Público da AMIR ao rubro com os CONTRAPONTO

Contraponto na AMIR

Fecho de Mês a chave de ouro!

No passado sábado a Associação Moledense de Instrução e Recreio assinalou o mês de Outubro – que mundialmente é dedicado à música – com os Contraponto a actuar numa sala repleta.

Fotos: António Garrido

Não podia ser de outra forma e o espectáculo iniciava com um aviso sério, mas em tom simpático, que se deveriam desligar todos os aparelhos desde os telemóveis passando pelos frigoríficos…  O som era mote da noite e os Contraponto sendo um coro de capela não faltaram com uma única nota musical, numa actuação brilhante e com temas como os dos filmes «Rei Leão», do emblemático filme «Grease» mas também sob  toque também do Zeca Afonso, entre outros temas.

A assistência esteve ao rubro com a actuação e, entre os aplausos, bravos e acompanhamento com palmas, nada faltou naquela que foi a primeira actuação dos Contraponto no concelho de Caminha, concretamente em Moledo.

GOSTA DESTE CONTEÚDO?

Podemos dizer que este grupo é mais uma prova da genialidade que existe no distrito de Viana do Castelo. Estamos perante um grupo de 17 amigos que no gosto pela música e profissionalismo com que actuam, são já uma referência a nível nacional. Prova disso mesmo são as actuações nas salas mais emblemáticas do Norte e como já uma legião os acompanha no Youtube onde, só um videoclip e apenas em 1 mês alcançou as 280 mil visualizações.

Um CD vem a caminho e a música portuguesa será presença.

O Minho Digital esteve neste espectáculo da AMIR e conheceu mais um pouco dos Contraponto.

Minho Digital (MD) – Os Contraponto quando surgem é por vontade destes 17 elementos?

Os Contraponto surgiram por vontade de um grupo de amigos que se conheceu na Academia de Música de Viana do Castelo. Não éramos estes 17 que estão agora, havia outros que entretanto seguiram outro caminho por outros locais. Foram entrando novos elementos, mas todos passamos pela mesma Academia de Música, à excepção da Beatboxer que nos foi apresentada pelo nosso professor de música.

MD – Quem vos rege no campo musical? Vocês continuam na Academia de Música de Viana do Castelo?

Nós já não somos alunos da academia, mas é certo que alguns de nós ainda participam no Coro da Academia. Neste momento, ninguém está a estudar música à excepção da Rafaela Alves. Nos Contraponto existe uma mistura de pessoas com muita experiência musical, outros profissionais e outros nem tanto, mas acima de tudo o que nos une é o facto de sermos amigos e com alguma sensibilidade e, mais importante, cantamos juntos há muitos anos. Isto é que faz diferença no nosso grupo.

MD – Há quantos anos cantam juntos?

Desde o 1º grau da academia, há cerca de 6 a 8 anos. Já caminham para uns 10 anos, entre a maior parte de nós.

MD – E quem faz a vossa selecção musical?

Sim… a selecção musical, mas também o conceito de espectáculo ou dos videoclips que lançamos, tudo isso é decidido democraticamente no seio do grupo. Existem ideias e nós comunicamos através de um grupo de internet fechado, pois somente estamos juntos uma vez por semana, pois cada um tem o seu trabalho. É assim que nós tomamos as nossas decisões. Com as ideias fazemos uma tabela e cada um vai votando e todos aceitamos a decisão da maioria.

MD – Podemos dizer que o ano de 2015 foi o «boom» dos Contraponto?

Não digo que tenha sido o ano de 2015… Nós lançamos há pouco tempo um medley do «Rei Leão» na internet que foi um sucesso inesperado. Não pensávamos que fosse chegar a um grupo tão alargado, porque as crianças de hoje em dia não vêem tanto este filme como a nossa geração via. O impacto que esperávamos era geracional, mas o facto é que isso não aconteceu e o feedback foi muito positivo no número de visualizações que o videoclip teve.

O ano que foi o sucesso dos Contraponto foi quando saímos da toca, ou seja, em 2012 quando lançámos o medley dos Coldplay. Nós não éramos conhecidos e ninguém conhecia o nosso trabalho e fizemos o videoclip um pouco para os nossos amigos. Não tinhamos nenhum propósito de conseguir concertos com isso ou de ter algum reconhecimento. O facto é que isso aconteceu e nesse momento foi um risco porque tivemos de correr atrás do sucesso. Não estávamos preparados para fazer concertos e estávamos uma vez por ano em palco com o nosso concerto de Natal. Tivemos de nos preparar para estar em cima do palco, saber estar nele, ter reportório para cantar – e esse é que foi o nosso risco!

No caso do «Rei Leão» já foi algo mais calculado e mais preparado. No decorrer do ano de 2014 fizemos concertos por salas emblemáticas do Norte do país. Queríamos mesmo lançar um videoclip que nos trouxesse concertos que é o que nós mais gostamos de fazer hoje em dia. Antes gostávamos de cantar juntos, e hoje gostamos de fazer concertos e ter a recepção do público como tivemos hoje aqui na AMIR.

MD – Só falam em videoclip. Os Contraponto não desejam a gravação de um CD?

É algo que tem sido falado e que nos tem sido pedido e tal é bom sinal. Nós estamos a pensar fazê-lo. Neste momento, preparamos a selecção musical e fazer os arranjos dos mesmos. Estamos neste processo criativo. Não podemos adiantar ainda uma data de lançamento, mas queríamos muito que ainda acontecesse no ano de 2016 . Este é um trabalho muito minucioso, pois temos de fazer com as vozes os instrumentos que existem.

