A Juventude

Propositadamente tenho feito abordagens simples a vários temas que regem e pautam a nossas vidas: os dois últimos foram: a Confiança e a Solidão.

É evidente que todos eles me merecem o maior apreço, e creio que a quase todos os leitores.

Hoje, decidi abordar, ao de leve, a Juventude. Estou certo, o mais importante de todos eles, que é um tema demasiado abrangente para caber numa crónica.

Quem não se lembra da sua Juventude?

Todos, é claro, e cada um com as suas razões, e com saudades não do tempo, mas da idade e da ausência de preocupações.

Quando estamos nela temos pressa de sair, de avançar o mais depressa rumo não sei para onde, ou idade? Mas o tempo encarrega-se de nos pôr a pensar. É uma questão de anos.

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Manso Preto

Li um dia destes numa rede social, uma jovem que, após ter feito 25 anos, no dia posterior, escreveu o seguinte:

Agradeço muito a todos aqueles que me parabenizaram, mas a minha maior vontade é chegar ao aniversário seguinte. O tempo nunca mais passa”.

O eterno dilema entre estar na juventude e o tempo. Não tardará muito para que esta jovem pense exactamente o contrário. Porém, em ambos os casos, não há nenhuma formula de o fazer avançar ou retroceder. Nem de pôr esta jovem a pensar como a sua mãe. Isso só o tempo o trás.

Pelo meio, variadíssimas empresas certas que estão deste crescente manã. Propõem todo o tipo de soluções – para todos os gostos e carteiras- não para avançar no tempo, pelo contrário, de criar a ilusão que conseguem inverter a sua inexorável marcha e marcas , e para os tornar, a elas e a eles, belos e imortais.

Daí até à criação do photoshop, que é um meio barato, acessível mas que me faz rir, de tão ridículo e deste até aos ecrãs televisivos, foi um ápice. Todos lindos e belos, adeus rugas e outras marcas da idade.  Ali é tudo gente linda.

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Entre a foto e a realidade vão duas pessoas diferentes.

Adiante!

O corpo humano, e o poder de compra, vão permitindo óptimas soluções na correcção de imperfeições. Porque ninguém, merece andar desdentado ou a tapar a boca para ocultar uma dentição nada estética, entre outras.

Mas não chegamos até aqui em dois dias, foi um caminho de muito investimento, inicialmente, feito através das camadas mais ricas da população que a massificação, em muito casos, fez com que se tornasse acessível a todos.

Por outro lado, a crescente e evidente melhoras nas condições de vida das pessoas, por muito que esperneiem, é a verdade.

Porém, a indústria ligada à beleza, que tem um e marketing poderoso, depressa descobre outras soluções para aqueles que a podem pagar, comprem ilusões certos que estão de que, a quantia paga, lhes confere a beleza perene que já tiveram.

Há, contudo, um lado que realço e é digno de nota.

É visível e é algo que me alegra ver mulheres e homens muito mais cuidados, do que os seus pais, ou avôs quando tinham a mesma idade.

Recordo-me perfeitamente que, ali pelos quarenta anos, aquela gente envelhecia sem serem velhos e morriam antes da velhice.

Hoje, quando leio e ouço dizer, que em cinquenta anos não avançamos nada, que está tudo pior do que nesse tempo, fico triste ao ver que, para esses, a única coisa que não progrediu foi a sua mente, a forma de estar na vida e de alimentarem essa asneira e a tacanhez. Bastava pensarem uns dez minutos, porque o photoshop ainda não faz brilhar aquelas mentes.

Contudo, sempre que as televisões passam imagens de à cinquenta anos atrás, o que vemos dá pena, muita pena e vontade de enviar esses pensantes para esse tempo, que estou certo, não queriam.

Também, neste caso, o tempo não volta a trás.

 

(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor).

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

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