Sócrates: a nossa desgraça!

Findas as férias judiciais eis que, de novo, somos diariamente confrontados e massacrados com o julgamento dos 22 crimes de fraude fiscal e de corrupção, de que o ex-primeiro ministro é acusado pela justiça. De fora, foram ficando muitos que, entretanto, prescreveram ao longo destes indecorosos dez anos.

Dez anos é demasiado tempo para se fazer justiça eficaz!.

Sócrates, que não perde um microfone para detratar os juízes, os procuradores ou o Ministério Público, dentro ou fora da sala de audiências, ou a quem quer que seja e que tenha paciência para o ouvir constantemente a torpedear e fazer graves insinuações. É isso, mesmo, que ele pretende: a atenção para que, a sua palavra de menestrel, seja levada e multiplicada, para seu benefício.

Sente-se o maior e nada lhe acontece!

Por outro lado, Sócrates, tudo tem feito para evitar ser julgado e, por este andar, duvido muito que seja. Ora, uma pessoa com a consciência tranquila não devia criar obstáculos artificiais ao processo, no sentido de impedir, com inúmeros, frequentes e sucessivos recursos e impugnações, bem como manobras dilatórias ou embirrar com   quem o vai julgar.

Devia permitir, isso sim, o acelerar do processo, para que o seu bom nome fosse limpo e retirado dos tribunais. Só que o seu bom nome, tais as evidências, não existe, é uma mera ficção.

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

Creio que, seja ou não julgado nos tribunais, a maioria dos portugueses já o julgou.

Ele sabe que, uma mentira, dita muitas vezes, passa a ser verdade. É uma questão de tempo, e tempo, é o que ele mais tem tido.

E não há alternativa a esta vergonhosa cobertura televisiva, porque todos os canais, pelo menos os generalistas, agem todos da mesma forma.

Como é possível que os canais televisivos, lhe deem tanto tempo de antena a um mentiroso militante e a um criminoso? Eu quero ver notícias do meu país real, que as há, e não ver dar tempo de antena a um individuo a mentir e a desferir ataques soezes à magistratura, de forma dura e acutilante e desrespeitosa, sem qualquer freio ou pejo em seu benefício.

É com estas notícias que pretendem elevar o grau da informação? Que erro crasso!

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E Sócrates tem brincado com a Justiça, tem-na humilhado, o que nos leva a pensar – o mais humilde cidadão – que há muitas classes de Justiça.

Pelo que li, levará gastos mais de 400 mil euros em custas judiciais e advogados. São mais de 40 mil euros por ano.

Perante a vida faustosa que lhe conhecemos, pergunto: de onde lhe vêm tantos rendimentos?

Por outro lado, este, foi o mesmo que, enquanto primeiro-ministro 2005/2011, se encarregou de levar Portugal à falência – convém não esquecer este facto! E roubou o país. É que há quem continue ser seus discípulos, a comer muito miolo de enxergão e tente dourar a pílula, com frases como esta: à justiça o que é da justiça!…

Sim, concordo que a Justiça tem que fazer o seu caminho, mas não como neste mega-processo que, por ser tão óbvio e dilatório, os portugueses já o condenaram.

Bem sei que muitos socialistas não conseguem engolir o desconforto causado por este camarada. Não são capazes, e terem, um dos seus iluminados, ainda por cima, ex-primeiro-ministro, a contas com a Justiça. Porém, a nódoa não escolhe o pano. Convinha que aclarassem os seus pensamentos definitivamente e deixassem de comentar, favoravelmente, nas entrelinhas.

Criticar, por criticar a Justiça ou fazer insinuações, é o caminho mais fácil, mas é um desprestigio para um Estado de Direito, pelo modus operandi. Nem é isso que está em julgamento. O que eu gostava de ver, e não vejo por parte de quem dirigiu e dirige o PS, era admitir de forma explicita, de assinarem por baixo aquilo que Sócrates diz e faz, ou então demarcarem-se dele, declaradamente, com as linhas que quisessem.

O que se vê, em muitos comentários, é uma espécie de branqueamento meio enviesado, porque engolir o sapo deve ser, para uns quantos, de digestão difícil, ainda por cima quando o arguido não se cala, ameaça tudo e todos…

Contudo acredito que, Sócrates tem beneficiado – e muito! – com o actual estado da Justiça, porque se esta fosse eficaz, célere e igualitária, há muito que o caso estava resolvido.

 

(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor).

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

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4 comentários

  1. O julgamento de José Sócrates na Operação Marquês, expõe um dos maiores processos de corrupção em Portugal, marcado por tensões entre a acusação e a defesa, sucessivas disputas processuais e já com alguns crimes prescritos ; um caso que simboliza tanto a lentidão da justiça como um teste à sua credibilidade.

  2. Dina, é para os portugueses uma vergonha ter um primeiro – ministro declaradamente corrupto.
    Muitos outros políticos,de quadrantes diversos,têm escapado impunemente perante uma justiça que,continua a dar mais valor à albarda e, por esse motivo,não julga o burro.

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