SOCIALISTAS DE VILA PRAIA DE ÂNCORA QUEREM ‘INDEPENDÊNCIA’ DO CONCELHO DE CAMINHA

Miguel Alves

Quem defende a ‘independência’ são os socialistas da Secção local mas, interpelado por nós para comentar, Miguel Alves, Presidente da Câmara Municipal mas também do PS de Caminha mostrou-se «surpreendido» e afirmou desconhecer essa tomada de posição.

No entanto, Vila Praia de Âncora elevar-se a concelho já é uma questão antiga, uma pretensão desejada quer por determinadas forças políticas, quer pela população.

Num comunicado o PS de Vila Praia de Âncora, assinado agora pelo seu Secretariado na pessoa de Pedro Ribeiro, recorda que «a aspiração de Vila Praia de Âncora a ser Concelho não é uma causa recente, nem se resume ao período pós 25 de Abril. É uma pretensão com mais de um século, consubstanciada em factos que retratam a história de Vila Praia de Âncora e da unidade geográfica/territorial que compõe o Vale do Âncora».

Em 1924, Gontinhães foi elevada à categoria de vila, passando a designar-se Vila Praia de Âncora. «Foi na opinião de alguns, o primeiro passo de emancipação, enquanto para outros, terá sido a solução mitigada para a pretensão de criação do novo Concelho».

A história, porém, remonta ao tempo do Dr. Luís Inocêncio Ramos Pereira que nunca se conformou com esta solução e, enquanto senador da República, «defendeu em Lisboa a necessidade e pertinência do Concelho de Vila Praia de Âncora».

Numa fase mais recente, na década de 80, a população desta freguesia reclamou a pretensão junto da Assembleia da República através de uma petição assinada por 4.524 cidadãos.

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Segundo o Minho Digital (MD) apurou, já no ano de 2003 o Forum Ancorense criou grupos de trabalho pluridisciplinares que ajudassem à fundação de um concelho que integrasse todas as freguesias do vale do rio Âncora. Era um objectivo que a referida instituição já se debatia desde 1991 mas, no entanto, afirmava que «não quer concelho nenhum se os meios financeiros forem afectados às verdadeiras células do poder local que são as freguesias.» E já nesse tempo se garantia que a elevação de Vila Praia de Âncora a concelho significaria um desenvolvimento «exponencial» até porque a vila era já, em termos populacionais «a primeira do concelho e por esta razão, também, se considerava que 30 por cento do orçamento camarário deveria ser investido em Vila Praia de Âncora».

PS de Vila Praia de Âncora quer ‘independência’ de Caminha

Agora o PS de Vila Praia de Âncora assume que sempre esteve no apoio a esta pretensão, mas acusam que «já o PSD era conforme as conveniências subordinadas aos interesses partidários, umas vezes a favor, outras vezes contra».

E porque volta o assunto a ser notícia, pois segundo o comunicado já referido a «Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora, reunida em Setembro de 2015, ao votar desfavoravelmente a adesão à LIFUCO – Liga dos Futuros Concelhos, está a ofender a memória de todos os Ancorenses que, ao longo dos tempos, lutaram democraticamente pela criação de uma nova unidade administrativa concelhia no Vale do Âncora». «Lamentavelmente, tentaram apagar da história a vontade de milhares de Ancorenses que em 1997 disseram “SIM” à criação de um novo Concelho». A proposta, no entanto, foi rejeitada  pela Assembleia da República.

O PS recorda, ainda, que Vila Praia de Âncora foi confrontada com a perda do Agrupamento de Escolas do Vale do Âncora, a tentativa de encerramento do balcão local da Segurança Social, o encerramento da Capitania e da estação da CP na Freguesia mais populosa do concelho de Caminha. Para os socialistas «nada disto teria acontecido se Vila Praia de Âncora fosse Concelho e gerisse o seu próprio destino».

Perante esta situação, o MD quis saber se o Partido Socialista de Vila Praia de Âncora pretendia assumir uma nova fase na conquista da elevação de Vila Praia de Âncora e quais seriam as acções projectadas. No entanto, até ao fecho da nossa edição, não recebemos qualquer esclarecimento.

