Editorial

Sociedade de advogados

Jorge Melo

Jorge Melo

Consultor de Comunicação
Jorge Melo

Jorge Melo

Consultor de Comunicação

Os nossos governos têm arranjado processos, por tudo e por nada, para entregar a consultoria das decisões às sociedades de advogados.

Bem sabemos que para se concluírem determinadas legislações, os governantes têm que estar devidamente informados. Pensamos que para isso se protegem com um exército de assessores, secretários e consultores que os vão guiando na sua governação.

Agora pergunta-se:

– Porque razão temos ainda a consulta às sociedades de advogados?

– Será que todo esse exército de acompanhantes não são suficientemente competentes para procurarem na lei as soluções mais corretas e adequadas para cada situação?

– Será que existem interesses, desconhecidos do vulgar cidadão, que conduzem todos os últimos governos para esta solução?

A verdade é que este tipo de atitudes desprestigia cada vez mais os políticos e os partidos originando uma abstenção crescente em cada ato eleitoral.

Isto vem a propósito da consulta para resolver o problema da carreira dos enfermeiros especialistas.

Nós gostávamos de ver os senhores médicos especialistas a serem tratados como generalistas, onde é que nós íamos parar! Ou a Senhora Ministra da Saúde passar a receber o ordenado dos secretários que a apoiam!

Em todas as instituições foi inventado um termo que se chama, carreira profissional, mas que por acaso está a ser esquecido pelos últimos governos, dá-lhes jeito económico.

No governo de Sócrates até entendemos a atitude pois era composto por elementos com habilitações forjadas: doutores que não o eram, engenheiros com formação no fim de semana, não é para esquecer… Mas nos seguintes, embora também acontecessem algumas barracas com as habilitações dos elementos dos Governos, pelo menos tinham a experiência anterior que queimou por completo a seriedade dos nossos políticos. Ou será que defendem a apologia da ignorância?

Propositadamente ou não, têm-se esquecido que a qualidade dos serviços depende da qualidade dos trabalhadores e estes só podem ser mais competentes se para isso se especializarem e atualizarem nas instituições preparadas pedagogicamente para esse fim.

Os cursinhos e as formações apressadas não formam profissionais, quando muito, podem dar-lhes alguma atualização ou complementaridade; mas vulgarmente inferior a qualquer “Conferência” promovida por uma instituição do ensino superior.

Depois acontece esta fuga permanente de profissionais competentes para outros países onde são bem tratados, com ordenados muito superiores, respeitados e com uma carreira profissional resultante da sua competência.

Bem dizia o nosso Eça de Queirós:

“Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre.”

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