Orçamento de 2016 do executivo courense reserva 2 milhões de euros para a educação e cultura

Assembleia Municipal

O executivo courense aprovou com maioria (um voto contra e seis abstenções) o orçamento para 2016. De acordo com o presidente da autarquia, Vítor Paulo Pereira, o maior objetivo será o emprego, visando a criação de mais riqueza e a fixação da população ao concelho.

Esta aposta será traduzida na continuação da melhoria nas zonas industriais (260 mil euros no curto prazo e 700 mil euros num horizonte mais largo), mantendo a “velocidade institucional”, que de acordo com o presidente, terá sido a principal razão que levou à implantação de novas empresas em Paredes de Coura, havendo agora a perspetiva da captação de mais investimento. É neste contexto que está a ser feito o mapeamento da ligação da Zona Industrial de Formariz ao nó da A3 em Sapardos, no sentido de avaliar o impacto ambiental e o custo das expropriações, para se aquilatar se a obra reunirá condições para usufruir de financiamento de fundos europeus, o que significaria a concretização de uma aspiração de quase duas décadas. Também a educação e a cultura, tal como em anos anteriores, voltarão a ser “áreas muito acarinhadas pelo executivo”, perfazendo em conjunto, 2,219 milhões de euros de investimento, o que equivale a 20% da verba total inscrita no orçamento.

Vítor Paulo Pereira lembrou ainda o trabalho realizado nos anos anteriores (2 milhões para a reabilitação de equipamentos situados na sede do concelho e valor idêntico para a requalificação da rede viária nas freguesias) e sublinhou que a redução da dívida ascende a 2,4 milhões de euros, garantindo que o executivo que lidera é aquele que, dentro do distrito “melhor cumpre o pagamento a fornecedores”.

 

Guerra interna no PSD enfraqueceu a discussão do orçamento

Da parte do principal partido da oposição, a discussão do orçamento não se fez. A surpreendente ausência de José Augusto Sousa, especialista na área financeira e líder da bancada parlamentar do PSD foi um enorme golpe na capacidade de discussão que os social-democratas habitualmente mostram na altura de projectar o exercício do ano seguinte. O deputado social-democrata ter-se-à desentendido, internamente, com outros elementos da concelhia do seu partido devido aos apoios a conceder nas distritais que se avizinham, demitindo-se da liderança da concelhia. Ausência igualmente notada foi a do vereador Décio Guerreiro, candidato derrotado nas últimas autárquicas, ficando por averiguar se a sua falta se poderá dever às querelas internas que afectam o PSD de Paredes de Coura.

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Neste contexto, João Paulo Alves (PCP) voltou a constitui-se como o único crítico da política orçamental seguida pelo executivo, afirmando que a actual Câmara tem apenas feito “uma evolução na continuidade” em relação ao anterior executivo, não sendo capaz de corresponder às expectativas criadas na campanha quando escolheram “ousar mudar” como mote da campanha e perguntou, retoricamente, aos presidentes de Junta (a maior parte deles do mesmo partido do executivo) se notam mudanças em relação ao passado. O deputado comunista realçou ainda que os courenses continuam a sair do concelho porque o problema não é só o emprego, mas a “falta da qualidade do emprego”. E desafiou que o executivo de Paredes de Coura e de outros territórios desertificados do interior ‘‘lutem para que seja criada nova legislação e políticas fiscais que discriminem positivamente esses territórios”, caso contrário, nada travará o crescente empobrecimento e redução demográfica.

Paredes de Coura «mudou muito», assegurou o presidente da CM

Deputados do PS saem em defesa do orçamento

Os deputados socialistas Rosalina Martins e Manuel Miranda responderam às críticas de João Paulo Alves, defendendo a qualidade do orçamento e justificando o facto da previsão de investimento voltar a diminuir em relação a anos anteriores. Manuel Miranda afirmou que as considerações do deputado comunista “eram injustas” na medida em que não contextualizavam a redução orçamental no âmbito de anos anteriores em que o governo de coligação baixou drasticamente o envio de verbas para os municípios, ao mesmo tempo que lhes exigiu que assegurassem funções e que tivessem despesas que deveriam pertencer ao Estado. Rosalina Martins, por seu turno, realçou que o orçamento teria todas as possibilidades de ter uma maior dimensão se a atribuição de verbas relativas ao actual quadro comunitário não estivesse tão atrasada.

Vítor Paulo Pereira procurou desdramatizar a acentuada quebra populacional, realçando que “não é só Paredes de Coura que está a perder gente e a fechas escolas. Trouxemos alegria a muitos lares porque compreendemos o tempo dos empresários e aquele que vem a Paredes de Coura já não vai embora daqui”. Respondendo ainda a João Paulo Alves, o presidente de Câmara reforçou que “Paredes de Coura mudou muito e a continuidade de que nos apelida não corresponde ao que estamos a fazer”.

Depois de discutido, o orçamento foi aprovado com o único voto contra do deputado comunista e com seis abstenções do PSD.

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Nuvem do Minho
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