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Monção dedica fim-de-semana para a “Foda à Moda de Monção”

É já este fim-de semana, que Monção promove a segunda edição do “Cordeiro à Moda de Monção” ou como popularmente se designa “Foda à Monção”. De 09 a 11 de Outubro, Monção dedica-se ao “Cordeiro à moda de Monção”. As expectativas da organização são aumentar o número de visitantes. No ano passado, o 1º ano da iniciativa, os cordeiros não foram suficientes para a procura. Este ano a restauração foi convidada a não “ter medo e arriscar”. Gastronomia, cultura e turismo vão estar de mãos dadas. Num investimento de 33 mil euros, a autarquia monçanense conta com o apoio da Associação Comercial e Industrial e da EPRAMI.
Em conferência de imprensa, que decorreu no Museu Alvarinho, o evento foi apresentado como “mais uma forma de promover Monção” e “atrair gente à nossa terra”. Augusto Domingues falava do objectivo de cativar sete milhões de habitantes, desde o Porto até à Corunha. O autarca deixou ainda um alerta aos restaurantes no sentido de evitar o esgotamento do cordeiro e também para a prática de preços módicos.
A directora da Escola Superior Agrária (ESA) de Ponte de Lima, que está a conduzir o processo de certificação do cordeiro à Moda de Monção anunciava que o processo está na Direcção Geral de Agricultura. Ana Paula Vale referia que “temos acompanhado o processo desde o início”. A “recuperação das tradições ligadas à gastronomia” é algo que, segundo aquela responsável, interessa à ESA. “Chegámos a um conjunto de receitas e apurámos a receita que, de acordo com o que fomos fazendo em entrevistas, se aproxima do tradicional. Esta receita deixa obviamente alguma margem à criatividade de cada um. No entanto, há requisitos que são necessários cumprir para não adulterar a receita tradicional”, sublinhava Ana Paula Vale.
A designação do “Cordeiro à Moda de Monção” mereceu também explicações pela directora da ESA. “Foi atribuído esse nome, porque não podemos atribuir designações obscenas. Chegou-se a cordeiro, porque é o animal intermédio e como é um prato servido em alturas da Páscoa”.
Augusto Domingues considerava o nome “brejeiro” e não “obsceno”. Lembrando a história que dá origem ao nome popular. “Eu aconselho a restauração a colocar entre parêntesis Foda à moda de Monção, porque esse nome é brincalhão”.

Carpa localizada na praça Deu-la-Deu serve de espaço Multiusos
Na praça Deu-la-Deu será colocada uma carpa, que servirá de espaço Multiusos, onde vão decorrer os workshops, tertúlias e degustações. Nesta edição ainda não haverá restaurantes na praça, por questões de logística e de cumprimento das normas de higiene e segurança.
Paulo Esteves conta que alguns comerciantes manifestaram essa vontade de estar na carpa, mas “a qualidade do serviço não será tão bem atingida se for feita na carpa”.
O presidente da Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Monção e Melgaço salientava que “apoiamos as actividades na nossa comunidade” e lembrava o projecto “ambicioso” para 2016: “Todos os meses fazermos um festival de um produto característico”. Américo Reis esperava também que a certificação do “Cordeiro à Moda de Monção” saísse em breve.

Três dias de animação e degustação
Nesta iniciativa gastronómica, apoiada pela Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Monção e Melgaço e a EPRAMI, os restaurantes participantes (25), devidamente licenciados na categoria de restauração, prometem confeccionar aquele prato tradicional com qualidade, requinte e genuinidade, apresentando-o em pequenos alguidares de barro com uma inscrição alusiva ao certame.
No primeiro dia, sexta-feira, pelas 20h00, decorrerá animação de rua com o Grupo de Gaitas e Cantares da Portela e o Grupo de Bombos “Os amigos de S. Pedro de Mazedo”, seguindo-se, pelas 21h30, no Museu do Alvarinho, a apresentação da nova linha de merchandising do Município de Monção. Pelas 22h00, noite de fado com Ana Pinhal.
No dia seguinte, sábado, a manhã do Espaço Multiusos, com início às 10h00, engloba um workshop de tradições para público infantil, a demonstração culinária do Cordeiro à Moda de Monção com o chefe Rui Ribeiro, a professora Maria do Carmo e a presença do conhecido chefe Hélio Loureiro. No período matinal, estão igualmente previstas visitas orientadas ao centro histórico de Monção.
A hora do almoço, entre as 12h30 e as 14h00, faz-se ao som do Grupo de Concertinas “Os Magníficos” e o Grupo de Cavaquinhos “Flores da Terra”. Pelas 15h00, tem lugar mais um workshop de tradições, desta vez destinado ao público em geral, seguindo-se, pelas 16h00, o ateliê culinário infantil “Mini Hambúrguer de Cordeiro”, com o chefe Rui Ribeiro e a professora Maria do Carmo.
Pelas 17h30, realiza-se uma tertúlia moderada por Tito Couto com as presenças de José Cordeiro (gastronomia), Sara Covas (alimentação/saúde), Agostinho Peixoto (turismo) e Diego Dias (pastorícia). Entre as 20h00 e as 21h30, regressa a animação popular com o Grupo de Bombos de Pias e a Rusga “Amigos de Merufe”. O dia termina com um baile abrilhantado pelo “One Grupo Trio”.
No domingo, o dia abre pelas 10h00 com workshop de tradições para o público infantil, continuando, pelas 10h30, com visitas orientadas ao centro histórico de Monção e, pelas 11h00, com a demonstração culinária “Barrigas de Freira”, pelo chefe Rui Ribeiro e a professora Maria do Carmo.
O programa de animação completa-se com actuações de rua a cargo do Grupo de Bombos de Abedim e do Grupo “Os Cantares do Alvarinho”, entre as 12h30 e as 14h00, e workshop de tradições para o público em geral, entre as 15h00 e as 17h00.
Assumindo a promoção dos recursos endógenos e diferenciadores do concelho como uma das estratégias do executivo monçanense, este certame gastronómico tem como finalidade a manutenção da qualidade e a garantia da genuinidade deste prato com história e tradição no concelho de Monção.
Inicialmente associado ao consumo familiar em dias festivos, o Cordeiro à Moda de Monção, de arroz pingado e com nome ousado “Foda a Monção”, tornou-se, desde há vários anos, uma referência na gastronomia monçanense. O processo de certificação, em fase final, garantirá a qualidade e autenticidade deste prato obrigatório no roteiro gastronómico local.

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