A lenda da Fonte do Mouro

A nordeste de Beja e a pouco mais de uma hora desta cidade [Rio de Janeiro], existia uma horta que tinha uma fonte de água, muito fresca, que corria para um barranco.

Quando os mouros habitaram esta terra, a citada horta, fazia parte da casa do árabe, mais rico das redondezas: Albutassén.

A casa parecia uma prisão pois, era toda caiada de branco e rodeada por um muro, muito alto, e com um portão de ferro como entrada na moradia, onde se destacava um pomar , para ninguém ver o que lá se passava.

A entrada da casa era toda em mármore preto e branco onde se destacava uma fonte em forma de taça que, no Verão, brotava água fresca e ,no Inverno, água quente. A água que corria, da fonte, ia dar a um tanque muito grande atrás da casa.

Como era uso dos mouros, quando recebiam visitas de homens, as mulheres tapavam a cara. As mouras só saíam de casa, no dia do casamento, depois de ser negociado pelo pai e pelo pretendente, sem a moura dar o seu parecer.

O mouro Albutassén só tinha uma filha chamada Aldonça que, por sinal, era muito bonita, bondosa e muito crente em Alá, o Deus dos árabes. Albutassén era muito cioso da filha e não tinha pressa em casá -la.

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Este mouro era mau e muito rigoroso. Não deixava a filha sair de casa nem para ir à mesquita rezar.

Aldonça passava os dias a jogar xadrez, a cantar e a ouvir as histórias que as suas escravas lhe contavam.

Ela tinha muitos pretendentes.

Um dia, o pai descobriu que Aldonça estava apaixonada. O mouro ficou furibundo pois, não sabia como tinha acontecido e, ainda ficou pior ao saber que o apaixonado da filha era um cristão, de seu nome Atanásio, que tinha chegado há pouco tempo àquela região.

A fúria de Albutassén foi de tal ordem que ameaçou os escravos de morte, se eles deixassem, a filha encontrar-se com o cristão. Arranjou mais escravos para vigiar a mourinha.

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Aldonça andava apavorada só de pensar que o pai pudesse descobrir os seus encontros com o seu apaixonado. Como consequência do medo que sentia, começou a perder o apetite. Com o decorrer do tempo, ficou muito pálida e triste. O cristão que a via todos os dias, ficou muito preocupado com ela mas, não sabia como resolver este assunto.

Atanásio, com medo da sua amada morrer, resolveu raptá- la. Aldonça concordou e combinaram tudo.

No mês de Agosto, numa noite de luar, quando o rapaz chegou à horta, já Aldonça lá estava, agachada, junto ao muro para ninguém a descobrir. Ao ver Atanásio, a mourinha ficou muito contente, ergueu os olhos para o céu a agradecer a Alá. Nesse mesmo momento, Aldonça transformou-se numa fonte e Atanásio numa serpente. Dizem que foi Alá que os transformou porque não queria que a mourinha casasse com um cristão.

Reza a lenda que em noites de luar, no mês de Agosto, aparece uma serpente (Atanásio) que vai beber água à fonte, para matar saudades da sua Aldonça.

Esta lenda foi- me contada por uma colega, que já não está entre nós, há mais de 30 anos.

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