Germano Amorim, Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Viana do Castelo, exige esclarecimentos à CCDR-Norte sobre protocolo 112 Transfronteiriço

“Foi com total estupefacção e desagrado que fomos confrontados com a celebração de um protocolo transfronteiriço sobre emergência médica pré-hospitalar, vulgo 112, sem sermos minimamente tidos nem achados durante o processo de negociações e agora na sua conclusão”.

As palavras são de Germano Amorim, Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Viana do Castelo,

E prossegue em tom crítico: “Já é do exaustivo conhecimento da população que são os bombeiros a realizar mais de 90% dos serviços de emergência médica pré-hospitalar a preços ainda altamente deficitários para os bombeiros. O INEM não tem condições humanas, nem estruturais para fazer mais do que cerca de 10% desse serviço e no entanto é quem dá as cartas, distribui o jogo e corta, consoante o que lhes é conveniente. Não sabemos quanto vai custar, quem vai fazer os serviços, se incluem os bombeiros, em suma, não sabemos rigorosamente nada! Os bombeiros não passam de joguetes nas mãos deste Instituto Nacional e de demais responsáveis institucionais na área da proteção civil.”

O ambiente é de indignação, mas, apesar de tudo, ainda têm esperanças de que sejam reconhecidos pela experiência de quem anda no terreno. “Não é admissível e não continuaremos a tolerar mais este tipo de comportamento que é desprezível e errático e que apenas põe em causa o funcionamento de um sistema assente em bombeiros, em claro prejuízo para toda a população. Já alertamos por inúmeras vezes que a emergência médica pré-hospitalar tem de ser urgentemente revista e tem de haver um acentuadíssimo esforço acrescido do estado para lhe dar cumprimento devido, com aumento de preços e criação de equipas de intervenção permanente na área de Pré-Emergência Hospitalar. Não podemos sustentar tanta despesa a preços tão baixos. Haverá mais gente a precisar de emergência médica e não poderá tê-la.”

Foi enviada uma carta ao presidente da CCDR-Norte, a “pedir os muito e devidos esclarecimentos sobre o que se passou e vamos aguardar pelas respostas, que não poderão nunca ser satisfatórias já que, aparentemente, o processo estará concluído, sendo os bombeiros tratados como os párias do sistema.”

Germano Amorim tem a solidariedade de outras corporações da região , segundo apurou o MD junto de outros responsáveis espalhados pelo distrito. O Presidente da Federação considera “Lamentável e altamente prejudicial para a população e a sua saúde. Isto num distrito que continua a ter meses de espera por pagamento de dívidas da ULSAM. O Hospital de Viana do Castelo não paga as suas dívidas a tempo e horas, deixando arrastar a situação por períodos superiores a seis meses!”  E o tom das críticas é imparável: “Já foi dito ao presidente deste hospital, que tal não é aceitável e sustentável de qualquer ponto de vista. Não se pode gerir uma casa com dívidas de milhares de euros do Estado para transporte de doentes”. E sublinha: “Inaceitável! Já reunimos e apenas surtiu parcialmente efeito, mas a situação voltou à normal situação de haver mais de seis meses de dívidas acumuladas de milhares de euros a todas as associações do distrito. Vamos ponderar a adopção de estratégias mais radicais já que a via do diálogo, lamentavelmente, pouco efeito surtiu.”

 

O MD teve acesso à carta enviada ao Presidente da CCDR-Norte que transcrevemos na íntegra:

Exmos. Senhores,

Presidente da CCDR-Norte.

Foi com profundo desagrado e absoluta surpresa que tivemos conhecimento, através de um meio meramente informal, que terá lugar a 14 de dezembro, pelas 11h30, na Pousada de S. Teotónio, em Valença, a assinatura do memorando de entendimento do “112 Transfronteiriço”, que prevê a criação do primeiro serviço de emergência médica interregional entre Portugal e Espanha, mais concretamente entre o Norte e a Galiza.

