A História sequestrada

Vivemos numa era em que a história já não é, para muitos, o estudo rigoroso do passado, mas uma trincheira de guerra ideológica.

Narrativas distorcidas, episódios ocultados e heróis falsificados têm moldado a memória coletiva de civilizações inteiras. A história, que deveria ser um caminho de autoconhecimento civilizacional, foi sequestrada por movimentos ideológicos que a usam como ferramenta de poder — não de verdade.

Este sequestro não é recente. A Revolução Francesa inaugurou o modelo moderno: apaga-se o que não serve à nova ordem e cria-se uma versão higienizada dos eventos. Desde então, esquerda e direita, religiosos e ateus, nacionalistas e globalistas — todos, em algum momento, manipularam a história para legitimar os seus projetos.

Dois exemplos ajudam a ilustrar este fenómeno:

 

  1. O Mito do “Bom Selvagem”

Popularizado por Jean-Jacques Rousseau, este mito apresenta os povos indígenas como seres puros, pacíficos e harmonicamente integrados na natureza, vítimas inocentes de uma civilização europeia corrupta e opressora. A realidade histórica, porém, é bem mais complexa. Muitos povos indígenas praticavam guerras brutais, escravidão, sacrifícios humanos e canibalismo. A mitificação do “bom selvagem” serviu (e ainda serve) à narrativa antiocidental de movimentos que querem destruir as bases culturais da Europa e da América. A verdade foi sacrificada em nome de uma culpa civilizacional artificial e paralisante.

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Manso Preto

 

  1. A Revolução de Outubro como “Libertação do Povo”

A tomada do poder pelos bolcheviques em 1917 na Rússia foi longamente vendida como um levante do povo oprimido contra a tirania czarista. Mas a Revolução Russa não foi uma libertação popular — foi um golpe de Estado conduzido por uma minoria ideológica violenta, que substituiu uma autocracia por uma tirania muito mais assassina. Milhões morreram sob o regime comunista, mas até hoje, em certos meios académicos e culturais, o comunismo ainda goza de uma estranha indulgência moral. A história foi reescrita para proteger uma ideologia fracassada, às custas das suas vítimas.

 

A distorção da história não é um erro inocente — é uma arma. Quem controla a narrativa do passado molda o imaginário do presente e determina os rumos do futuro. Por isso, é urgente libertar a história dos grilhões ideológicos. Não para a substituir por outra propaganda, mas para restituir-lhe o seu verdadeiro papel: o de ensinar-nos o que somos, o que errámos, o que podemos ainda salvar e como construir o verdadeiro bem comum.

A história não é um campo de batalha — é um espelho. E um povo que se recusa a encará-lo está condenado a repetir os pesadelos que já viveu.

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1 comentário

  1. Muito obrigado e parabéns pelo importante alerta. Mesmo no presente a comunicação social (há excepções) é utilizada por ideologias que a financiam para distorcer a verdade!

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