É válido não seguir todas as tendências e, ainda assim, não estar perdida no mundo.
Há quem consiga acompanhar todas as tendências como se fosse um desporto de alta competição: as roupas da estação, os cortes de cabelo que estão “in”, os cabeleireiros que têm hinos de música “ligeira”, o chocolate do Dubai, e os ingredientes da moda que ninguém sabe pronunciar, mas toda a gente jura que fazem bem a tudo, incluindo à pele.
Mas há também quem ande, orgulhosamente, dois passos atrás – ou ao lado – daquilo que está na berra. E não por desleixo, mas por escolha. Porque viver fora de moda pode ser, em si, um sinal de estilo. Um estilo que não precisa de ser aprovado por nenhuma rede social nem validado por listas de “coisas que tens mesmo de ter”.
Podemos, até, tentar acompanhar o ritmo. Mas a verdade é que tudo muda tão depressa que o entusiasmo se esgota mais depressa do que a paciência da maioria das pessoas. Um dia, o chocolate do Dubai é o último grito; no dia seguinte, já ninguém quer saber porque já só se fala numa outra coisa.
E é assim com quase tudo. Desde o tipo de pão que se deve comer até à maneira certa de decorar a casa ou de organizar a despensa. Está tudo em constante mutação, como se existisse uma comissão parlamentar invisível encarregue de decidir o que é aceitável gostar esta semana.
Mas há uma liberdade silenciosa em gostar do que se gosta – mesmo que ninguém mais goste. Em manter aquela peça de roupa que nos faz sentir bem, ainda que já não se veja em montra nenhuma. Em ouvir a mesma música de sempre, cozinhar os pratos “antiquados” da infância e colecionar hábitos que não servem para partilhar online, mas que fazem parte de quem somos.
Não seguir tendências não é estar desligado do mundo. É, muitas vezes, uma forma consciente de estar nele sem se perder. É escolher com critério, não com pressão. É gostar de coisas que não precisam de estar em alta para terem valor.
No fundo, viver fora de moda pode ser uma forma muito especial de autenticidade. E, se pensarmos bem, nada é mais intemporal do que ser fiel a si mesmo.






1 comentário
A actual sociedade age- maioritariamente- como um rebanho de ovelhas.
Todos querem ter aquilo que não deviam ter, porque a manta é curta e o mês não encolhe.
Depois, a culpa é de todos menos deles…