Eleições Federativas no PS longe do consenso

Miguel Alves

Miguel Alves anunciou apresentar-se a votos mas não recolhe unanimidade   e sectores do PS fazem contactos. José Pedro Amaral, ‘segurista’ e um dos críticos da actual direcção nacional do partido falou em exclusivo ao Minho Digital. As acusações são contundentes e o actual presidente da Câmara Municipal de Caminha, contactado pelo MD, até ao fecho desta edição manteve o silêncio.

 No passado mês de Dezembro, o Partido Socialista reuniu a sua Comissão Política Distrital, em Arcos de Valdevez, tendo como ponto de ordem a análise dos resultados eleitorais das legislativas. No entanto, apesar de algumas críticas que se fizeram relativamente à estratégia de José Manuel Carpinteira e de António Costa, o destaque e a surpresa da tarde recaiu no anúncio de Miguel Alves que avançaria para uma candidatura para a Federação Distrital.

De entre os críticos mais activos da actual direcção nacional do partido, José Pedro Amaral, que integrou os órgãos nacionais do PS no anterior mandato com António José Seguro, manifestou já dentro da reunião a sua discordância quanto ao rumo que o partido está a seguir, não esquecendo todo o processo que se desenvolveu no interior do partido desde Maio do ano passado.

José Pedro Amaral afirmou ao MD que «António Costa foi o principal responsável pela derrota do PS nestas eleições». E concretizou: «Desafiou em Maio de 2014 um líder vencedor, mobilizador, que construiu em três anos uma alternativa séria e responsável, chegando a afirmar que ele próprio não seria capaz de ter maioria absoluta e, depois de tudo isto, o PS perdeu as eleições e esse mesmo líder não é capaz de tirar ilações». O ex-dirigente nacional não se ficou por aqui nas críticas relativamente à estratégia seguida e apontou responsáveis: «Aquilo que se passou na constituição das listas para deputados, a mentira, a geringonça, a falta de respeito pelos órgãos distritais foi longe demais. Aprovar uma lista nos órgãos distritais e por imposição de António Costa ver a minha camarada Dora Brandão sair das listas por ter apoiado António José Seguro, foi do pior que já assisti e vivi na vida política».

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Este crítico sublinhou que «todos estes processos têm afastado as pessoas da política e do PS». José Pedro Amaral alegou, ainda «que existe muita gente no interior do PS que não se revê na linha que o partido tem seguido.» Sobre os primeiros dias de Governo, o ex-dirigente nacional afirmou «esperar para ver, fazendo votos que, para bem de Portugal e dos portugueses, tudo corra bem». No entanto reafirma «não concordar com a forma e o método como tudo foi feito», defendendo que o PS deveria assumir o papel que os portugueses lhe conferiram, «ser o maior partido da oposição».

Sobre a Federação e as eleições que aqui se aproximam, José Pedro Amaral foi parco em palavras garantindo «não haver nenhuma tendência no distrito, no entanto existe gente que pensa de modo diferente daquela que é a estratégia do candidato conhecido». Para o socialista, a candidatura de Miguel Alves «é a candidatura da actual direcção nacional do PS e por isso segue a estratégia da mesma». O ex-dirigente lembrou que Miguel Alves «foi o director de campanha distrital de uma das maiores derrotas do PS da sua história». Sem colocar em causa legitimidade democrática da sua candidatura, «estranho que alguém que acaba de assumir funções no Secretariado Nacional e diz na Comissão Política Distrital ser um factor de enorme orgulho e com possíveis consequências positivas para o distrito, queira poucos meses depois encerrar esse processo de vantagens para o distrito e assumir a liderança da Federação».

O ex dirigente, contudo, não quis adiantar mais pormenores relativos à estratégia de quem, no distrito, pensa de modo diferente, assumindo, no entanto, que «existem muitos camaradas com os quais falo e nos encontramos, debatemos, e que no momento próprio tomarão as devidas decisões».

O Minho Digital confrontou Miguel Alves com estas acusações que nos referiu «não ter nenhum comentário a fazer».

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