BICADAS DO MEU APARO: Matar, matar, matar

 

 

 

Nesta minha já linda existência, muito poderia escrever porque de tudo vivi na verdade. Nasci em plena II guerra mundial, passei fome no ventre da minha mãe e nasci sem que estivesse previsto. Mas safei-me!

Pelo que, continuando nesses tempos com a segunda etapa da fome, que era nacional, embora os “inteligentes do desenrascanço” não tivessem problemas de estômago, eu limitava-me a roubar as castanhas no campo e a fruta aos agricultores que, por vezes, era, eramos corridos à paulada.

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Manso Preto

O tempo foi passando e nos dias de ida à cidade, podia ver porcos que andavam de bicicleta; cães treinados às ordens do treinador; cobras domesticadas que faziam de cachecol aos cirqueiros e leões que obedeciam aos domadores. Já vi de tudo e fui soldado numa guerra real.

Ouvi muitas histórias resultantes de guerra. Conheço a nossa História, bem como alguma de outros países. Todas as guerras têm o mesmo fim: matar, matar, matar.

Mata-se a qualquer hora do dia e, desde tenra idade, até li histórias de violência de cowboys que se passavam na América e no México. Tudo, absolutamente tudo, era matar.

E se nestes últimos cem anos o mundo continuasse a violentar-se, se a violência continuou e era o pão de muitos povos, outras nações também viviam calmamente.

À parte conflitos pontuais, como a guerrilha contra os países colonizadores, o Mundo foi vivendo pacificamente. O Muro de Berlim caiu, a União Europeia concretizou-se e certas ditaduras caíram como as árvores apodrecidas. Ia-se vivendo, embora se conhecessem certos conflitos, certas políticas ensanguentadas.

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Este século XXI, tem sido o século do caos contra pessoas e bens. Matam-se os homens entre si com tanta facilidade, que até parece – a matança – servir os açougueiros. O mundo habituou-se à violência e desde que o sangue não lhe espirre nas portas e nas janelas, tudo parece normal!

A Rússia de Putin desestabiliza o Mundo: matam-se e matam os outros; os americanos ligados e seguidores de Trump, procuram matar, não directamente, mas matar em câmara lenta através do caos económico (a guerra comercial), todos os povos que se lhe oponham; a China de Jim-Pin, utilizando a manhosice ou a cobardia perante a violência que bem conhece e respira, vai fazendo como Pilatos no tempo de Cristo: lavando as mãos; Israelitas e Palestinianos afogam-se em sangue humano e os milhões de mortos neste século por efeitos de guerra, parece não ter fim. Permita Deus a paz!

Acreditamos que Deus pode dar LUZ aos homens que dirigem as nações. Mas Ele nada pode fazer se, os homens persistirem na guerra, no ódio, na ganância, nos luxos, na inveja, na destruição. O Papa Francisco tem sido incansável em advertir os líderes das nações para o flagelo da guerra e não se cansa de convidar o mundo católico a dirigir-se (com Ele) a Deus, para o fim dos conflitos.

E sendo real que os líderes do mundo parecem perdidos ou deficitários de sólidas resoluções, fala-se na Europa fragilizada, apanhada pelas enxurradas e pelas lamas dos fanáticos ou dos loucos. Fala-se já de um exército europeu, de apetrechamento de armamentos pesados que matam muito e em pouco tempo e que podem até deixar o planeta como um barrote queimado.

Anunciam que a Europa – devido à loucura de Putin – tem de se armar, de se equipar devidamente e de ter um exército próprio capaz de se defender. Quanto custará tal defesa? Bilhões de euros em cada ano que passe e com possibilidades de assíduos aumentos.

Fábricas de armamentos, são necessárias em qualquer canto do planeta. Fábricas de padarias, poderão ficar em último lugar. Matar, sempre! Guerra contra a pobreza, guerra a favor dos que vivem cadeados, guerra à crueldade, guerra contra a ignorância dos instruídos e contra a barbárie dos civilizados, não, porque ninguém enriquece.

Cristo encarnou porque veio responder aos ecos da fome, da injustiça, da ganância, dos gritos dos pobres e dos injustiçados. Mas os homens, ainda não ouviram o apelo, vivem mais confusos, indiferentes aos outros e apenas lutam por barrigas cheias e luxos, mesmo que seja preciso matar, matar, matar.

Como dizia Papini: “A guerra é a bestialidade dos homens. Concretamente daqueles que não têm filhos para mandar prá guerra”. Sim: daqueles rapaces e loucos que não reconhecem aos vivos o direito de matar a fome com pão.

 

(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)

 

 

 

 

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

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