Lendas e Mitos do Nordeste Brasileiro: A Semente de  Sacaibu e a produção de algodão no Brasil

Diz a lenda que há muitos anos os índios viviam em grande atraso.

Não sabiam cultivar a terra, nem domesticar os animais. Nunca tinham visto tecer ou fiar. Não construíam malocas. Habitavam em cavernas ou no alto das árvores. Pareciam animais selvagens.

Nesse tempo, houve uma tribo cujo chefe era prudente e sábio. Chamava-se Sacaibu. Um dia esse tuxaua resolveu mudar-se com seus companheiros para um lugar bastante elevado, onde havia boas florestas e muita caça.

Sacaibu aí construiu as primeiras malocas da tribo e plantou uma semente que lhe fora oferecida por Tupã. E esperou que essa semente germinasse.

Perto da montanha onde vivia a tribo, abria-se um grande abismo. Os índios passavam horas e horas olhando para o fundo desse grotão, no desejo de conhecer o vale misterioso que aí deveria existir, mas que não se podia ver, por causa das florestas espessas que o recobriam.

Enquanto isso, a semente plantada por Sacaibu germinou, desenvolveu-se transformando-se em grande e bela árvore.

 

Certo dia, os índios viram que as flores dessa árvore se abriam mostrando lindos tufos brancos. Era o algodão.

Aconselhados por v Sacaibu, os indígenas colheram os tufos brancos, desfiaram-nos, teceram os seus fios e fizeram com os mesmos, cordas longas e fortes.

Com essas cordas puderam descer ao abismo. E foi grande a surpresa, quando viram que o vale era habitado por um povo adiantado, forte e bem organizado. Os moradores do vale eram também generosos e prestativos. E, atendendo ao pedido de Sacaibu, subiram pelas cordas e foram auxiliar os índios a cultivar suas terras.

Assim nasceram os primeiros algodoais dom Brasil.

Esta é a versão contada por Theobaldo Miranda Santos, em seu livro Lendas e Mitos do Brasil, publicado pela Companhia Editora Nacional.

Há outras versões a merecer apreço.

Eduardo Henrique Vieira Coelho de Sequeira ou simplesmente Eduardo Sequeira, nascido em Portugal, na cidade do Portoem Dezembro de 1861, vivendo até novembro de 1914) foi um naturalistaherpetologistabotânico e jornalista dos finais do século XIX e início do século XX.

Colhi deste autor, responsável por várias obras, uma versão um pouco diferente sobre a lenda algodão.

Vamos apreciá-la: 

“Sacaibu, o primeiro homem, tinha um filho Rairu a quem profundamente odiava. Resolvendo desfazer-se dele, abriu uma grande cova na terra, cova que ia ter a um profundo poço natural, e colocou nela um porco apenas com a cauda de fora, e esta untada de visco, e ordenou ao filho que lhe trouxesse o porco senão que o matava. Rairu obedeceu, mas mal agarrou a cauda, ficou com as mãos presas e foi arrastado pelo animal para o fundo do poço, donde só pôde sair à custa de inúmeras fadigas. Chegado à terra, correu a contar ao pai que no interior do solo existiam muitos homens e mulheres que poderiam ir buscar e fazer deles escravos que os auxiliassem nos seus trabalhos de cultura. Sacaibu então semeou pela primeira vez o algodão, cuja semente Deus lhe dera, e com ele teceu uma corda que lhe serviu para descer ao poço. Os primeiros homens que tirou eram pequenos e feios, depois extraiu outros mais formosos e de cor diferente e cada vez que descia ao poço a cor variava, até que por último tirou uns completamente brancos. Quando pretendeu depois disso tornar a descer, a corda partiu e Sacaibu morreu da queda, razão pelo que não mais apareceram homens superiores em beleza e perfeição aos homens brancos”.

 

II ) A PRODUÇÃO DE ALGODÃO NO BRASIL

Diz a internet que o processo de cultivo do algodão na América existe há mais de 7 mil anos. Na América Latina a civilização Inca foi uma das pioneiras, no Peru.

Como é chamada a cultura do algodão?