Ora saberá com certeza V. Exa. que quem executa mais de 90% dos serviços para o INEM a nível nacional são os Bombeiros. Quer seja através das suas Associações Humanitárias, ou, por Corpos de Bombeiros Sapadores dos respetivos municípios. Saberá também V. Exa. que os Bombeiros têm corpos sociais e estruturas de representação democraticamente eleitas, in casu , no que refere à nossa zona de atuação, a Federação dos Bombeiros do Distrito de Viana do Castelo, que coincide exatamente com toda a área geográfica de Viana do Castelo. Representamos assim cerca de 700 bombeiros, voluntários, ou e profissionais, que poderão dar corpo a um acordo transfronteiriço que, sem os quais, não existiria e poderá não existir, caso não vejamos respondidas as perguntas que colocamos a V. Exa. e que se requer a mais solícita amabilidade de resposta e que são as seguintes:

  1. Sabe V. Exa., ou alguém do INEM informou, sobre o modelo atual de organização e cooperação para garantia de serviço INEM durante 24 horas por dia? Ou este projeto será apenas executado por ambulâncias do próprio INEM?
  2. Sabe V. Exa. o que é um protocolo de Posto de Emergência Médica e como funciona?
  3. Sabe V. Exa. o que são Postos de Reserva e como funcionam?
  4. Sabe que são os Bombeiros que asseguram cerca de 90% desse serviço, vulgar e erradamente designado por serviços INEM?
  5. Sabe V. Exa., quanto é cobrado por serviço efetuado pelos bombeiros?
  6. Porque é que os Bombeiros, e esta Federação em particular que represento, que tem mais de 700 operacionais e mais de 50 viaturas disponíveis para o exercício das funções que à nossa revelia foram aparentemente negociadas, não foi abordada para qualquer reunião?
  7. Sabe V. Exa. informar qual é o preço que foi estabelecido por serviço?
  8. Qual é o preço que foi estabelecido por quilómetro?
  9. Qual é o preço que foi estabelecido para a taxa de saída?
  10. Qual é o preço que foi estabelecido por hora de espera?
  11. Qual é o preço que foi estabelecido para pagamento de equipamentos de proteção individual e outros, como por exemplo, o oxigénio?
  12. Sabe V. Exa. porque motivo foram os Bombeiros votados a este inadmissível desprezo institucional?

Estas são as perguntas que creio serem as suficientes para dar manifesto à indignação da Federação dos Bombeiros do Distrito de Viana do Castelo e que creio serem extensivas às restantes Federações da região Norte de Portugal, que se viram exatamente prostradas a um total desprezo e pretendemos assim ver esclarecidas.

Mais se informa V. Exa. que esta Federação está aberta a um diálogo franco e leal para resolver estes e outros problemas que assolam a proteção civil e as nossas diversas áreas de atuação. Somos portadores de saber acumulado de séculos e instituições com nível de maturidade que merece muita mais atenção e respeito institucional, nomeadamente no que refere a fundos comunitários que possam estar disponíveis para alavancar a qualidade do nosso trabalho, garantindo melhores índices de qualidade e de aproveitamento de financiamento que possa estar eventualmente disponível e que pura e simplesmente se desconhece. Esta Federação representa onze Associações Humanitárias e um Corpo de Bombeiros Sapadores. Mais de 700 operacionais. Mais de 100 membros de órgãos sociais. Mais de 350 profissionais. São as únicas que são garante efetivo de promoção de segurança, socorro e emergência de toda a população, ininterruptamente, durante todas as horas do dia, todos os dias do ano, sem exceção. Somos, contudo, o parente pobre de toda a estrutura da Proteção Civil, que paradoxalmente se alicerça em nós e queremos definitivamente acabar com esta inaceitável lógica.

Aceite os meus respeitosos cumprimentos, crente de que a presente missiva servirá para pelo menos saber da nossa existência,

Germano Amorim

Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Viana do Castelo.

Filipe Guimarães eleito Comandante do sector operacional de Viana do Castelo

Filipe Guimarães, comanda os Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez há mais de 10 anos e foi eleito, esta quarta-feira, comandante do sector operacional do distrito de Viana do Castelo, a nova estrutura nacional da Liga de Bombeiros Portugueses.

O actual comandante dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez foi eleito por unanimidade, pelos comandantes dos corpos de bombeiros do distrito de Viana do Castelo presentes na assembleia da Federação Distrital de Bombeiros de Viana do Castelo.

Filipe Guimarães desempenha desde alguns meses a função de conselheiro nacional, no conselho nacional operacional da Liga de Bombeiros Portugueses em representação do distrito de Viana do Castelo.

Este novo cargo de Comandante de Sector Operacional resulta da proposta do Comando Autónomo de Bombeiros feita pela Liga dos Bombeiros Portugueses.

A Corporação de Arcos de Valdevez, segundo a Direcção,  desejou “ao nosso Comandante os maiores sucessos no desempenho destas suas novas funções.”

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