Editorial

Governar não é fácil
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Jorge VER de Melo

Governar o lar de cada um não é nada fácil, vamos aprendendo com o tempo, mas governar um país deve ser algo bem mais complexo embora os princípios sejam os mesmos

Reparem, se um de nós gastasse um dinheirão a construir uma arrecadação e pouco tempo depois resolvesse destrui-la, a nossa família diria que estávamos doidos ou então cheios de dinheiro para estragar.

Isto quer dizer que quando tomamos uma atitude que ponha em risco as nossas economias, temos que ponderar convenientemente e se no futuro não concordarmos muito com o que foi construído, tratamos de modificar conforme as posses, mas nunca destruir o que nos custou tanto a ganhar.

Pelos vistos, com os nossos governos as coisas não funcionam bem assim. Em 2001, com a autoria do Arquiteto catalão Solà-Morales, construiu-se um prédio junto ao Castelo do Queijo, na orla marítima de Matosinhos, o “Edifício Transparente”. Foi requalificado pelo Arquiteto português Carlos Prata e inaugurado em 2006 para apoio à cultura. Presentemente, alguns políticos a quem a vida não custa certamente ganhar, pensam destrui-lo. Custou 7,5 Milhões de euros.

Mas o mesmo aconteceu com o “Prédio Coutinho” em Viana do Castelo e com muitos outros por esse país fora.

Pensamos que chegou a hora dos Senhores Políticos assumirem definitivamente aquilo que autorizaram ou que resolveram construir sem andarem a fazer e desfazer como se o dinheiro que gastam e estragam não surgisse como parte do suor de muita gente.

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Se foi este ou aquele partido quem resolveu construir ou autorizar a construção, não deveria nunca estar em causa.

Na verdade, o governo que teve responsabilidade no assunto, assumiu o facto por mandato democrático naquele momento e ponto final. Agora, fica para a história quem fez a asneira ou não, mas foi com a autorização de quem votou neles.

Não podemos destruir o que foi feito cada vez que muda um governo. Ás tantas, em lugar de reduzirmos às dívidas estamos cada vez mais a aumentá-las porque aparece alguém que decide não gostar daquilo que outros fizeram. Já pensaram que se os nossos antepassados resolvessem proceder dessa mesma forma, não teríamos monumentos históricos nem estilos que marcassem cada época?

Primeiro, é conveniente saberem e não esquecerem que os “gostos não se discutem”, é um ditado popular que explica sabiamente o que estamos a sofrer neste momento. É a democracia.

Estas pessoas não se podem apanhar com “dez reis na algibeira” e toca a estragar como se fossem deles.

A vida é muito mais simples do que essa luta de vaidades, senão vejamos um pensamento de Confúcio:

“ Se o seu projeto é a um ano, plante arroz.

Se o seu projeto é para daqui a dez anos, plante árvores.

Mas se o seu projeto for para durar cem anos ou mais, eduque as crianças.”

Está aqui um bom princípio de ponderação para os nossos governantes. Parece que até agora têm procedido exatamente ao contrário. Bem sabemos que um elevado número de políticos demonstrou não saber governar a sua própria casa quanto mais um país inteiro. Outros estão cheios de dívidas por não saberem administrar o dinheiro que lhes apareceu nos Bancos sem explicação aceitável. Mas outros fazem uma ideia da educação que está muito longe desta verdade do Confúcio.

Todos devemos recordar as razões desta disparidade:

– A falta de respeito demonstrada pelo ensino;

– A descarada apresentação de habilitações falsas pelos Senhores políticos e;

– Fundamentalmente o desperdício, em percentagem elevada, dos indivíduos que saem profissionalmente preparados: das Universidades, dos Institutos e das escolas profissionais.

Estamos a deixá-los fugir para outros países porque cismamos pagar-lhes migalhas e trata-los como se o sacrifício de terem estudado tantos anos não servisse para nada. Reparem que quem pagou grande parte dos estudos destas pessoas fomos todos nós, é bom não esquecer. E já agora, quem paga os vencimentos dessas pessoas que estão a desperdiçar tanto dinheiro, também somos todos nós.

Por essas razões todas, não concordam que devemos exigir mais respeito e ponderação na aplicação do dinheiro que lhes entregamos com tanto sacrifício?

E se o entretenimento desses Senhores fosse construir algo útil em lugar de destruir aquilo que já tem utilidade?

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