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Pordata retrata o perfil do trabalhador em Portugal

No passado Dia do Trabalhador, a Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, apresentou um conjunto de indicadores que permite caracterizar o perfil da população empregada no país, em comparação com a União Europeia (UE).

Temas como a idade, o nível de escolaridade, os salários, ou os tipos de contrato que estão em vigor são o objeto desta análise.

Entre outros dados, é possível perceber que:

  • a taxa de desemprego aumentou no último ano;
  • que praticamente metade dos trabalhadores têm entre 44 e 64 anos;
  • que Portugal é o 2º país da UE com menor percentagem de jovens no total de trabalhadores;
  • que os trabalhadores portugueses estavam igualmente distribuídos por nível de escolaridade: 1/3 até ao 9º ano; 1/3 com ensino secundário e 1/3 com curso superior;
  • que Portugal é dos países da UE onde menos mulheres empregadas trabalham em part-time;
  • que é o 5.º país da UE com salário médio mais baixo (apenas com Eslováquia, a Grécia, a Hungria e a Bulgária abaixo), ou que um em cada seis trabalhadores tem um contrato a prazo. 

Desemprego, idade e escolaridade dos trabalhadores

A taxa de desemprego aumentou no país – alentejo e região norte registaram as maiores subidas

 

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Em Portugal, a taxa de desemprego (média anual) subiu de 6,1% em 2022 para 6,5% em 2023. A Península de Setúbal (uma das novas regiões NUTS 2024) é a que revela mais desemprego. No entanto, foi no Alentejo e na região Norte que se registaram as maiores subidas entre 2022 e 2023.  

Tabela: Taxa de desemprego por NUTS II (%)

 

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Região (NUTS 2024) 2022 2023
Portugal 6,1 6,5
Norte 6,0 7,0
Centro 4,8 5,3
Oeste e Vale do Tejo 6,0 5,4
Grande Lisboa 6,7 6,8
Península de Setúbal 9,1 8,3
Alentejo 4,7 5,9
Algarve 6,0 5,7
Região Autónoma dos Açores 6,0 6,4
Região Autónoma da Madeira 6,9 5,9

 

Praticamente metade dos trabalhadores tem entre 44 e 64 anos

O trabalhador envelheceu: há 20 anos, um terço dos trabalhadores tinha entre 44 e 64 anos. Hoje, praticamente metade estão nesta faixa etária. Já os jovens trabalhadores, até aos 24 anos, diminuíram mais de 40%. O escalão etário dos trabalhadores que mais aumentou foi entre os 55 e os 64 anos, registando uma subida de 66%. 

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Tabela: População empregada: total e por grupo etário

valores absolutos indivíduos (em milhares) e Taxa de Variação (%)

  Total 15-24 25-44 45-54 55-64 65 ou mais
2003 5.093,4 523,6 2.602,3 1.050,6 588,4 328,5
2023 4.978,5 306,9 2.116,6 1.363,0 975,2 216,8
Var.% -2,3 -41,4 -18,7 29,7 65,7 -34

Portugal é o segundo país da UE27, a seguir à Espanha, com menos jovens, entre os 25 e os 34 anos, no total dos trabalhadores e é o quarto país com força laboral mais envelhecida (por cada 100 trabalhadores com menos de 35 anos tem 99 com mais de 54 anos), apenas ultrapassado pela Bulgária, Letónia e Itália.

Escolaridade: Portugal é o país da UE que tem maior proporção de patrões sem instrução ou com o ensino básico

Em 2023, os trabalhadores por conta de outrem portugueses estavam igualmente distribuídos por nível de escolaridade: 1/3 até ao 9º ano; 1/3 com ensino secundário e 1/3 com curso superior.
O maior aumento de trabalhadores por nível de ensino, em 10 anos, deu-se nos licenciados (+10 p.p.) e a maior diminuição deu-se nas pessoas com o 1º ciclo do ensino básico, ou seja 4.º ano (- 7 p.p).
Tabela: Trabalhadores por conta de outrem: total e por nível de escolaridade completo
Anos Nível de escolaridade
Total Sem nível de escolaridade Básico – 

1º ciclo

Básico – 2º ciclo Básico – 3º ciclo Secundário e pós-secundário Superior
2013 100,0 1,2 13,3 13,8 22,4 25,7 23,6
2023 100,0 0,5 6,3 8,9 18,2 33,0 33,1

 

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Portugal é o país da UE que tem maior proporção de patrões (trabalhadores por conta própria como empregadores – TPC), sem instrução ou com o ensino básico. Quase metade (44%) dos TPC como empregadores têm no máximo, até ao 9º ano de escolaridade. No entanto este valor melhorou – há 10 anos eram 60%. 

Portugal é dos países com menor percentagem de mulheres a trabalhar em part-time, e o 3º. país europeu com mais contratos a prazo

Portugal é o 10.º país dos 27 da União Europeia com menor proporção de trabalhadores a tempo parcial – apenas 8 em cada 100 trabalhadores se encontram em regime part-time.

Olhando apenas para as mulheres portuguesas que estão empregadas, apenas 1 em cada 10 o faz a tempo parcial. É o 9.º país da UE27 com menor percentagem de mulheres empregadas em part-time. Nos Países Baixos e na Áustria mais de metade das mulheres empregadas trabalham neste regime. 

 

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Em Portugal, 1 em cada 6 trabalhadores tem contrato a prazo, rácio que se tem mantido quase sem alteração nos últimos 20 anos. É o 3º. país europeu com mais contratos a prazo – do total de trabalhadores, em Portugal, 17,4% estão com contrato a prazo, um valor acima da média na UE27, que é de 13,4%. Com maior percentagem estão a Sérvia e os Países Baixos, que lideram a tabela. 

