A linguagem do amor

Ele não fala inglês, ela não fala português!Mas namoram há três anos e têm um filho em comum, que ” fala as duas línguas “.É muito divertido vê-los!

Ele é moreno de cabelo preto, ela é loira de olhos azuis. Filipe o filho é loiro de olho azul, simpático, divertido e lindíssimo.

O garoto quando tem dúvidas sobre as palavras certas a usar, pede ajuda ao pai, porque obviamente está em Portugal.

Tem imensa graça!

Ela é uma inglesinha de gema, muito exigente na língua inglesa e muito atenta e curiosa das tradições e costumes portugueses.

Contou-me em inglês obviamente que o José, era um “dear”, um homem muito trabalhador “engineer” e a “great dad”. E que não precisava casar com ele, para ser feliz. Porque ele era um cristão católico que queria casar na igreja. Ela ainda não tinha decidido, qual era a melhor religião.

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Bom, opções religiosas à parte, ela queria vir viver para Portugal, numa quinta e de preferência com um cavalo, vacas, ovelhas, galinhas e um cão. Porcos nem pensar, não gostava deles.

Para ele, vir agora para Portugal, era uma questão em estudo, pois estava a ganhar muitíssimo bem em Inglaterra. Além disso tinha uma função de chefia na empresa/ fábrica onde trabalhava.

Filipe ou  Philip ou PiP, seria o principal motivo, da escolha futura da residência oficial, deste casal.

Ela era muito exigente relativamente à educação e valores, que os adultos e as comunidades, devem transmitir aos seus descendentes. Muito atenta a nível político e socio/cultural.

Neste momento não pode ouvir falar, na fome em Gaza e em outros países. Até ficava vermelha e com os olhos rasos de lágrimas. Era uma infâmia, uma criança morrer de fome, num mundo que se dá ao luxo de destruir comida, para manter os preços de consumo elevados. Esta e outras premissas propostas pelos senhores do poder e das guerras, eram inconcebíveis  para ela. Tinha opiniões muito claras, sobre tudo o que a rodeava.

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Não suportava determinados regimes políticos extremistas.

Nem os de esquerda, nem os de direita. Todos os que eram populistas, tornavam-se desenfreados nas opções, pagos a peso de ouro, sustentados por pessoas sem coração e  com complexo de Deus. Ela não queria entender este mundo que rejeitava a vida, em detrimento do poder e do dinheiro.

Mas crianças a morrer de fome, não!

Isso ela não podia suportar, era um ultraje, uma manifestação da desumanidade actual.

Uma verdadeira crueldade, a maior vergonha da  humanidade do século XXI, comparável talvez ao Holocausto.

Sem dúvida alguma, o crime mais perverso e ultrajante da actualidade.

Os drones deviam distribuir pão, leite, fruta e carne todos os dias, nessas regiões. E ficava tão zangada, que só um miminho naquela cabecinha loira, do seu José, acalmava a Beth.

Ela era engenheira agrónoma, mas trabalhava num laboratório. Assim falava com conhecimento de causa, sobre os problemas alimentares a nível internacional. Ela era obrigada a ler, interpretar e cumprir ordens relacionadas com a alimentação. Não tinha capacidade de decisão, mas sabia qual o melhor alimento, ou seja o milho com menos químicos, a fruta mais saborosa, a melhor estratégia para desenvolver rapidamente ou não, a qualidade e quantidade de alimentos desejados. Mas como já percebemos, nem sempre concordava com algumas das decisões tomadas, nem a nível europeu e muito menos a nível mundial.

O José como engenheiro mecânico,  trabalhava numa fábrica, usava diariamente cinco ou seis  frases em Inglês, que lhe bastavam para mandar fazer e controlar o trabalho. E apesar do seu inglês ser ainda rudimentar ele entendia tudo o que os colegas falavam em inglês. O que era uma enorme vantagem.

José era muito respeitado, estimado  profissionalmente e ganhava muito bem. A fábrica já não podia dispensar a inteligência, a arte e o engenho do português, que resolvia todos os problemas.

Era um recurso inestimável.

Nas respectivas profissões tudo estava bem,  até agora. A nível familiar ainda havia muitos assuntos decisivos para discutir.

Ele queria ter três filhos lindos como a mãe, ela tentava negociar dois.

No entanto a forma como ele a tratava, cuidava, amava tão ternamente, fazia acreditar que até poderia vir um terceiro ou quarto filho.

Quando a Beth falava muito depressa, tentando defender o seu ponto de vista, o José pegava na Beth ao colo, só com um braço e o Pip empurrava o vestido. O pai era um homem alto e espadaúdo, com força para levar a família às costas.

Eu estava encantada.

Ele explicou, que o truque de pegar nela ao colo, dava imenso jeito, quando ela resmungava e o inglês dele não chegava para a convencer do contrário.

Achei o máximo da ternura!

Até porque ela ria e beijava- o no rosto.

O PiP ria e dizia “yeah”!

Era só mais um casal normal, que ria chorava, brincava e até discutia, apesar dela não falar português e ele não falar fluentemente inglês.

Mas falavam a melhor linguagem do mundo, a linguagem do amor.

 

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