A cotonicultura no Brasil teve um grande avanço a partir dos anos 90, ao passo que os produtores conseguiram a façanha de transformar o país de importador para exportador de fibra. No início, os produtores dispunham de poucas cultivares (*), deficientes em características de qualidade que atendessem ao exigente mercado internacional e encontravam muita dificuldade no manejo de pragas e doenças.

Passados alguns anos de pesquisa, o cenário da cultura do algodão está diferente. Os produtores brasileiros, atualmente, produzem fibra de alta qualidade, com alta produtividade e com perspectivas de crescimento para o cultivo do algodão. Isso tem sido possível devido à inserção de novas tecnologias ao sistema de produção, como biotecnologias, melhoramento em genética de cultivares, nutrição e manejo fitossanitário.

(*) CULTIVARES: Variedades. Geralmene são variações naturais que ocorrem na espécies em seus ecossistemas de ocorrência. Por outro lado, o termo cultivar, que deriva do termo “variedade cultivada” (“cultivated variety” em inglês”) e significa que a planta distingue-se das demais por meio de caracteres agronômicos.

 

Cultura do algodão

A história da cultura do algodão no cerrado tem sido escrita por pessoas, que além de produtores, são empreendedores. O Brasil tem se mantido entre os cinco maiores produtores mundiais de algodão, ao lado de países como China, Índia, EUA e Paquistão. Na safra 2018/19, o país atingiu o volume de 2,7 milhões de toneladas de algodão em pluma

A área plantada na lavoura de algodão no Brasil cresceu de 949 mil hectares, em 2016, para 1,6 milhões em 2019, um crescimento de 68,5 % nesse período, segundo o 10º Levantamento – Safra 2018/2019 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse crescimento tem sido alavancado por boas produtividades, preços atrativos e o aumento do consumo mundial e nacional – um sinal de que a cultura do algodão está deixando rentabilidade ao produtor

O algodão Bt é um exemplo de tecnologia recentemente inserida, que trouxe benefícios ao produtor rural. Cultivares resistentes a herbicidas, que minimizam os problemas com fitotoxidade dos programas de manejo de plantas daninhas, são outro exemplo. No entanto, o mau uso dessas ferramentas, como a produção de sementes de forma informal, sem garantias de pureza varietal, tampouco do controle de qualidade molecular dos genes de resistência presentes. podem pôr em risco a sustentabilidade das tecnologias.

A cadeia da cotonicultura é complexa e de alto valor agregado. Ao passo que a produção aumenta, os desafios também aumentam para a plantação do algodão. A agricultura em ambiente tropical tem diversas vantagens, mas traz consigo vários desafios como a pressão de ataque de muitas pragas, doenças e plantas daninhas.

Se pegarmos como exemplo o bicudo do algodoeiro, principal praga na cultura hoje, o Brasil está praticamente sozinho nessa luta, uma vez que outros países produtores não lidam com o mesmo problema. A base do controle atual é através do uso de inseticidas, mas o desenvolvimento de cultivares resistentes poderá ser uma saída futuramente.

No que tange a doenças, a mancha de ramulária tem preocupado os produtores e exigido atenção ao manejo da cultura do algodão com fungicidas. https://blog.aegro.com.br/ramularia-no-algodao/

Nesse sentido, cada vez mais se faz necessária a implementação de ações integradas de todo o setor algodoeiro do país no acesso a novas tecnologias, novos cultivares, uso de estratégias de manejo, de forma a garantir o crescimento da cotonicultura brasileira e a permanência no mercado internacional.

Em viagem ao interior do Estado da Paraíba, retornando com destino à Cidade de Natal, Capital do Rio Grande do Norte, a serviço da Campanha Nacional de Escolas Comunidade, no Munícipio de PARELHAS, onde estava localizada uma das unidades da CNEC pude ver pela primeira vez, uma plantação de algodoeiros. Encantou-me a beleza das flores

 

8 curiosidades do algodão: as infinitas possibilidades da fibra

Enciclopédia Walkiria

O algodão é um dos principais produtos brasileiros e a fibra natural mais utilizada no mundo! Conheça as maiores curiosidades do algodão!

O algodão é um dos principais produtos da cadeia agrícola brasileira e a fibra natural mais utilizada no mundo. Por isso, através da sua cultura, é possível gerar emprego e matéria-prima para diversos setores e indústrias.

