A comunidade de São Martinho da Gandra (Ponte de Lima) parece estar a reviver o ‘Síndrome de Lavradas’ (ver NOTA em rodapé), uma freguesia vizinha, mas pertencente ao concelho de Ponte da Barca. A instituição Igreja está no ‘olho do furacão’ e o alarme já vazou para as redes sociais…
Se no caso de Lavradas há 9 anos que cerca de 1 milhão € está na posse de uma Comissão Fabriqueira, angariados junto da população barquense e emigrantes para a reconstrução da Igreja que ardeu – e nem a primeira pedra foi lançada! -, no caso do Lar e Centro Social a Paroquial de São Martinho da Gandra (CSPSMG), 500 mil € desta instituição, fruto de subsídios da Segurança Social, Câmara Municipal e donativos de heranças e outros, foram parar à Confraria da Senhora da Peneda, no concelho de Arcos de Valdevez.
Até aqui com uma situação financeira confortável, o Lar limiano acedeu aos propósitos da Diocese de Viana do Castelo e ambas as instituições assinaram um protocolo de alegado empréstimo, com o fim de colmatar dificuldades financeiras na sequência de obras assumidas por uma Confraria localizada noutro concelho.
A descapitalização do Lar era motivo de apreensão, até mesmo no interior da instituição. Rumores alarmantes da perda de juros elevados desse meio milhão € que estava a prazo, independentemente do critério discutível do alegado empréstimo, vieram para a praça pública.
O MINHO DIGITAL (MD) contactou o Presidente da Direção do Lar, Padre Almeida. «Não alimento esse tema. O Senhor Bispo contactou-me e, de facto, acabou por ser subscrito um protocolo, elaborado por dois advogados. Esse documento estipula o empréstimo desse valor por 6 meses que pode ser prorrogado por 12. A decisão teve o acordo da Direção de que faço parte. Tudo legal. No entanto, posso adiantar-lhe que esse dinheiro estava à ordem e não a prazo». Questionado se esse dinheiro não poderia ser investido no próprio Lar de São Martinha da Gandra, como por exemplo na melhoria de condições ou no alargamento das instalações, dado que têm terreno para isso, o pároco respondeu que «isso não está previsto». Acedeu em enviar-nos o referido protocolo mas, até ao fecho desta edição, o MD não recebeu qualquer documento.

Confraria de Nossa Senhora da Peneda
Também enviámos um e-mail ao Bispo, Dom João Lavrador, bem como levantámos outras questões, atendendo ao legítimo interesse público, mas o silêncio prevaleceu. O tema é de enorme sensibilidade atendendo ao envolvimento da Igreja enquanto instituição e, por isso, uma fonte solicitou-nos a confidencialidade ao refutar esta versão oficial. «O Director da Direcção anterior, o Padre Carlos, já teria sido sondado para, nessa altura, ceder aos propósitos da Diocese mas, pelos vistos, o imbróglio manteve-se». Um grupo composto por dirigentes de então, colaboradores e pessoas ligadas à instituição, manifestaram-se em protesto e solidariedade com o pároco junto do Arcibespado. O Padre Carlos ao ao serviço da freguesia até 31.08.2025, acabou por se demitir e o seu destino estava traçado: foi colocado pela hierarquia em Genéve, na Suíça! Quanto à avultada verba de 500 mil €, depositada na Caixa Agrícola, o MD está em condições de afirmar que a conta estava a prazo e só passou à ordem em Novembro de 2025, período vigente da actual Direcção presidida pelo Padre Almeida e que coincide temporalmente com a subscrição do protocolo entre o Lar de São Martinho da Gandra e a Diocese. A conta a prazo, com uma taxa de juros de 3,25 €, só vencia em 19 de Janeiro deste ano, sendo que com a alteração do contrato bancário, há uma penalização de 6 meses em juros. O Lar perdeu cerca de 10 mil €.
João Barbosa, tesoureiro da anterior Direcção e que cessou funções em Setembro de 2025, por nós contactado, «repudia veementemente o empréstimo». «Pode ser legal, mas a meu ver imoral» – acrescentou, frisando que nos extractos bancários que então e obrigatoriamente lhe passavam pelas mãos, não apareciam os tais 500 mil €. «Seria absurdo que uma verba tão elevada não estivesse a prazo e eu ainda guardo os documentos bancários dessa altura».
Contactada Olga Fernandes, a actual tesoureira, também se remeteu ao silêncio.
NOTA:
https://minhodigital.pt/carta-aberta-diocese-e-autarcas-arrastam-ha-8-anos-a-reconstrucao-da-igreja-de-lavradas-apos-a-populacao-ter-angariado-o-financiamento/

«Aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de finanças carentes de ética»#
(Papa Francisco)













3 comentários
Quando se trata de dinheiro,e muito,a igreja não olha a meios.
É,no mínimo, revoltante.
A Igreja e quem a conduz, por dinheiro é! Como o diabo por Almas!
Há tantos casos parecidos, mas, sempre com avultadas quantias.
Infelizmente, é o Deus de uma boa parte das igrejas ditas católicas, apostólicas e romanas.