Editorial

NÃO CHEGA SER VERÃO

Zita Leal

Zita Leal

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reporterzcaminha@gmail.com

Nesta estação já a maior parte das flores esbanja cor, perfume, movimentos graciosos quando a brisa lhes beija as pétalas.

É a festa da vida em esplendores assumidos. Meses quentinhos, quase a fazerem esquecer os ventos frios e cinzentos do nosso entardecer.

Estas frases meio pirosas valeram-me comentários elogiosos de um ou outro professor de Língua Portuguesa que me faziam sonhar ser uma escritora de truz , quem sabe até prémios em jogos florais, mas isso era no começo da adolescência…

A estação hoje é a mesma, os prémios não foram para mim, e no lugar de flores cheirosas só me lembro de crianças com cheiro a leite azedo, camisolas rotas, corpinhos maquilhados de nódoas negras, movimentos doridos tentando fugir a mãos de carrasco. SE CALHAR SÓ RESTAM AS FRASES PIROSAS A GRITAR RAIVA, VONTADES INCONTROLÁVEIS DE MATAR. Todos os dias me confronto com os crimes cada vez mais frequentes contra a CRIANÇA, e os anos de luta contra a pena de morte nem sei onde se esconderam. Pedófilos, pais, mães que batem e maltratam até à morte as suas crias deixaram de fazer parte dessa luta.  Se calhar é a idade que me torna cruel, se calhar faço viagens no tempo e “a pena de Talião“ faz parte do meu ADN, sei lá… Sei que sofro, sei que estes instintos assassinos que tomam conta de mim me assustam e que quando sair deste mundo procurarei o Criador em todos os buracos negros e ralharei e pedirei contas até à eternidade.

Só poderá estar prisioneiro num buraco mais que negro que lhe impede a visão e a audição!

reporterzcaminha@gmail.com

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