Além disso, a beleza de uma lavoura de algodão em época de colheita pode ser considerada uma das coisas mais bonitas já vistas! Aquele campo todo branquinho, que remete às melhores sensações possíveis, é um verdadeiro convite à contemplação.

No entanto, o algodão tem muitos fatos curiosos em sua história. Por exemplo, você sabia que a cultura no Brasil começou há muito tempo graças aos indígenas? Com o tempo, o país descobriu o grande potencial do algodão para fins comerciais e produção agrícola, permitindo assim o crescimento exponencial da economia interna.

Mas, melhor do que saber dessas histórias, é entender até onde o algodão pode chegar. O uso diverso desse produto é fascinante e inusitado e hoje vamos mostrar algumas curiosidades do algodão.

Algodão crescendo: 160 dias da germinação até a colheita | Foto: Carlos Rudney / Abrapa  (internet)

CURIOSIDADES DO ALGODÃO

 

 1 – O nome “algodão” tem origem árabe

Muitas pessoas buscam saber qual o significado do nome “algodão”. Foram os árabes que difundiram a planta pela Europa entre os séculos IX e XI, por isso, sua  origem vem dessa região. A palavra é a derivação do termo árabe “al-qu-Tum”, em tradução livre, “o cotão”, que significa “pelo” ou “felpa”. Daí surgiram suas variações em cada país, como cotton, em inglês; coton, em francês; cotone, em italiano; e algodón, em espanhol.

 2- Começou a ser usado no Brasil pelos indígenas

Quando os primeiros europeus desembarcaram no País, já havia indígenas cultivando o algodão e transformando sua fibra em fios e tecidos rudimentares.  Depois de algum tempo, especificamente em 1750, foi descoberto o potencial produtivo e comercial do algodão no Nordeste brasileiro.

3 – É usado na fabricação de óleo, rações e até adubos

Óleo de algodão | Foto: Pixabay

O caroço do algodão também é aproveitado na produção de óleo comestível (de cozinha), biodiesel e misturas para rações animais e adubos. Desses primeiros produtos, é possível fazer muitos outros subprodutos como maionese, molhos, frituras, lubrificante, margarinas, biscoitos, entre outros.

4 – Os altos e baixos da fibra no Brasil

O Brasil foi um dos maiores produtores e exportadores de algodão do mundo, sendo a principal área de produção no Nordeste. Mas, no final da década de 1980, houve uma infestação do bicudo-de-algodoeiro e, no início de 1990, as consequências apareceram. Lavouras foram devastadas, os produtores perderam tudo, famílias ficaram sem renda e uma grande crise se instaurou.

No final da mesma década, as esperanças estavam renovadas. A produção foi retomada, mas dessa vez a principal área de produção foi no Centro-Oeste. Ainda nessa época, nasceu a Abrapa (Associação Brasileira de Produtores de Algodão).

Em 2012 foi criado o programa de certificação socioambiental ABR (Algodão Brasileiro Responsável) e, desde então, só estamos crescendo. O Brasil, atualmente, é o 4° maior produtor, 2° maior exportador e o maior fornecedor de algodão responsável do mundo!

5 – Existem diversas fibras de algodão

O línter é utilizado na produção de óleo de algodão, papel moeda, entre outros. | Foto: Carlos Rudiney / Marcplus

Eis uma curiosidade do algodão que você não sabia: além da fibra principal extraída do algodão em caroço, usada na indústria têxtil, existem a fibrilha e o línter, que são as fibras mais curtas do capulho, porém, muito importantes. Com elas é possível fabricar o algodão de farmácia, tecidos rústicos, estofamentos, filtros, pavios de pólvora, tapetes e pano de chão.

Outras fibras são as que estão presentes nas casquinhas do algodão, nas carimãs, no piolho e no pó de canal, mas pela baixa representatividade de volume e valor para a cadeia de produção, são consideradas resíduos.

6 – Dinheiro também é feito de algodão

A camada do meio das notas é feita de algodão. É onde estão as medidas de segurança contra falsificação.

É isso mesmo, você não leu errado! A partir das fibras curtas do línter é possível produzir as cédulas do real brasileiro. O papel criado para fabricar essas notas é composto por três camadas: duas externas, produzidas com pasta de madeira, e a do meio, que é feita 100% de línter de algodão. Essa camada é a que recebe as principais medidas de segurança que dificultam a falsificação da nota.

