Pipas com arte

Pipas


Natural da freguesia de Cerdal, no concelho de Valença, o jovem Filipe Fernandes utiliza um objeto, no mínimo peculiar, para dar vida a verdadeiras obras de arte. Filipe recorre às conhecidas pipas de vinho para criar peças de artesanato nas mais variadas formas.

De há dois anos para cá fabricou garrafeiras, bares, sofás, bancos de jardim, expositores de velas, baloiços de jardim, porta-chaves, relógios de parede e guarda-joias.  Mais recentemente lançou o projeto Pip´arte para divulgar o seu trabalho através das redes sociais.  Estivemos à conversa com o jovem empreendedor para perceber como surge a paixão pelo artesanato.

Minho Digital (MD) –  Como desperta o gosto pela criação de peças artesanais com recurso às pipas?

GOSTA DESTE CONTEÚDO?

Filipe Fernandes (FF) – Foi através de um amigo meu. Um dia fui a casa dele e vi lá uma pipa antiga e isso despertou logo em mim uma vontade enorme de criar. Esta paixão pelo artesanato já é antiga mas foi nesse momento que decidi pôr mãos à obra e desenvolver a minha habilidade. Comecei com peças mais pequenas, como os expositores de velas e bares e só mais tarde é que desenvolvi trabalhos mais complexos.

MD – Em que é que se inspira para as suas criações?

FF – Sobretudo na minha terra. Nos espaços verdes que temos e em certos objetos antigos que aparentemente já não tem utilidade. Eu reutilizou-os para lhes dar uma nova vida.

MD – Perde muito tempo a pensar naquilo que vai lançar a seguir?

FF – Depende. Às vezes surgem ideias por um acaso, quando menos espero, e outras vezes páro para refletir um pouco. O mais engraçado que me aconteceu foi um certo dia estava a criar algo com um propósito e sem intenção fiz um furo a mais na leiva que estava a trabalhar. Acabei por criar um expositor de velas, sem ser esse o meu objetivo inicial. São situações caricatas.

MD – Qual é o trabalho mais requisitado pelos seus clientes?

FF –  Sem dúvida, os bancos de jardim. Por estranho que possa parecer são as peças mais caras que tenho e que efetivamente requerem mais tempo e trabalho mas são os mais requisitados pelas pessoas.

MD – Pegando na ideia do banco de jardim, que materiais utiliza e quanto tempo despende na realização desta peça?

FF – Utilizo as leivas dos pipos e as rodas dos carros de bois. Para um banco desses ficar pronto preciso em média de 3 dias. Como tenho o meu emprego, fico um pouco limitado de tempo para construir as peças mas cerca de 2 a 3 horas diárias durante esse período de tempo e o banco fica pronto a ser entregue.

MD – Onde consegue todo esse material?

FF – Normalmente, as pessoas das aldeias quando as tem em desuso oferecem-mas as pipas. Caso contrário sou obrigado a comprá-las bem como as rodas dos carros de bois que cada vez se encontram menos.

MD – Qual é a peça mais cara e a mais barata que tem?

FF – O mais caro que tenho são, como disse, os bancos de jardim que podem rondar os 350€. Depois tenho por 3,50€ várias peças como os porta-chaves, queimadores de incenso, quadros e as caixinhas de madeira.

MD – Aposta na divulgação dos seus trabalhos?

FF – O projeto Pip´arte surge com essa intenção. Dar a conhecer a mais pessoas aquilo que sei fazer com as pipas de vinho. Tenho uma página no facebook com os meus trabalhos onde regularmente coloco fotografias com as criações novas. Também já participei em eventos locais onde montei exposições com as minhas peças

MD – Conta com algum tipo de apoio neste projeto?

FF – O da minha famíli,a essencialmente. Quando estou sem tempo é o meu avô que enverniza a madeira e sempre que podem lá me vão ajudando todos. Quanto ao resto, já solicitei um espaço à Câmara Municipal de Valença para colocar em exposição as minhas peças. Pedi uma sala na fortaleza há cerca de dois meses mas continuo sem resposta. Era ótimo que mais gente visse o meu artesanato, sobretudo espanhóis que são pessoas que apreciam muito este tipo de trabalho.

MD – Os seus clientes cingem-se à área de Valença ou tem encomendas de outros concelhos?

FF – Regra geral são pessoas daqui, mas já vendi para a Galiza e também tive pedidos de emigrantes no Canadá. Sei que tenho também uma compra quase certa na zona do Alentejo para próximo.

MD – Para produzir alguns dos seus artefactos é necessário um grande investimento?

FF – Parte do dinheiro que consegui nas vendas investi na compra de material. Tenho uma serra de fita para aqueles cortes mais precisos; um compressor, pistola de pregos, utensílios para pintar e envernizar, berbequim de banca e de coluna fixo, uma serra de banca e uma máquina de soldar. Investi cerca de mil euros.

MD – Qual é a sua principal aspiração com a Pip´arte?

FF – Gostava de ir mais longe e construir um quarto e uma casa-de-banho todos em pipa. Este é o meu maior desejo. Requer muito investimento e um bom estudo de mercado mas sei que algum dia o hei-de conseguir.

O jovem valenciano promete continuar a surpreender os seus clientes e levanta a ponta do véu dizendo que os discos de vinil serão a sua próxima aposta. Certamente, uma aposta com pipas e arte.

 

 

 

 

 

 

 

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Nuvem do Minho
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