O MISSISSIPI PORTUGUÊS

João Ribeiro

Jornalista

A região do norte vê-se vetada a um cada vez maior isolamento económico, social e cultural. Hoje, viver no Minho é enfrentar uma série de desafios, que atiram muitos para outras paragens. Se a beleza estonteante da região ainda vai fixando alguns, fazendo com que a desertificação e o êxodo da população não seja ainda alarmante, urge trabalhar em antecipação e oferecer condições que contribuam para fixar população. O mais importante? Criar emprego.

 

Fixar populações numa determinada região é um desafio que está intimamente conectado à capacidade de gerir empregos e uma economia local que seja dinâmica e que floresça naturalmente. Há muito que a zona norte, o Minho em especial, se tornou uma região incapaz de agregar trabalhadores e de, até, fixar os seus naturais, que derivam para outras zonas. Da questão dos ENVC a celeumas mais singelas com a introdução de portagens na ex-scut A28 contribuem para um longo estrangular de uma região que segue a largos passos para um definhar económico que há muitos anos afecta já as cidades do interior.

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Um país a duas velocidades vergado a políticas centralistas, Portugal é cada vez mais um país bipolar, à imagem daquilo que são os Estados Unidos, de que, normalmente, os portugueses tanto gostam. Se nos Estados Unidos existem estados-bandeira como Nova Iorque ou a Florida, tal como nós temos Porto e Lisboa, só o mapa nos lembra que existem também estados como o Arcansas e o Mississípi, regiões que estão a marcar passo desde os tempos da guerra civil. Esta é uma metáfora, que salvaguardadas algumas diferenças, representa um fidedigno reflexo daquilo que se verifica em Trás-os-Montes ou no Minho que, entre outros, são regiões que estão condenadas pelo poder central a uma agonizante asfixia económica. 

geral@minhodigital.pt
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