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«Gostava de ir ao Mundial com a ‘camisola’ de Viana e Portugal», confessa o campeão Henrique Correia

Dedicação e esforço, mas aliados à estratégia e auto-estima – e assim se faz um campeão!

Henrique Correia é vianense e um verdadeiro campeão na modalidade de Pool. Para onde vai, leva atrás de si o nome de uma cidade, de uma região, de Portugal! O seu nome é reconhecido nacional e internacionalmente e já conseguiu apurar-se para os campeonatos mundiais a realizar no Qatar. Mas, nem tudo são facilidades…

Este atleta neste momento receia que não possa ir mais longe e pela única razão de faltar apoio financeiro.

E é com alegria que diz ser um vianense de gema, mas quando compete ao reconhecimento na sua terra do coração, fica algo a desejar!…

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A pergunta impõe-se: como é que a Câmara Municipal de Viana do Castelo, tendo em Henrique Correia uma mais-valia como embaixador e campeão, pode ficar indiferente?  Mas, a esperança ainda vive.

Minho Digital conversou com Henrique Correia e ficamos a saber do seu orgulho, mas também das suas tristezas…

GOSTA DESTE CONTEÚDO?

Minho Digital (MD) – Quando iniciou nesta modalidade?

Iniciei as minhas competições na Federação Portuguesa de Bilhar aos 29 anos.

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MD – E porquê a escolha desta modalidade?

Escolhi esta modalidade por englobar aspetos tecnico-táticos muito interessantes. É um desporto muito difícil, com uma componente psicológica muito elevada às quais se alia uma estratégia imprescindível para a resolução de certos jogos. Eu já jogava xadrez desde os 8 anos de idade e acabei por encontrar muitas coisas em comum entre ambas as modalidades.

MD – Neste momento, é atleta do Sport Lisboa e Benfica. Como chegou  a este clube?

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Cheguei ao Sport Lisboa e Benfica depois de ter já jogado por vários clubes nacionais e, obviamente,  por ter alcançado resultados relevantes que atraíram as atenções desta grande instituição. Sou Benfiquista moderado, sem fanatismos, e respeito todas as outras instituições desportivas. Para mim é um privilégio jogar aqui e conquistar títulos nacionais e internacionais que enriquecem o palmarés deste enorme clube.

Naturalmente que me ficou, fica e ficará sempre no meu coração o meu querido Viana Taurino Clube que me abriu as portas para este desporto e me ajudou a dar os primeiros passos com excelentes condições. Bem hajam os seus dirigentes e apoiantes que me influenciaram de forma positiva nesta caminhada de 20 anos de modalidade.

MD – Quer explicar aos leitores em que consiste esta modalidade?

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O Pool, basicamente,  é a variante do Bilhar com mais atletas a nível mundial.  Habitualmente, nós estamos habituados a ver uma forma mais portuguesa desta variante nos salões e cafés. Aí, encontramos o Pool Português que acaba por ser uma variante nacional. O Pool tem muitas variantes que o tornam extremamente variado e atractivo . Temos o Bola 8, o Bola 9, o Bola 10, o Straight Pool e o One Pocket. A nível nacional jogamos oficialmente nas três primeiras classes, variantes estas onde os atletas lutam pelos respectivos titulos nacionais. Se os nossos leitores forem ao site “fpbilhar.pt”, poderão encontrar não só as respectivas regras de jogo, como toda a informação nacional deste desporto.

MD – Que características deve ter um jogador de pool ?

Um bom jogador de pool necessita ter uma boa técnica mas, acima de tudo uma parte psicológica equilibrada, ponderada e de elevada concentração. Necessita também de uma grande auto-estima e muita vontade de vencer, acreditando nas suas potencialidades e conseguindo lidar com o seu principal adversário, ou seja, ele mesmo.

MD – É um desporto dispendioso?

