A eterna batalha entre gerações que não traz nada de produtivo.
Todas as gerações têm defeitos tenebrosos, vícios que causam vergonha às pedras da calçada e feitios que deixam muito a desejar… Sobretudo, nas bocas de todos aqueles que não fazem parte da geração sobre quem produzem tais comentários.
Estas batalhas pouco produtivas entre gerações não são de hoje: são mais antigas e mais profundas do que desejaríamos.
As pessoas de gerações mais “crescidas” olham para o passado como um tempo de valores sólidos, de esforço e de resiliência. Falam dos tempos difíceis que enfrentaram e da falta de reconhecimento e empenho das gerações mais novas. “No meu tempo é que era”, dizem, acreditando firmemente que a juventude de hoje vive numa bolha de facilidades e de gratificação instantânea.
Por outro lado, os mais novos reviram os olhos e apontam o dedo aos que vieram antes. Veem neles um apego ao passado que atrasa o progresso, uma resistência à mudança e uma dificuldade em adaptar-se aos desafios atuais. Questionam tradições, recusam-se a aceitar certas normas como imutáveis e acreditam que o mundo precisa de uma renovação urgente.
A verdade, porém, está algures no meio deste choque de perspetivas. Se pararmos para analisar, todas as gerações enfrentaram desafios próprios e trouxeram avanços e retrocessos ao mundo. Se os mais velhos carregam a experiência, os mais novos trazem inovação. Se uns aprenderam a lutar com poucos recursos, outros têm a capacidade de olhar para os problemas de forma diferente e encontrar soluções inesperadas.
No final, a ironia é que o ciclo repete-se sempre. Hoje, os mais jovens criticam os menos jovens; amanhã, serão eles os “menos jovens” a suspirar pelos bons tempos em que tudo era melhor. É um pouco como a moda das calças à boca de sino: volta sempre, mesmo quando todos juravam que nunca mais ia acontecer. A grande questão não é quem tem razão, mas sim como aproveitar o que cada geração tem de melhor – e, se possível, evitar cair na tentação de repetir as mesmas queixas eternas… Ou, pelo menos, tentar dizê-las de forma mais original. Aproveitar o que cada geração tem para oferecer é mais produtivo do que travar batalhas contra as que não coincidem com a nossa – até porque, sejamos honestos, já todos tivemos um corte de cabelo embaraçoso e, no fundo, não há nada mais transversal do que isso.



1 comentário
Conflito de gerações? Será a mesma coisa, amiga.
Respeito a juventude, que tive, e que, os jovens, têm.
Criticar é alertar, para o caminho que se segue.