Padre-cientista de Arcos de Valdevez lembrado no ISEP

Padre Himalaya

 Padre Himalaya. O nome soa a desconhecido para muitos portugueses, mas o padre-cientista, de Cendufe, Arcos de Valdevez, é nome grande da ciência além-fronteiras.

“A formidável história do padre Himalaya”, título da extensa reportagem que a TSF emitiu há cerca de nove meses, ajudou, dentro de portas, à difusão das descobertas do sacerdote, que surpreendeu o mundo, há mais de cem anos, com propostas visionárias em áreas tão diferentes como a energia solar ou a invenção de explosivos.

Manuel António Gomes, mais conhecido por padre Himalaya, que nasceu em 1868 e morreu em 1933, instalou, no início do século XX, uma máquina solar em Sorède (Pirenéus Orientais, França). Em 1904, recebeu a medalha de ouro na exposição universal de St. Louis, Missouri, nos Estados Unidos da América.

Mas o sacerdote foi muito mais longe nas descobertas. Criou explosivos, inventou um sistema de irrigação e desenvolveu um plano de arborização para todo o país. De resto, a utopia do padre Himalaya anunciava, ainda, uma futura idade solar.

Foi com este currículo sobre a mesa de debate, que se realizou, no passado dia 19 de janeiro, no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), uma conferência subordinada à ‘Reconstrução do Pyrheliophero do Padre Himalaya em Sorède’. O convidado Jean-Jacques Serra, doutorado em Física (e profundo conhecedor das invenções do padre Himalaya), fez uma apresentação detalhada sobre o pyrheliophero (pirelióforo) do padre-cientista, aludindo à conceção da referida máquina solar e aos seus componentes técnicos.

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Cientista itinerante fez experiências inéditas

Muito à frente do seu tempo, o padre Himalaya, para saciar a sua “sede” de conhecimento, percorreu vários países. Frequentou cursos de Sebastian Kneipp, na Alemanha, e, no início do seu sacerdócio, foi estudar para França (Paris). Em 1900, realizou em Sorède (sul de França), uma experiência solar onde obteve as mais elevadas temperaturas à época. Não contente com aquele protótipo, concebeu mais duas máquinas solares. É com o terceiro pirelióforo que ruma, em 1904, para os Estados Unidos da América, onde participa, na Exposição Universal de St. Louis, tendo arrebatado aí, como já foi referido, o Grande Prémio.

O pirelióforo, a gigantesca máquina solar, tinha, segundo o estudioso Jacinto Rodrigues, cerca de 80 metros quadrados e alcançava, no forno, uma temperatura a rondar os 3500º. Era um grande refletor com pequenos espelhos de cristal puro, construídos habilmente na armação de ferro, para formar uma superfície parabólica. Com base nesta poderosa fonte de energia solar, era possível produzir energia renovável, gratuita e limpa, além de se poder derreter o granito, o basalto e outros metais

Graças à invenção da máquina solar (que, na descrição de Jacinto Rodrigues, “é uma grande estrutura de aço onde milhares de espelhos refletiam a luz do sol para um ponto focal onde se situava o forno solar”), Portugal, através do padre Himalaya, inaugurou, na história recente, a era das energias renováveis.

De referir que o padre que dá fama a Cendufe é o patrono da Associação Padre Himalaya, coletividade presidida por Agostinho Soares.

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