Editorial

Quando o Estado conta com a prevaricação para se pagar a si mesmo

Dina Ferreira

Dina Ferreira

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Dina Ferreira

dina.matosferreira@gmail.com

Há 13 milhões de euros inscritos em orçamento de Estado para 2023 que resultam das multas de velocidade por aplicação de novos radares.

O tempo verbal que se utiliza é o futuro e não o condicional: baseia-se na certeza da prevaricação, de que fica a depender a financiação do Estado. É o mesmo que dizer com regozijo: “Em 2023 vamos chumbar mais alunos, porque vamos investir em meios para acabar com o copianço”.

Diz assim o texto: “O investimento em sistemas de tecnologia de informação e comunicação previsto para o ano de 2023 levará a um aumento de receita bastante significativo, essencialmente por via da expansão da rede nacional de fiscalização automática de velocidade (SINCRO), que terá um impacto na receita que rondará os 13 milhões de euros”.

Lembre-se que, em 2021, a carga fiscal sobre o trabalhador solteiro médio aumentou 4,5 pontos percentuais em Portugal, de 37,3% para 41,8%, enquanto na OCDE diminuiu 1,6 pontos percentuais, de 36,2% para 34,6%. E já sabemos que este ano de 2022 vai atingir o record, sobretudo por via do IVA, à boleia da inflação, a favor dos cofres do Estado e espoliando os cidadãos.

A opressão que todos vamos sentindo é real e não imaginária. Para além dos impostos há as multas e as famosas taxas, que ascendem, em Portugal, ao obsceno número de 4.300! Sem contar com portagens e scuts (no norte de Portugal, em 60 km há quatro apitos, registando as respetivas invasões à propriedade).

Agora preparem-se os portugueses: as pessoas que maioritariamente Portugal elegeu para as governar estão a contar que sejamos incautos para pagarem os seus próprios salários (ou as TAPs, ou a banca falida, ou todas as más gestões, ou todas as ineficiências). Convém lembrar que as ditas pessoas estão amplamente legitimadas para toda esta desvergonha e o mínimo que podemos fazer é mostrar-lhes que não nos podem tomar por parvos.

No caminho, sobra ainda tempo para sermos cidadãos mais atentos, para um Portugal mais respirável.

dina.matosferreira@gmail.com
Dina Matos Ferreira

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