 

Salários

A) tanto o ordenado mínimo como o ordenado médio português estão entre os 10 mais baixos da UE

O salário médio anual por trabalhador, em Portugal era o 10º mais baixo dos países da UE, em 2022. Abaixo de Portugal estão os países de Leste, a Croácia e Grécia. Na União Europeia, os salários nos 10 países de topo são, pelo menos, duas vezes superiores aos dos 10 países da cauda (onde se inclui Portugal).

Quando se tem em conta o custo de vida, Portugal desce 5 posições e passa a ser o 5.º país com salário médio mais baixo. Abaixo de Portugal estão a Eslováquia, a Grécia, a Hungria e a Bulgária. A nossa vizinha Espanha pratica salários que são, em média, 1/3 mais elevados.

 

Países Salário anual (ajustado a ETI) (em euros) – 2022 Comparação com Portugal em paridade de poder de compra
União Europeia 35.329
Luxemburgo 75.409 2,38
Dinamarca 65.666 2,03
Bélgica 52.466 1,93
Irlanda 51.869 1,80
Áustria 50.849 1,86
Suécia 46.453 1,51
Alemanha 46.271 1,70
Finlândia 46.238 1,53
França 41.962 1,59
Itália 31.459 1,35
Eslovénia 30.409 1,48
Espanha 30.267 1,34
Malta 29.088 1,34
Lituânia 24.284 1,33
Chipre 23.129 1,04
Estónia 22.933 1,05
Portugal 20.483 1,00
Chéquia 20.434 1,04
Letónia 20.268 1,04
Croácia 17.818 1,09
Eslováquia 17.359 0,90
Grécia 16.661 0,84
Polónia 16.169 1,08
Roménia 14.064 1,03
Hungria 13.705 0,87
Bulgária 11.850 0,81

 

Também o salário mínimo português, quando considerado em paridade de poder de compra, está entre os 10 mais baixos dos 22 países da união europeia com salário mínimo. Em 20 anos, Portugal foi ultrapassado pela Polónia, Lituânia e Roménia no que diz respeito ao salário mínimo nacional (SMN).

O SMN é 26% mais baixo do que em Espanha, menos 47% do que em França e apenas 5% acima do SMN grego (em PPC).

 

O ordenado médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem, em Portugal, incluindo horas extra, subsídios de férias e Natal ou prémios, foi de 1.368€. O salário mínimo nacional está cada vez mais próximo do ordenado médio. Em 2002, o salário mínimo correspondia a 43% do ganho médio e em 2022 esta percentagem já tinha subido para 52%.

Salário mínimo geral Ordenado médio
2002 348 817,4
2022 705 1368

 

B) agricultura e pescas, e alojamento e restauração são os sectores onde se ganha menos

Das atividades económicas com mais de 75 mil trabalhadores por conta de outrem (TCO), o salário médio dos trabalhadores do sector da Agricultura e Pescas está entre os mais baixos. É de 916€, menos 25% do que o dos TCO em geral. São menos 227€ por mês. Só no sector do Alojamento e Restauração se ganha menos (873€). Neste universo, o sector das Atividades financeiras e de seguros é aquele em que o salário médio é mais elevado. 

Tabela: Remuneração base média mensal dos trabalhadores por conta de outrem: total e por setor de atividade económica 2022
Sector Remuneração base média mensal Nº de trabalhadores
Alojamento, restauração e similares 872,7 € 274.818
Agricultura, produção animal, caça, silvicultura e pesca 916,2 € 79.227
Construção 973,2 € 275.401
Saúde e ação social 1 004,8 € 307.223
Administração pública, defesa e segurança social obrigatória 1 035,5 € 314.412
Comércio por grosso e a retalho, reparação de veículos automóveis e motociclos 1 075,6 € 602.605
Indústrias transformadoras 1 095,2 € 666.177
Transportes e armazenagem 1 184,2 € 156.115
Indústrias extrativas 1 221,1 € 9.013
Educação 1 348,7 € 61.320
Atividades financeiras e de seguros 1 705,2 € 80.505
Eletricidade, gás e água 2 243,1 € 6.612
Organismos internacionais e outras institutições extraterritoriais 3 156,8 € 125
Remuneração base média mensal 1 143,4 € 3.315.619

 

Portugal e as metas europeias nos indicadores de mercado de trabalho

Entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que a União Europeia adotou como metas até 2030, o n.º 8 reconhece a importância de elevados níveis de produtividade económica para a criação de empregos de qualidade bem remunerados, apela à criação de oportunidades de pleno emprego e de trabalho digno para todos, bem como à promoção de direitos laborais e de ambientes de trabalho seguros.

Aqui, incluem-se indicadores como os acidentes de trabalho mortais, valor em que Portugal ocupa a 13.ª posição dos países da UE e que diminuiu para metade em 10 anos, situando-se agora nos 2 acidentes de trabalho por 100 mil empregados. 

Também aqui se inclui a meta de, até 2030, pelo menos 78% da população entre os 20 e os 64 anos estar empregada, meta já atingida por Portugal, que com um valor de 78,2% está acima da média da UE27 (75%).

Outra meta europeia, na área do mercado de trabalho, prende-se com os chamados jovens “nem-nem”, que não estudam nem trabalham. O objetivo é que a percentagem de jovens entre os 15 e os 29 anos, nestas condições, seja no máximo de 9%. O nosso país já atingiu esta meta, registando um valor de 8,9% em 2023. Os países com mais jovens que não estudam nem trabalham são a Roménia (19,3%), a Itália (16,1%) e a Grécia (15,9%).

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