Salvo poucas e boas exceções (sobretudo na imprensa local, como é o caso do Minho Digital), os órgãos de comunicação social portugueses não estão atentos à atualidade galega, ou à de Espanha. Mas não deveria ser assim, porque o que se passa de um lado da fronteira afeta o outro.
A entrada de Portugal para a UE (antiga CEE) pode ser interpretada como uma vitória, principalmente na ótica regional. Afinal, faz todo o sentido que exista entre o Norte de Portugal e a Galiza, que partilham tanto em comum, um espaço de livre circulação de bens e serviços, que traz benefícios mútuos para cidadãos e empresas.
A aproximação económica já está feita, mas entendo que falta a aproximação política e social. Isto não se deve confundir com uma intervenção nos assuntos internos espanhóis ou galegos, ou vice-versa. Bastava apenas dar a devida cobertura ao que se passa do outro lado da fronteira. Salvo poucas e boas exceções (sobretudo na imprensa local, como é o caso do Minho Digital), os órgãos de comunicação social portugueses não estão atentos à atualidade galega, ou à de Espanha. Mas não deveria ser assim, porque o que se passa de um lado da fronteira afeta o outro.
Vou dar um pequeno exemplo. Recentemente, os autarcas de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, assim como associações ecológicas, mostraram-se preocupados com a crescente poluição da albufeira de Lindoso/Soajo. Esta contaminação “verde” (devido à cor que a água apresenta) é o resultado de explorações de animais intensivas que se praticam do lado galego.
Este caso demonstra como as ações praticadas na nascente do rio Lima estão a ter consequências para quem, a poente, também precisa do rio. De igual modo, revela como os laços entre as duas regiões se estão a estreitar, mesmo sabendo que é necessário maior escrutínio e cooperação entre galegos e portugueses. E o que dizer quando essa cooperação é fundamental, nomeadamente no combate às redes de narcotráfico?