O Pool não é um desporto dispendioso porque depois de feito o investimento inicial – que deve ser ponderado e ajustado às capacidades de cada um -,  não requer investimentos avultados, apenas sim numa boa gestão das deslocações, estadias e alimentação. O material de Pool é acessível a partir do momento em que o atleta escolhe um taco eficaz e bom,  e não um de elevada beleza, com materiais caros que, de forma alguma, contribuem para um melhor desempenho desportivo.

MD – Recentemente, Henrique Correia conquistou 3 Medalhas de Ouro nos Europeus Seniores.  Que significa para si esta conquista?

Ser medalhado de Ouro pelo nosso país é o auge da nossa carreira que depois se vê reflectida na Gala do Desporto organizada pela Confederação do Desporto Nacional aquando da atribuição do Galardão de Mérito Desportivo que, para mim, é o objectivo final como desportista.

Já fui medalhado de Ouro 11 vezes e galardoado 9 vezes com aquele galardão e, realmente, significa tudo para mim como prova de toda a minha entrega e do esforço e sacrifício. Cada final que jogo, só penso nesse momento e isso dá-me motivação extra para querer mais e melhor.

MD – Neste momento quais são os objectivos do Henrique Correia?

Os objectivos que tenho para a temporada 2015/16 são as de conquistar o máximo de títulos possíveis tanto a nível individual e colectivo,  tanto no panorama nacional como internacional.

Só entro em competição para ganhar, por forma a orgulhar os que gostam de mim e que me amam de verdade. Quando assim deixar de ser, arrumo os tacos e dedico-me só a leccionar o Pool.

MD – E para si existem ídolos?

Os meus ídolos no Pool são o filipino Efren Reis e o holandês Neils Feijen. Cada um no seu estilo tem o talento e a vontade de serem os melhores. Admiro-os por tudo o que  conquistaram e pela forma categórica com que se impuseram nesta modalidade.

MD – Uma nova conquista é a presença no Qatar. O que significa para si?

Estar directamente classificado para os 128 jogadores mundiais que compõem o quadro final dos Mundiais de Pool só foi possível depois de me tornar Campeão Europeu de Bola 9 e Bola 10 na categoria de seniores.

Em Outubro de 2016 (já confirmado) serão os Mundiais de Bola 9 a realizarem-se no Qatar. Ainda por confirmar estão os Mundiais de Bola 10 que este ano se realizaram nas Filipinas.

Para eu poder participar nestas provas a nível mundial que é definitivamente o auge de qualquer atleta, são precisas verbas para cada Mundial que rondam os 3.000€. A Federação contribui com uma parte, mas infelizmente os clubes de Pool não têm nenhuma verba disponível para o efeito. Sendo assim, sem patrocinadores torna-se praticamente impossível participar. Adorava ter patrocinadores de Viana do Castelo pois é a minha cidade do coração e a qual eu tenho extremo orgulho em divulgar nas minhas viagens.  Não está nada fácil este apoio que necessito. Tenho tido a simpatia das pessoas, que muito aprecio mas que, na realidade, não tem resolvido o meu problema. Acho, sinceramente, que está mais do que na hora de a Câmara Municipal de Viana do Castelo reconhecer os meus feitos desportivos. Medalhas de platina não há, por isso é-me quase impossível  fazer ir mais longe para orgulhar ainda mais a minha cidade.

MD – Quais são os seus objectivos para os mundiais do Qatar?

Os meus objectivos nos Mundiais são de chegar ao quadro final em K.O directo de 64 jogadores. Quando aí se chega, tudo pode acontecer! E quem acredita sempre alcança, não é verdade?!

MD- O que aconselharia aos jovens?

Aos jovens eu diria que dificilmente conseguem encontrar um desporto tão completo e competitivo como o Pool. Ajuda-os a serem melhores pessoas, mais concentradas, mais objectivas, mais determinadas e educadas e que eleva a auto-estima ao seu máximo realçando as verdadeiras capacidades de cada individuo.

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