Por outro lado, o Minho Digital também contactou Miguel Alves, presidente simultâneo da Câmara Municipal  e da Secção do Partido Socialista de Caminha , interrogando se concordaria com a elevação a Vila Praia de Âncora e se tal seria benéfico para o concelho e, depois de se mostrar «surpreendido», dedendeu-se  que «este é um não-assunto. Não tenho nenhum comentário a fazer».

 

PSD diz que o PS está em «desnorte total»

O PSD não tardou em reagir. «O caos instala-se no próprio partido, que vota desfavoravelmente uma proposta/questão  levantada pelos elementos do PS na Assembleia de Freguesia e depois acusa a Junta de Freguesia de o ter feito».

Contrariamente ao referido no comunicado do PS, os sociais-democratas acusam como responsáveis «os deputados do PS na Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora onde levantaram a polémica sobre a possibilidade da  freguesia aderir à Liga dos Futuros Concelhos e, os próprios , votaram contra essa mesma proposta».

E o dito «desnorte»  chega porque « o PS é de tal ordem que, a seguir enviam um comunicado a atacar a Junta de Freguesia pela não adesão à dita Liga. Não conseguimos entender como é possível um partido político escrever contra aquilo que eles próprios votaram, a não ser pela incapacidade de se autogerirem ou de se preocuparem com o que realmente interessa e que são os problemas de Vila Praia de Âncora e do próprio concelho em geral».

O PSD considera, ainda, que estas questões são levantadas porque quando «o PS é poder porque efectivamente deixaram no passado e deixam actualmente a maior freguesia do concelho de Caminha deitada ao desprezo».

Também aqui existem acusações, concretamente remontando há 25 anos atrás «quando o PS no poder tinha uma lixeira a céu aberto em Santo Isidoro. Vila Praia de Âncora era, portanto, o depósito de lixo de todo o concelho».

Numa acção de memória salientam que quando o executivo era liderado pelo PSD existiu «um investimento financeiro de qualidade em Vila Praia de Âncora», e exemplificam com as seguintes obras: saneamento, piscina municipal, jardim de infância de VPA, obras de requalificação do Parque Ramos Pereira,  beneficiação da Rua da Lagarteira, execução da 1ª fase do nó da erva verde, requalificação da Praça da República, beneficiação da Rua 5 de Outubro, Rua do Sol Posto, requalificação  e criação da Ludoteca, requalificação da Escola do Viso cedida ao orfeão de VPA , Rua Cândido dos Reis, requalificação do Centro Coordenador de Transportes transformado numa valência do Município de Caminha, com serviços descentralizados de forma a evitar deslocações , requalificação do Mercado Municipal de Vila Praia de Âncora, requalificação da passagem superior de peões, rotunda da Baralha, rotunda do Paraíso, ecovia da marginal, requalificação dos tanques públicos, actuaram de imediato na requalificação do cordão dunar dos Caldeirões e no investimento de mais de meio milhão de euros para o desassoreamento do Portinho.

«O PSD lança o desafio ao presidente da Câmara ou ao próprio PS para  dizer publicamente quais as obras que já fez em VPA e no concelho» e, em jeito de resposta, refere que poderá ser dito que «que ainda não teve tempo, mas a verdade é que ninguém consegue perspectivar uma ideia, uma estratégia nem um rumo para o concelho, e as únicas obras / acções feitas  já vinham prontas a avançar, deixadas pelo anterior executivo».

A acusação é assumida pelo próprio PSD que alega que «ideias para Caminha os socialistas não têm porque o PS e o presidente da Câmara estão mais preocupados com o que se passa por Lisboa e em atacar o PSD nacional do que em trabalhar para as nossas gentes».

A troca de galhardetes está feita, mas continua a interrogação: passados cerca de 20 anos Vila Praia de Âncora lutará novamente a elevação do concelho? Ou  PS terá dado um ‘tiro no pé’?

 

 

 

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Nuvem do Minho
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