Editorial

O assédio é um exercício de poder
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Damião Cunha Velho

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Qualquer tipo de assédio, seja moral, sexual, bullying… é um exercício de poder. 

Acontece em muitos lugares: no trabalho, na escola, na família…. e é sempre praticado por alguém que consegue condicionar o outro, ou a vida do outro, através do poder que tem sobre esse outro.

Geralmente o assédio é praticado de cima para baixo, ou seja, de alguém que está numa posição hierárquica superior e sobre o qual depende o assediado.

Como vivemos numa sociedade patriarcal, os cargos de chefia são exercidos quase sempre por homens e daí o assédio ser maioritariamente praticado por homens sobre mulheres. No entanto, também há o assédio de homens sobre outros homens e de mulheres sobre outras mulheres, muito pouco falado, mas uma prática comum no trabalho e que transforma o local do trabalho num pequeno inferno com consequências graves na produtividade, mas sobretudo na saúde física e mental de quem é assediado. Isto porque o assediado fica refém de quem o assedia, pois não tem como se defender quando está completamente dependente desse trabalho para se sustentar ou sustentar a sua família. Eu próprio, já passei por isso e perdi anos de vida de tão duro e humilhante que é ser-se coagido por alguém que se julgava dono e senhor do mundo, desrespeitando até as leis do trabalho pré-estabelecidas pelo empregador.

Há um tipo de assédio de que poucos se atrevem a falar, por ser politicamente incorreto ou pelo receio de se ser rotulado de sexista. Refiro-me ao assédio praticado por quem, à partida, está numa posição inferior na hierarquia profissional ou na classe social a que pertence. Como disse, todos os assédios são atos de poder, neste caso, um poder que assiste a alguns homens, mas principalmente às mulheres: o poder da sedução.

São conhecidas muitas histórias em que as mulheres conseguiram “singrar” na vida por terem assediado homens. Daí, por exemplo, a expressão “casar por interesse” atribuída a mulheres com casamentos improváveis, por casarem com homens muito ricos e/ou socialmente reconhecidos, ao contrário delas. Há quem apanhe em flagrante este tipo de mulheres, conhecidas como Gold Diggers, e lhes faça ver o quão ridículas e superficiais são. O Youtube está cheio de filmagens onde isso é bem retratado.

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O assédio é sempre praticado por quem tem poder, quer seja formal ou informal. A sedução, por natureza informal, é usada por homens ou mulheres para atalhar caminho, subir na vida ou simplesmente fazer a vida negra a alguém.

Em todos os casos, o assédio é condenável, trata-se de um comportamento abusivo, criminoso, com consequências graves, que, em circunstância alguma, não pode ser desvalorizado.

Deve, por isso, ser combatido e penalizado, apesar da dificuldade de se constituir prova da ausência de consentimento.

E o assédio começa exatamente por falta de um “sim” ou quando o “não” é desrespeitado!

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