Editorial

Inundações – O pesadelo instalou-se no Alto Minho

Cláudia Labrujó

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Cláudia Labrujó

Cláudia Labrujó

claudialabrujominhodigital@gmail.com

O primeiro dia do Ano de 2023, foi marcado pelo pesadelo das cheias, passou-se, de um estado de seca para um estado de inundação, permitam-me o desabafo que vou aqui partilhar.

Horas antes de término do ano de 2022, praticamente todas as Festas de Passagem de Ano foram canceladas/adiadas, por todo o Alto Minho, ocasionadas pelo alerta meteorológico de risco de cheias e inundações, efetuado via SMS pela Proteção Civil e difundido pelos meios de comunicação social, com a recomendação para que as pessoas permanecessem nas suas habitações.

Pois bem! Muitas famílias acordaram sobressaltadas, com carros a sair de casa à boleia da força das águas, negócios completamente devorados e saqueados pela força das águas, que deixaram a amarga prenda de lama.

Emigrantes que quando voltarem às suas casas no seu país de origem, verão a destruição que o Inverno do primeiro dia do ano de 2023 lhes fez nos seus bens.

Pessoas, que com o passar das horas e com litros e litros de água a cair do céu, levantavam as mãos ao céu e diziam “por favor já chega”, tal era, o desespero de salvar as suas casas e/ou a impotência de as manter em segurança.

Uma das Fortalezas abaluartadas de maior porte e das mais bem conservadas do nosso País, atualmente candidata a Património da Humanidade, que resistiu a inúmeras invasões, a inúmeras intempéries, a sismos e até ao impacto da explosão em 2018 em Paramos Tui, parte dela no dia 1 de janeiro de 2023, sucumbiu.

Cada torrão de terra, cada pedra que saltou do seu lugar habitual, foi um pedaço de cada um de nós que foi arrancado.

Estradas submersas pelas águas que teimavam em andar algures lá longe, quase como se tivessem sumido do planeta, porém a Natureza é soberana e foi buscar o que a ela sempre pertenceu.

A Natureza está a fazer o que era habitual fazer, talvez o Homem tenha sim, destruído por mão criminosa, o que acabava por não tornar perigoso o trabalho da Natureza. Comprova-se este pensamento com o que se verificou nas Freguesias de Lanhelas e Seixas, que no último Verão foram fustigadas, por violentos e assoladores incêndios, que deixaram a descoberto e de forma desprotegida os solos, pela falta das árvores e das suas raízes, os montes não tinham sustentação e a água ao invés de passear tranquila e harmoniosamente pelos montes, fustigou inocentemente casas, ruas, carros, vidas, trabalhos, famílias e a sua paz e em alguns casos destruiu completamente habitações deixando famílias desalojadas.

Em Caminha a linha do Minho ficou completamente submersa, tal era a quantidade de água, terrenos inteiros inundados, casas submersas até meio das suas alturas. Um cenário assustador!

Vale a pena refletir, se cada um de nós tem contribuído para que o Nosso planeta, esteja cada vez mais desprovido de segurança.

O Nosso Alto Minho é um lugar abençoado pela Natureza, cabe a cada um governantes, sejam nacionais, locais e da oposição, tomar consciência, sentar, refletir, avaliar, planear, trabalhar e melhorar – sim melhorar, mas sem esquecer que os nossos anciãos eram soberanos e sábios!

Naqueles tempos não havia máquinas sofisticadas, nem programas informáticos que ajudassem a fazer cálculos, tudo era tomado em consideração, tudo era ponderado, nada era feito sem um porquê, um… será?

Percebemos este fim de semana que não vale a pena as obras para agradar os olhos das populações; as obras e embelezamentos, devem cumprir as questões de segurança, para com todos e para todos.

Percebemos, também que até, os mais fortes choram pela impotência de resolução das situações e da falta de segurança de uma fortaleza que não resistiu á força da Natureza, mas talvez não fosse esta que lutou contra a Fortaleza, talvez fossem todos aqueles que sempre olharam para a mesma como fonte de rendimento e protagonismo, que se arrastou anos e anos e foi olhada como um negócio e não como a joia, o ganha-pão e casa de muitos Valencianos.

Por ocasião da visita no passado dia 2 de janeiro a Valença e a todos os Concelhos fustigados pela intempérie, a Ministra da Coesão Social afirmou que a parte que aluiu era precisamente um dos locais que não estava sinalizado para a situação que ocorreu, mas outras sim estão sinalizadas.

Fica então no ar, que tipo de trabalho técnico e avaliativo esteve e está a ser efetuado naquela Fortaleza, já que muitos Valencianos tinham alertado para aquele local, e o risco permanente que ali se encontrava. Valerá a pena, quiçá, avaliar também os técnicos.

Em conversa telefónica, com alguns presidentes de junta, sendo eles os mais próximos das populações, alguns choravam ao descreverem tudo que vivenciaram, outros ainda em estado de choque, mas que estiveram e estão no terreno, ao lado e com as populações, muitas vezes sem comer, privando-se das suas próprias famílias, privando-se até do zelo e cuidado de si próprios. A eles, Presidentes de Câmara, pessoal da Proteção Civil e a todos os funcionários das autarquias, juntas, empreiteiros e todos os envolvidos, um muito obrigada pela coragem, trabalho e dedicação ao próximo.

É hora de união, é hora de mostrar o que realmente vale o Ser Humano, é Hora de arregaçar as mangas e ajudar o próximo, é hora de nos ajudarmos sempre e dar mais valor ao muito ou pouco que temos como sendo o melhor do mundo, porque nunca saberemos se amanhã que teremos, é hora de ajudar sem olhar a quem, é hora de repensar tudo, é hora de voltar a ter Humildade e acima de tudo Humanidade.

A redação deste jornal Semanário deixa aqui as imagens recolhidas ao logo do dia e parte da noite do dia 1 de janeiro de 2023.

Inundações em Vila Praia de Âncora e Modelo

Inundações em Vila Praia de Âncora

claudialabrujominhodigital@gmail.com
Cláudia Labrujo

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