 MD – Na vossa opinião, qual é a razão do sucesso?

Se pesquisarmos bem o nosso trabalho, não é uma coisa nova. Em Portugal já se fez e faz há alguns anos. Se calhar os projectos que existiram eram algo diferentes do nosso. Lembro os ‘Vozes na Rádio’ e os ‘Tetvocal’. Qual é a diferença? É um coro masculino apenas e direccionavam-se para um mercado menos abrangente.

Nós fazemos as músicas que gostamos, como as que consideramos que as pessoas gostam. Ou seja, abrimos muito o leque para que possamos abranger um maior número. O que as pessoas não têm por costume ver, é jovens como nós a fazer trabalhos destes. A nossa média de idades anda por volta dos 25 e 26 anos. Nós não somos profissionais, temos os nossos trabalhos e outros estudam.  Somente três é que vivem da música. Talvez esse sucesso tenha a ver com esses pontos que nos diferenciam dos outros trabalhos que já existiram.

MD – Por onde vão andar os Contraponto?

Nós temos algumas actividades em Novembro, são praticamente participações públicas ou em eventos privados, pois também fazemos casamentos, reuniões ou congressos. Neste momento, temos um reportório que nos permite adaptar a variadíssimos eventos. Em Dezembro, temos já três concertos agendados. Um no dia 19 de Dezembro é a apresentação do nosso novo reportório, pois todos os anos o modificamos quer na selecção musical como no conceito de espectáculo que apresentamos com vídeo e luzes. E podemos adiantar que este vai ter um reportório com 95% com música portuguesa. Já no dia 26 vamos encerrar o festival que está a ser desenvolvido pelos concelhos de Viana do Castelo que se realizará no auditório da Caixa de Crédito Agrícola. Por sua vez, no dia 27 de Dezembro estaremos em Estarreja, fazendo uma parceria com os coros da localidade.

MD – Foi a 1ª vez que actuaram no concelho de Caminha. Que representou para vocês esta actuação esta noite na AMIR?

Nós já fomos actuar a alguns teatros importantes, como Braga ou Porto. Mas, havia dois locais onde ainda não tínhamos conseguido actuar e que queríamos muito: Caminha e Ponte de Lima. Hoje e com a direcção da AMIR – e desde já o nosso obrigado – conseguimos um dos nossos objectivos com esta actuação em Moledo. Um agradecimento, também, às pessoas que encheram esta sala e que não estávamos à espera. Nós temos o feedback do público no número de visualizações no nosso canal do Youtube, mas estar em casa é muito bom. Por vezes  diz-se que santos da casa não fazem milagres´’, mas talvez nós façamos um pouquinho… (sorrisos)

MD – Todos são jovens. E viver da música em Portugal vale a pena apostar na música?

Existem questões que são importantes: se vale a pena apostar na música como realização pessoa? Sim… seja em Portugal ou na China. Porque a recompensa para quem vive da música a nível pessoal ou psicológico, ou como quiserem chamar, é um pouquinho melhor do que nos outros trabalhos.

Por vezes, não é preciso ganhar muito dinheiro para se ser feliz com a arte. É diferente e o reconhecimento também. Se vale a pena apostar em Portugal? É difícil, sabemos que o mercado da música no nosso país é algo complicado. O que temos de fazer para conseguir singrar em Portugal? Se calhar, fazer um espectáculo diferenciador ou algo de novo. O português tem um pouco a tendência de copiar o que já está feito, isto não quer dizer que os Contraponto são inovadores nesse género mas, provavelmente, existe um défice de grupos à capela no nosso país. Se neste momento quisermos fazer um festival de grupos como o nosso seria complicado,pois é uma área que não está muito explorada em Portugal. Por outro lado, pelo reconhecimento que temos tido sim vale a pena apostar na música.

MD – Sendo os Contraponto um coro de vozes e para que isto funcione na perfeição que conjugação tem de existir entre o grupo?

Algo muito importante é cantar com os ouvidos. Que quero eu dizer? Nós estamos a cantar, mas o nosso ouvido não tem de ouvir a nossa voz, mas sim a dos outros. Nós não temos nenhum ponto de apoio a nível musical, afinamos um pelos outros. Logo, se um está desafinado, o outro vai afinar por ele e vice-versa. E isto tanto pode correr bem como uma catástrofe. E também já nos aconteceu!…

A nível técnico não é nada fácil de conseguir. Necessitamos ouvir-nos na perfeição uns aos outros. Mas, também, quando estamos numa sala com boa acústica e proporciona-nos bem-estar em cima do palco, tudo corre bem. Quando assim não é, fazemos o melhor que conseguimos.

Apresentamos os Contraponto. Elemento a elemento…

Sopranos: Ana Filipa Silva, Diana Gomes, Maria João Amorim, Rafaela Alves

Contraltos: Ana Catarina Paula, Diana Leitão, Margarida Teixeira, Rita Passos

Tenores: Duarte Leitão, João Terleira, Nuno Gaião, Pedro Alves, Ricardo Fernandes

Baixos: Fernando Correia, Pedro Fonte, Pedro Miranda

Percussão vocal/Beatboxer: Ana Beatriz Silva.

Conheça mais dos Contraponto em

https://www.youtube.com/watch?v=s4NxPM27WnU

https://www.youtube.com/watch?v=YTovcuCpqrg

 

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Nuvem do Minho
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