Carlos Enes, conhecido jornalista da TVI, nascido a 24 de Maio de 1973 em Cabinda , Angola (então província ultramarina portuguesa), casado, licenciatura em Jornalismo / Ciências da Comunicação, na Universidade Nova de Lisboa e com algumas cadeiras de Direito da Comunicação na Universidade de Coimbra. Carro?
Não tenho.
Hobby preferido.
Escrever, ouvir música, dizer poesia.
PUBClube desportivo preferido?
Sporting!
Qual o seu maior vício?
Pensar.
PUBE defeito?
Pensar demasiado.
E virtude?
PUBPensar livremente.
Qual a decisão mais importante que tomou na sua vida profissional?
Ler jornais.
Um dia comprei O Independente em Lisboa / Santa Apolónia antes de entrar no Intercidades para Viana. Ao meu lado estava o Pedro Loureiro, fotógrafo do jornal. Disse-me que eu era louco por querer ir trabalhar para lá. Depois, o irresponsável recomendou-me.
De que é que sente mais falta que seja consequência do seu estilo de vida?
Calma, tempo, praticar a doce irresponsabilidade.
Estudar Filosofia, ler mais.
Um sonho…
Ter um dia o sentimento de dever cumprido e poder brindar a isso com aqueles que amo.
Qual o tipo de pessoa que sonha encontrar?
Anjos na Terra. Já encontrei alguns.
O que decide se uma pessoa atraente do sexo oposto o convida para um fim-de-semana excêntrico?
Sinceramente, neste momento só iria com a minha mulher.
Fazia disso segredo, mesmo que não lhe fosse pedido?
Alardear essas coisas teria sido sempre vitupério.
Existe alguma coisa com que sonha, mas não acredita vir a ter?
Não.
Quando foi a última vez que chorou ou dificilmente conteve as lágrimas e qual a razão?
Eu quase só choro por dentro. Não devo partilhar quando.
Com que se emociona? Como foi da última vez?
Emociono-me quando sinto alguém voltar a acreditar. Há uma semana, com um anjo na Terra de 94 anos, que se comprometeu a convidar-me para a festa dos 100.
O que gostaria de saber sobre o seu futuro?
Nada. Acredito em surpresas, mais do que na minha imaginação.
Qual o melhor livro que leu?
República, de Platão. Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. As escolhas variam ao longo do tempo. Sou Gémeos, no mínimo têm de ser aos pares.
Qual o melhor filme que viu?
Caro Diário, Nanni Moretti. Há dias, quando soube que ele adoeceu, senti claramente que, para ser coerente, filmes consigo escolher um.
Qual a música que mais o marcou?
Call of the Wild, David Byrne; Lusitana, Fausto Bordalo Dias; This Must be the Place, Talking Heads; Um Índio, Caetano Veloso; Não Quero que Vás à Monda, Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra de Córdoba; Abencadan, Nortada; My Back Pages, Keith Jarrett Trio;
A minha lista muda todas as horas, alterou-se a si própria durante a resposta a este inquérito. Sou uma jukebox, deveria pôr aqui 100 canções e apagar as outras respostas todas. Seria mais interessante.
Qual a sua mais recente ‘boa ação’?
Atender o telefone ao marketing dos infernos das empresas de telecomunicações – e conseguir ser gentil até ao fim.
Suportar a correspondência da Autoridade Tributária sem telefonar ao Ministro das Finanças, que respeito e conheço bem, para ajustar contas.
E qual foi o seu mais recente ‘pecado’?
Esquecer-me de alguém, ou de algum facto importante.
Qual o melhor restaurante onde comeu?
Um restaurante particular, em Habana Vieja. O prato chamava-se Moros y Cristanos.
Ocorre-me um golpe de marketing para um restaurante: Messis & Cristianos.
Abri uma petiscaria em Lisboa chamada LOXU, em Santos, estou sempre a inventar coisas para vos levar lá.
Local ideal para viver.
Ainda estou a estudar o assunto. Viana, o Alentejo e Lisboa estão na “final a quatro”, com um outro sítio que ainda espero vir a conhecer.
Como se define?
Tipo 7, instinto social, no eneagrama.
Um tipo à procura, na vida real.
O que é que lhe dá mais prazer?
A superação humana.
O que é que mais o irrita?
