Património Religioso II: Salão Paroquial de S. José

O salão paroquial de S. José, situado na freguesia de Candemil, foi construído de raiz há mais de cinco décadas. É um edifício pertencente à Igreja Católica mas que foi integralmente construído com o dinheiro e a carolice dos candemilenses.

O terreno onde está ( mal) implantado era de um particular que o permutou para o efeito, tendo a Junta de Freguesia de então dado ao dono do terreno, cinco vezes mais do que aquilo que ele deu.

Só que o terreno não ficou na posse da Junta como devia ter ficado, mas reverteu para a igreja.

E foram os candemilenses que, com os seus contributos, dinheiro ou em trabalho, tornaram possível a sua construção.

A iniciativa, louvável a todos os títulos, coube ao padre António que em boa hora tomou as rédeas numa época em que era muito difícil haver apoios e iniciativas.

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Infraestruturas como esta, no concelho, por esse tempo, haveria mais uma ou duas. Foi, por isso, uma lufada de ar fresco que entrou nesta terra, porque era a única infraestrutura com espaço para receber todo o tipo de eventos e aglutinadora.

E continua a ser a única. Ainda não há alternativa.

Porém, o edifício sem acção é algo morto que não serve para nada.

Mas não foi isso que aconteceu. E Candemil deu nas vistas, porque passou a receber grupos de teatro amador e, ao mesmo tempo, criou o seu grupo de teatro que tão bem sucedido foi liderado pela figura incontornável de Maria Júlia Dantas.

Vinham pessoas de todos os lados ver as alegres actuações dos jovens desta maravilhosa terra. São muitos os que ainda se recordam das famosas Comédias.

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Porém, poucos anos passados, o padre regressa à sua terra e as actividades do salão paroquial começam a diminuir, nomeadamente o seu grupo teatral que se extinguiu.

Mas o salão continuou a servir nas suas as mais diversas actividades.

Ali realizaram-se jantares de muitos casamentos, bailes, comícios e até actos eleitorais, ou a primeira Comissão de Recenseamento ou a Ceia dos Maduros, entre tantos outros.

Há uns quinze anos para cá, começou a ser evidente que o salão precisava de obras profundas que fossem muito além de uma de manutenção, como algumas que foram realizadas. A degradação, nunca travada, acelerou a decadência. E o povo começou a inquietar-se com o estado do mesmo.

Os anos de vida, aliados a uma construção periclitante e amadora, fizeram-se sentir.

O salão paroquial é hoje uma ameaça à segurança das pessoas porque está junto a uma rua e que pode ruir a qualquer momento.

O padre, responsável pela paróquia, alegou, há anos, que as obras estavam para breve e que tinha o dinheiro suficiente para as mesmas (?).

Outros dizem que será para demolir e voltar a fazer de novo.

Entretanto, os anos passam e obras nada.

Por tudo isso deixo o alerta para a Junta de Freguesia de Candemil, para a Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira e à Protecção Civil, para que intervenham urgentemente no sentido de avaliarem as condições de segurança e tomarem as devidas medidas cautelares e precauções, atempadamente.

E que no futuro, porque obras deste valor incidirão sobre dinheiros públicos, este edifício seja pertença da freguesia e não fique à mercê dos humores, ou da negligência, dos padres que, por cá vão passando.

Se o edifício fosse público, como devia ser, deixava de haver segredos e todos saberíamos em que pé estão as coisas.

Além disso, a transparência nunca é demais

 

(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor)

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

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