Quo vadis Lusitania?

Mais um património a cair em ruína: a antiga alfândega no Posto Fiscal fronteiriço de São Gregório, Concelho de Melgaço, Alto Minho.

A destruição ou inexistência de conservação do nosso património que faz parte da História deste país está em constante e acelerada ruina! É um crime deixar desmoronar-se, por incúria, um valioso património com inegável valor histórico pelo que simboliza.

Existem em Portugal mais de 2 milhões de prédios públicos e privados em ruína. E, nenhum grupo parlamentar alerta, para tal estado calamitoso? Afinal, qual é a utilidade haver 230 deputados na Assembleia da República?

Os deputados, apenas se interessam pelo tacho, ou seja pelos chorudos ordenados num país pobre e sobretudo, num país em estado de pedinte?

Mas porquê nenhum deputado do distrito de Viana do Castelo denuncia o enorme descalabro nacional quanto à desvalorização do património público?

GOSTA DESTE CONTEÚDO?

O posto fronteiriço em São Gregório, encontra-se no lugar mais setentrional de Portugal, porém, está a cair em ruina por abandono total, tanto das entidades nacionais, distrital ou municipal.

Ao fundo da estrada em 2° plano, o antigo Posto Fiscal de S. Gregório no Alto Minho

 

As imagens aqui juntas, falam por si e mostram a verdade, que ninguém quer ver!

 Neste posto fronteiriço, muitas centenas de milhares de portugueses tiveram de mostrar o passaporte para poderem transpor a linha fronteiriça e terem a possibilidade de ir ganhar a vida em terras de França e por essa Europa fora.

No posto fiscal e alfandegário, os aduaneiros da época gostavam que cada emigrante ao ser revistado, introduzisse notas de 50 escudos no meio do passaporte, pois notas de 20 escudos não eram o suficiente para deixarem seus compatriotas transportar alguns quilos de presunto, chouriças, , bacalhau, vinho do Porto …

Por mais incrível que pareça, a vizinhança em redor da alfândega e freguesias circunvizinhas emigrou em peso. 

Houve anos em que eram mais os fiscais a residir nos prédios fronteiriços do Estado do que os habitantes nos arredores destas terras Alto Minhotas.

Durante as construções do aglomerado fronteiriço de prédios do Estado, muitos operários e lavradores da vizinhança trabalharam e transportaram o porpianho e outros materiais em carros de parelhas de bois. Mais tarde todos esses trabalhadores acabariam por emigrar.

Um vizinho que transportou com o seu carro de bois pedra em porpianho para a construção da dita alfândega viu,  anos mais tarde,  o seu filho pernoitar 24 horas no calabouço por tentar emigrar clandestino para França. Estávamos no início dos anos 60 do século passado. 

Esta alfândega foi construída com arquitectura de estilo à Estado Novo, em meados dos anos 40. Portanto, a construção data de há pouco mais de 65 anos. 

Quanto a todo aquele espaço de património abandonado e à deriva no tempo, será que não haverá sequer  uma entidade pública para, de boa forma, colocar todo aquele património à disposição de uma eventual compra da parte de um filho da terra, emigrante ou não?

O abandono é total, até na sinalética. Mais abaixo, em Cevide, nem existe uma correta indicação para se chegar ao local. O turista ou amigo da natureza tem dificuldade em alcançar o lugarejo mais extremo da nossa lusitanidade.

Por outro lado, no limite fronteiriço, um cidadão espanhol decidiu comprar uma guarita do Estado português em ruina, assim como a área de terreno envolvente simplesmente abandonado. Trabalhos concluídos, o “nuestro hermano” transformou o local num ponto turístico, bonito e agradável para quem nos visita. 

Imaginemos que, com o preço de apenas um carro topo de gama adquirido atualmente pelos governantes em Lisboa, seria o suficiente para renovar o tejadilho e parte do essencial no interior, em todos estes prédios ao abandono e, em vias de ruir!

Oh, meu Portugal: que filhos tens?!!!

Posto fronteiriço em S. Gregório, Concelho de Melgaço, Alto Minho

Claustro

Entrada

Aqui, mostravamos os passaportes

Que vergonha!

Poucas décadas mais tarde, tudo a cair em ruína

Monumental entrada dos dois calabouços

Quantos compatriotas pernoitaram nestes calabouços, apenas para fugirem à miséria ?

Quanta tristeza por aqui entrou?

Aqui ficavam ‘alojados’ dias e as noites, por vezes ao frio

Só visto!

A balança no seu estado lamentável

Tristes imagens de Portugal

Quem nos acode?

Comparando o desmazelo deste prédio com a ostentação de um carro de luxo topo de gama dos governantes em Lisboa …

Comparando com outras mordomias …

Mais casario abandonado e arvoredo seco, num Portugal pobre,

com mais de 2 milhões de prédios públicos e privados a cair em ruína

Quem acode a este nosso Portugal?

Oh, nossa Lusitanidade!

Que farão os políticos  à pipa de massa´’ de 26 biliões de euros (26.000.000.000)

que Portugal irà receber nestes próximos 5 anos da U. E. ?!

 

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Nuvem do Minho
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