A heresia da separação, o egoísmo, as hierarquias estéreis.
Alguma vez foi assediado sexualmente?
Sim, estou vivo.
Qual foi a coisa mais importante que aprendeu na vida?
A pensar com o coração.
O que modificaria em si?
Aprendi, humildemente, e por mais difícil que isso seja, a aceitar-me.
Conte o episódio da última vez em que, atrapalhado(a), não conseguiu conter uma boa gargalhada?
Sinceramente, não me ocorre. Eu não dou gargalhadas de que me arrependa com facilidade, até porque dou poucas.
Como é que se imagina velho?
Melhor do que hoje.
Já alguma vez sentiu medo?
Claro, desde que me recordo de mim – e quase de certeza antes disso.
Quando e como foi a última vez em que o tentaram enganar?
Foi o Rui Costa, na final da Taça de Portugal, mas eu não deixei.
Homem ou mulher que mais admira?
Que eu tenha conhecido, João Almiro.
Qual é o político que mais aprecia a nível regional e nacional?
Não tenho paixões tão grandes. Tenho boa ideia de muitos políticos, de outros não.
E menos (regional e nacional)?
Idem.
Qual o autarca mais competente? E menos?
Não acompanho o suficiente para ter opinião.
Desculpem tantas respostas vagas, mas por deformação profissional repudio especular sobre o que desconheço.
Como qualifica a actuação dos deputados vianenses à Assembleia da República no âmbito geral?
Por culpa minha, não acompanho como deveria. Embora vote em Lisboa, tenho Viana no coração.
Onde estava no ‘25 de Abril‘?
Em Cabinda, com onze meses.
O que mais aprecia no Minho? E o que mais detesta?
Gosto das festas, dos bombos, daquela alegria que o grande Miguel Torga, no seu direito, desprezava.
Preferia menos chuva e mais três ou quatro graus de temperatura média.
Detestar não digo, mas às vezes ainda me irrita um certo espírito de minifúndio e a cultura das aparências. Enfim, creio que temos melhorado nestes aspectos.
Qual foi o político português que mais o marcou nos séculos XX e/ou XXI?
António Arnaut, Ernâni Lopes, Francisco Sá Carneiro, João Semedo, Medina Carreira, Natália Correia. Ou vos dava uma lista assim, ou ficava calado. Gostava que António José Seguro tivesse uma oportunidade.
Qual foi o político estrangeiro que mais o marcou pela positiva? E pela negativa?
Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Pepe Mujica.
Pela negativa, não deixo que me marquem (e tive a felicidade de nascer num país a salvo dos piores facínoras dos séculos XX e XXI).
Em que época da História gostaria de ter vivido?
Na Grécia antiga.
Quem gostaria de convidar para jantar consigo e em que restaurante?
Eu janto regularmente com as pessoas de quem mais gosto.
Com alguns amigos, gostaria de jantar mais vezes.
Tenho boas recordações de mil mesas e vontade de conhecer outras mil.
Quem nunca convidaria para jantar?
Pessoas com fastio, avarentas e indispostas. Todos conhecemos algumas.
Aprendi a não dizer nunca e a dar outra oportunidade às pessoas – e a mim próprio. Por isso, não vou deixar nomes.
Quem mais o desiludiu?
Um ou outro amigo. Faz parte da vida.
E o meu homónimo açoriano, pela co-autoria e cumplicidade no delirante crime de revisão do acordo ortográfico.
De que se arrependeu? Porquê?
Uma lista de coisas infindável.
Na infância, de nunca ter aprendido música.
Na vida profissional, de algumas notícias injustas.
Arrependo-me de todas as vezes em que fui insensível com pessoas que gostavam de mim.
Se pudesse, a quem doaria um milhão de euros?
Ao jornal Página UM, à escola Nova Acrópole e ao Centro de Medicina Integrativa da Dra. Ana Moreira, se qualquer um deles o aceitasse.
Para que percebam o critério, a instituições que fazem a diferença em áreas relevantes para a sociedade, como a informação, o autoconhecimento, a sabedoria e a saúde.
Se fosse jornalista, quem gostaria de entrevistar? Porquê?
Eu sou jornalista. Gostaria de entrevistar o meu cão.
Que conselho nos daria?
Continuem livres, curiosos e inquietos.
(João Vaz, autor da foto)












