Flores da Aldeia quer ajudar a comer os vegetais mais puros

  • Criada há alguns anos, a empresa Flores da Aldeia quer respeitar os sabores originais dos vegetais. Sandra Pereira, a líder, vive rodeada de legumes, os animais e as flores. Depois de algumas actividades profissionais decidiu regressar à terra e cultivar os legumes, frutos e também flores nos terrenos da família. No lugar de Regueiro, Mazedo, a horta é um espaço de trabalho e lazer.


Com 38 anos recorda-se de sempre viver com a horta. “Desde sempre que a horta faz parte da minha vida. Os meus pais sempre tiveram. Sempre trabalharam no campo e tiveram animais”. Passou por diversas áreas profissionais, mas com ligações à terra e às flores. Em 2008 decide abrir uma loja em Ceivães dedicada à comercialização de flores. Há um ano fecharam e dedicaram-se à comercialização de legumes associando as flores. “Não existe uma horta sem flor. Uma horta precisa de flores para atrair os polinizadores”, refere.
No “laboratório”, como chama a uma estufa onde fazem as plantações de alguns vegetais antes de os levar para outros terrenos testam as sementes. “Nós temos um laboratório onde germinam as nossas sementes. Nós recolhemos as sementes. Muitos dos legumes que cultivamos é através da nossa própria semente, que recolhemos dos nossos legumes. Hoje em dia as sementes estão em revolução. Muitas das sementes que compramos já estão modificadas. E tudo o que comemos de saudável começa na semente. Sendo a semente o mais pura possível melhor para toda a gente”.
Sandra Pereira salienta que “não é só semear para colher. Temos de colher para semear”. O cuidado com as sementes, a não utilização de pesticidas e “dar o tempo à natureza” são os ingredientes da produção da Flores da Aldeia.

O trabalho na horta é todo o ano, embora na primavera e verão haja mais. Contudo, como é fácil de ver, fazendo um passeio por alguns dos espaços de cultivo, há sempre trabalho, seja na sementeira, seja no arranjo da terra. “Durante todo o ano podemos ter legumes frescos”, manifesta Sandra. Dando o exemplo da cesta apanhada para o registo do momento. “Temos alface, agrião, cenoura, espinafre, nabo, beterraba, pimento, que é um fruto do outono. A batata e a cebola que é colhida mais cedo e armazenada todo o ano. A abóbora”.
Com as tendências da cozinha apostar na decoração do prato, Sandra Pereira também produz “coisas inovadoras”. Rúcula e canonigo, assim como algumas flores comestíveis são alguns desses exemplos. Sem esquecer os mini vegetais. “A nova cozinha, e o chef Rui Ribeiro, um dos nossos embaixadores, utiliza muito as cores, as flores, os mini vegetais e nós tentamos dar resposta a essa procura”.
“A minha irmã costuma dizer que aqui se produzem coisas pequeninas”, revela. No entanto, orgulha-se de ouvir clientes a dizer que “redescobrem o verdadeiro sabor das coisas. Eu percebo, embora eu nunca tenha deixado de consumir os verdadeiros alimentos. Mas a verdade é que se consomem alguns alimentos que não tem o verdadeiro sabor”.
“A natureza é lenta, mas muito sábia. Ensina-nos a saber esperar e a perder. É um verdadeiro jogo de paciência”, refere a jovem agricultora. Adiantando que “já tivemos uma experiência muito engraçada com os alunos da Creche de Mazedo”. As actividades com as escolas são uma aposta de futuro. “É importante que eles saibam de onde vêm as coisas”.
Com a experiência de cerca de dois anos, Sandra Pereira garante que “os produtos não são muito mais caros”, e assume que “vamos persistir, porque é um processo lento, mas para nós faz todo o sentido”. Avessa à procura de apoios comunitários, Sandra fala de uma “iniciativa própria”, que já consegue levar os produtos ao outro lado do rio. A Taskatenda, em Salvaterra, é um desses clientes.
Através de um clique na rede social (https://www.facebook.com/FLoreSDAldeiA/?fref=ts) é possível conhecer a diversidade de vegetais cultivados, desde os mais tradicionais aos mais “inovadores” ou então numa ida ao lugar do Regueiro.

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Nuvem do Minho
cidalia_meirim_rodrigues@hotmail.com
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