Portas escancaradas, problemas à vista

Os números divulgados na “Pordata”, são claros e não deixam espaço para leituras ingénuas, em apenas sete anos, o número de estrangeiros a viver em Portugal quadruplicou, passando de cerca de 421 mil, em 2017, para mais de 1,5 milhões no final de 2024.

Este crescimento explosivo não aconteceu por acaso. É o resultado direto de uma política de imigração de portas abertas, promovida pelos governos de esquerda que lideraram o país durante os últimos anos, sempre sob o lema de que Portugal seria um “povo acolhedor”, capaz de receber todos sem exceção.

A realidade, porém, mostra-se bem diferente do discurso. Quase 29% dos estrangeiros residentes em Portugal, vivem hoje em situação de pobreza ou exclusão social, quase dez pontos percentuais acima da população portuguesa. Estes dados, não são um ataque aos imigrantes, mas sim, um retrato cruel do falhanço das políticas públicas. Acolher sem planear, receber sem integrar e prometer sem garantir condições dignas, é tudo menos humanismo; é irresponsabilidade.

É importante sublinhar, que a esmagadora maioria dos imigrantes trabalha. Entre os 25 e os 64 anos, mais de 88% estão no mercado de trabalho, uma taxa, até superior à dos portugueses. Este facto, desmonta a narrativa fácil, de que os imigrantes “não querem trabalhar”. Trabalham, sim, muitas vezes em condições precárias, com salários baixos e pouca proteção social, pressionando serviços públicos já saturados e contribuindo para uma concorrência desleal, no mercado laboral, especialmente nos setores menos qualificados.

O problema central, não está nas pessoas que chegam, mas na dimensão e na falta de controlo do fenómeno. Um país, com dificuldades crónicas na habitação, na saúde, na educação e nos transportes não pode continuar a fingir, que consegue absorver, todos os anos, dezenas de milhares de novos residentes, sem consequências. Basta olhar para a crise da habitação, que afeta sobretudo os mais pobres, portugueses e estrangeiros, para perceber que algo está profundamente errado.

Acresce ainda, o facto de uma parte significativa destes estrangeiros, se encontrar em situação administrativa irregular ou à espera de regularização. Um Estado, que não consegue decidir atempadamente quem entra, quem fica e em que condições, perde autoridade e credibilidade. Não é aceitável, que apenas uma percentagem residual, menos de 5%, venha a adquirir a nacionalidade portuguesa, o que demonstra falhas graves nos processos de integração e de acompanhamento.

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Manso Preto

Portugal, sempre foi um país de emigrantes e conhece bem o valor da migração. Mas isso, não significa aceitar uma política de portas escancaradas, sem critérios, sem limites e sem uma estratégia clara. Confundir solidariedade com desorganização é um erro que estamos a pagar caro.

É tempo de dizer, sem receios e sem rótulos ideológicos, que o país precisa de fazer uma pausa. Fechar as portas, não significa virar as costas ao mundo, mas sim recuperar o controlo. Significa, antes de mais, resolver os problemas que temos cá dentro, garantir habitação acessível, salários dignos, serviços públicos funcionais e oportunidades reais para quem aqui vive e trabalha.

Uma política de imigração responsável, deve ser regulada, exigente e humana, mas também realista. Portugal não pode continuar a viver acima das suas capacidades nem a usar discursos moralistas para esconder decisões erradas. Os números estão à vista. Ignorá-los seria continuar a fingir que tudo está bem, quando claramente não está.

 

Vitor Bandeira

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Inspetor-chefe da Polícia Judiciária (aposentado);

Criminologista / Consultor em Prevenção e Segurança.

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