Carpinteira ‘herda’ do ex-presidente Manuel Lopes a sucata das pás eólicas da Europa em Valença

Como foi noticiado em primeira mão na última edição do jornal Minho Digital https://minhodigital.pt/valenca-a-sucata-das-pas-eolicas-na-europa/, na zona industrial de Valença, situada na União de freguesias de Gandra e Taião, encontram-se milhares de escombros, de pás eólicas a céu aberto oriundos de toda a Europa. Ao longo desta semana, recolhemos uma série de informações junto das entidades públicas, como Câmara Municipal de Valença, União das freguesias de Gandra e Taião e APA (Agência Portuguesa do Ambiente).

As pás representam as componentes mais difíceis de recuperar, devido ao material com que são produzidas, como resinas reforçadas com fibra de vidro e, nas mais recentes, com fibras de carbono, para além de outros materiais como colas, vernizes e metais. A juntar às pás eólicas, que são o material mais numeroso, depositado no local, também se pode ver grande quantidade de turbinas eólicas, algumas delas em avançado estado de deterioração.

A empresa Ventos Metódicos – reciclagem, Lda., tem como principal setor de atividade a reciclagem dos componentes obsoletos das eólicas, em fim de vida. Questionado o administrador galego dessa empresa,  sobre a intenção de abrir uma unidade na zona industrial de Gandra Valença, respondeu – e citamos – “cando tenhamos cartos faremolo”, (“quando tivermos dinheiro faremos”).

No entanto, segundo declarações do Município de Valença, a escritura de venda da referida parcela de terreno, com cerca de 32000 m², foi celebrada pelo Município de Valença, através da InterMinho, com a empresa de Gestão Imobiliária Espiral Simples a 24 de abril de 2020, empresa esta, sediada em Olhão, em pleno estado de emergência nacional face à pandemia.

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Sendo esta empresa a titular do processo de licenciamento para a construção de um edifício, destinado a indústria e armazenamento. Depois deste negócio, o molde do mesmo, entre a Espiral Simples e a empresa que atualmente desenvolve a atividade nesse lote, Ventos Metódicos – Reciclagem, Lda., é completamente alheio e de desconhecimento da autarquia.

O município salientou que o lote foi vendido, não para o fim de sucata que se regeria por legislação própria, mas sim para indústria de reciclagem. Contudo, o pedido de armazenamento é omisso na sua forma, o mesmo que dizer que dentro de uma nave ou fora desta, verifica-se que o depósito de material, ocorre desde meados de 2021, pelo que, “o Município de Valença já encetou diligências junto da empresa Ventos Metódicos, para se inteirar da situação e apurar eventual responsabilidade relativamente ao assunto em apreço”.

 Na verdade, não existe nenhum projeto, em nome da empresa Ventos Metódicos – Reciclagem, Lda., que tenha dado entrada nos serviços do Município de Valença, até à presente data.

O Minho Digital verificou e registou ali existir uma estrutura montada, com cerca de 50 cm de altura, em que os ferros dos pilares acusam deterioração, ou seja aparente abandono de obra.

A autarquia de Valença  esclareceu também que o licenciamento para a construção de edifícios para indústria e armazenamento é competência da Câmara Municipal, sendo que, o licenciamento existente, em nome da empresa Espiral Simples imobiliária, foi aprovado ainda pelo executivo anterior, em junho de 2021, para fins de construção de nave industrial e de armazenamento, estando o prazo ainda a decorrer, ao abrigo do alvará emitido com a possibilidade de iniciar a atividade até 1 de junho de 2023. Esclarecem, ainda, que “tendo em conta o objeto do licenciamento, a construção de uma nave destinada à indústria armazenamento, e não havendo informação de que os materiais a armazenar fossem perigosos, não foi solicitado nenhum parecer à APA – Associação Portuguesa do Ambiente.  É um facto indesmentível, no entanto, que o impacto visual deste depósito de pás e outros materiais eólicos é muito negativo, apesar de o licenciamento prever o armazenamento de materiais”.

Contudo, a autarquia e apesar de não ser a sua expressa competência, continua a acompanhar atentamente a evolução, alegando zelar pelo cumprimento da legislação.

Por outro lado, as declarações dadas pela Junta da União de freguesias Gandra e Taião foram de total desconhecimento relativamente ao negócio ali realizado. “Esta junta nunca foi consultada sobre a atividade e presume que está devidamente licenciada.”

Consultámos o portal da APA, encontrámos o licenciamento da empresa para a unidade de Monção e o código de reciclagem LER 10 1103 – resíduos de materiais fibrosos à base de vidro, relativamente ao depósito de Valença, nada se encontra.

Deixamos aqui os links da consulta da página APA e da empresa Espiral Simples imobiliária.

https://silogr.apambiente.pt/pages/publico/estabelecimento/estabelecimento.php?estabelecimento_id=272669

https://matrizespiral.pt/

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3 comentários

  1. Um país que apenas fabrica o que os outros desenham, nomeadamente os paises do G7 e na fronteira acresce a Espanha, pois é essa a maior parcela da industria portuguesa, e que importa sucata é um país com o futuro comprometido. Isso deveria preocupar-nos a todos, nomeadmente àqueles que têm a responsabilidade de terem sido eleitos.

  2. Estou certa que o nosso Presidente Carpinteira resolverá o problema da melhor maneira possível.

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