Editorial

Na Educação não se pode falhar – os Professores

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

damiao.velho@sapo.pt

Quando Obama chegou a presidente dos EUA disse que não podia haver lugar nas escolas para os maus professores.

O que está a acontecer neste momento em Portugal é corrermos o risco de não termos professores para os nossos filhos. Nem bons, nem maus.

Um problema de planeamento, já que era previsível, tendo em conta o envelhecimento da classe e a constante descredibilização da profissão de professor.

A verdade é que a educação é extremamente importante, sobretudo porque determina o futuro cultural, moral e ético de cada cidadão.

Nas escolas existem dois tipos de educação: a formal, que acontece dentro da sala de aula, e a informal, que acontece no espaço escolar dentro e fora da sala de aula.

Ambas estas ações educativas têm que ser pensadas e executadas da melhor forma possível, com os recursos intelectuais e materiais que se exigem para essa tarefa.

Sendo que o grosso desta missão está nas mãos dos professores, toda a comunidade educativa faz parte do processo, desde os auxiliares de ação educativa até ao diretor da escola.

A profissão de professor deixou de ser atrativa por vários motivos: a insuficiente remuneração, a incerteza na colocação, o crescente desprestígio da profissão e a dificuldade atual em lecionar, porque a autoridade do professor é todos os dias posta em causa.

E sem autoridade moral, académica, carismática e disciplinar não se educa, vagueia-se.

Autoridade não é medo, é respeito.

Melhor do que ensinar a estudar é ensinar a gostar de estudar, e isso faz a diferença entre um professor e um professor de excelência.

Neste momento nem nos podemos dar ao luxo de escolher, porque não os há.

Os professores têm estado em greve desde o dia 9 de dezembro e os alunos sem aulas, o que não é uma questão menor. Os professores estão contra o sistema de avaliação dos docentes, a municipalização dos concursos e a não-progressão da carreira. Eu diria que estão no limite, com excesso de burocracia, sem perspetivas ou motivação, e muitos com a casa às costas de cada vez que muda o ano letivo.

E isto de andar de terra em terra não é de agora, por isso, quando ouço governantes que já passaram por vários governos dizer que é inadmissível fico com as esperanças defraudadas. Parece-me mais do mesmo.

Urge, por isso, repensar a forma como têm sido tratados os professores pelos sucessivos governos e também pelos pais. Digo “os pais” porque muitos foram e são responsáveis pelo desrespeito a que os professores têm estado sujeitos. Basta ir a uma reunião de pais para saber de que massa são feitos os alunos. E alguns pais precisavam de voltar à escola, porque como alguém dizia “o cocó dos nossos filhos não cheira mal”, mas cheira, e o de alguns pais ainda cheira pior porque não veem o óbvio.

É claro que o Estado tem a maior das responsabilidades nessa matéria, até por ter deixado que tudo chegasse a este ponto.

É que os professores têm a missão mais importante de qualquer sociedade: fornecer os instrumentos para um pensamento livre, critico e construtivo.

Sem os professores não há futuro e por isso os critérios para se exercer esta profissão têm que ser exigentes, com estabilidade e com remuneração compatível para tão grande responsabilidade.

Por isso, criem-se todas as condições, materiais e imateriais, para atrair para esta nobre arte os melhores. Porque a sua responsabilidade é tal, que tal como disse Obama e bem, não há lugar para maus professores, sob pena de comprometer o futuro dos nossos filhos e a sociedade tornando-a acrítica, domesticada e passiva.

Não podemos nunca desvalorizar quem nos ensina e uma sociedade sem bons professores, repito, não tem futuro!

damiao.velho@sapo.pt

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1 comentário

  1. Excelente texto, focando pontos muito importantes,nomeadamente a falta de respeito, da parte dos pais dos alunos.

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