preparação e lançamento desta candidatura não vi apenas brilho e talento.

Vi a humildade de quem reconhece que o paradigma da remuneração e progressão nas carreiras médicas tem de mudar para formas mais justas e motivantes.

Também assim se melhora o exercício da Medicina.

Também assim se sacode o marasmo deste país eternamente adormecido…

 

Dr. José Carlos Vilarinho

Candidato a Vogal do Conselho Regional

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