Editorial

Sangue Novo 
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Damião Cunha Velho

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A vida é como um aquário.

De vez em quando, temos de acrescentar coisas novas à nossa vida. Novos livros, novas terras, novas paisagens, novas pessoas. Novas vivências, novos mundos – mundividências.

Precisamos de renovar o ar que respiramos para não morrermos asfixiados. Basta deixar uma porta aberta e permitir que o ar entre.

Sem resistências patológicas ou preconceitos.

Nunca fechados, sempre disponíveis, sempre aprendentes.

O novo ar vai dar vida ao que já existe, vai dar vida à Vida. Renova-o sem o expulsar.

GOSTA DESTE CONTEÚDO?

Este é um ensinamento que a natureza nos dá quando, por exemplo, fazemos um aquário. Compramos um casal de peixes que vive lindamente, se reproduz, e quando damos por ela temos um aquário colorido e cheio de peixes. Cheio de vida.

De repente, quando tudo parece estar a correr bem, os peixes começam a perder o brilho, as cores ficam esbatidas, nadam com esforço, sem sentido ou interesse até que todos morrem. Chama-se “consanguinidade”. Não há variedade genética, as relações, de todo o tipo, dão-se unicamente entre elementos da mesma família e a solução, para evitar que isso aconteça, passa por introduzir novos peixes no aquário.

Na vida dos humanos, seres por natureza sociais, é igual.

As rotinas são importantes para balizarem o nosso campo de jogo, para não sairmos do aquário, para não sairmos para fora da vida. Uma segurança.

No entanto, de vez em quando é preciso trazer novidade às rotinas, para evitar a monotonia.

A rotina é ordem, disciplina. A monotonia é tédio.

É por isso que precisamos de férias, de viagens, de ir ao café ou à biblioteca, de conhecermos outras pessoas, outros lugares.

E daí trazermos essas novas experiências que impedem que as que estão arrumadas definhem, ganhem bolor.

O bolor é um fungo de lugares sombrios que mata lentamente. Tal como as mesmas pessoas, os mesmos sítios, os mesmos de tudo e de sempre se não respirarmos novos ares.

Nem sempre ou quase sempre é imperioso trocar esse baralho de cartas que é a nossa vida. O que é indispensável é baralhar e voltar a dar.

As cartas podem ser muitas coisas, mas têm uma característica e um propósito comum: um novo jogo dentro do grande jogo que é a Vida.

Sangue novo!

 

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