7 – É parente do quiabo e do hibisco

Tanto o algodão quanto o quiabo e o hibisco são da família botânica das Malvaceae, que abrange mais de 2 mil espécies espalhadas pelo mundo, principalmente na América do Sul. Essas plantas possuem características em comum, como a presença de pequenos pelos ou escamas e suas flores são bem parecidas na anatomia.

8 – Algodão de fases: todas as etapas da fibra na plantação

Abelha na flor do algodoeiro | Foto: Embrapa / Programa Dia de Campo na TV

 

O primeiro passo acontece com o solo sendo preparado com nutrientes básicos para o plantio. Depois de plantadas, é a hora da germinação e crescimento. Nesse momento, é importante cuidar para que as plantas se desenvolvam com todos os nutrientes, longe do ataque de pragas e doenças.

Após 60 dias elas começam a florescer e, nessa primeira fase, a flor tem a cor branca, tornando-se púrpura após a polinização. Assim, acontece o enchimento das maçãs, que são os frutos do algodoeiro, e é dentro delas que a celulose se transforma em fibra. Os capulhos surgem quando as maçãs começam a desidratar e abrir, deixando sua fibra branca interior à mostra.

E chegamos, então, à colheita, que acontece, em média, após 160 dias da germinação. Entram em cena as grandes e tecnológicas colheitadeiras de algodão, que podem até trabalhar sozinhas e com precisão. Graças à mecanização da cotonicultura brasileira, hoje nossa fibra é considerada 100% livre de contaminação!

As possibilidades são muitas e é incrível saber de todas as funções do nosso algodão. Por isso é tão importante entender cada processo e garantir a efetividade e a sustentabilidade dessas produções. Afinal, o algodão está presente em nosso dia a dia muito mais do que podemos imaginar!

E você, conhecia alguma dessas 8 curiosidades do algodão?

 

Principais Estados Brasileiros envolvidos na produção de algodão

Os maiores estados produtores são (na ordem): Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, Goiás, e Mato Grosso do Sul.

Pouca gente sabe que, além das fibras que originam os tecidos, os algodoeiros oferecem a produção de óleo. Visto na enciclopédia Wikipédia temos informações que enriquecem nosso comentário:

 

óleo de algodão é um óleo vegetal derivado da prensagem da semente do algodão. A utilização do caroço de algodão na produção de óleo alimentício só foi possível depois de ter sido desenvolvido um processo industrial que permitisse a retirada do forte odor apresentado por este produto, em um processo conhecido como desodorização.[1] Embora muito popular, no Brasil o mais consumido é o óleo de soja.

 

Características

O óleo de caroço de algodão tem um leve sabor de castanhas. Por ser refinado, normalmente tem aparência límpida, com coloração variando entre a cor dourada claro e o amarelo avermelhado.[1] Este óleo é rico em vitamina D e possui bastante tocoferol, um antioxidante natural.[2] Uma colher de sopa de óleo de algodão pode satisfazer nove vezes a necessidade diária do organismo em vitamina E.[3] Entretanto, alguns nutricionistas recomendam cautela em seu uso, pois trata-se de um óleo que contém muitas gorduras saturadas pouco saudáveis.[4]

 

Utilização

Este óleo é muito utilizado para saladas, em maioneses e marinados. Também é usado em frituras[5], tanto em cozinhas comerciais como nas caseiras, bem como na fabricação de margarinas[1], porém o mais utilizado no Brasil é o óleo de soja.

 

OBSERVAÇÃO:  Os textos apresentados por Antônio J C da Cunha, versando sobre lendas e mitos do Brasil, são: quase todos, inspirados pelo livro de THEOBALDO MIRANDA SANTOS, publicado pela Companhia Editora Nacional, acrescentados por pesquisas na internet, inclusive fotos, que enriquecem o conteúdo.

 

*

Natural de Geraz do Minho – Portugal

Academia Duquecaxiense de Letras e Artes

Associado do Rotary Club Duque de Caxias – Distrito 4571

Membro da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade

Membro da CPA/UNIGRANRIO

Diretor Proprietário da Distribuidora de Material Escolar Caxias Ltda

ajccunha40@gmail.com
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