Os meus filhos estão de férias. Dois longos meses que se espraiam pelas tardes quentes de Verão, pelos dedos pegajosos de gelado, pelos joelhos esfolados de muitas tropelias.
Neste Verão precioso há uma parte de mim, antes adormecida, que volta a despertar. De manhã, os dias adivinham-se imensos. Tantos jogos por jogar, tantas aventuras para viver! Cada dia, uma peripécia nova: um parque infantil diferente, uma voltinha num carrossel dos Santos Populares ou ainda um piquenique no jardim, entre a piscininha insuflável e os pintainhos, que vieram animar estes dias tão cheios.
Os brinquedos do costume tornam-se especiais, porque todo este tempo livre alimenta as ideias e cria novas maneiras de brincar.
Ouço, de passagem, uma conversa entre vizinhos:
– A infância já não é o que era!
– Os cachopos agora não se divertem como antigamente…
Pois os meus filhinhos mostram-lhes o contrário, inventando mundos mágicos nos locais mais improváveis. A loja aborrecida onde a mamã os leva transforma-se num labirinto a explorar; o quarto dos arrumos é uma caverna de tesouros; um par de caixas esquecidas é, afinal, uma toca de coelhos, um castelo de reis, um barco de piratas.
Nas férias, há tempo para tudo. Até há tempo para, aqui e ali, ver uns desenhos animados – porque também eles fazem parte da magia das férias. Só não as podem engolir!
E que os crescidos, entre dias de trabalho e compromissos, arranjem um tempinho para saborearem a magia das férias – não falo de viagens, hotéis e restaurantes, mas dos momentos banais tornados divertidos, dos encantos que afloram no mundo de todos os dias, agora envernizado pelo folguedo de Verão.
Que o sabor das férias nos invada a todos, através dos olhos imensos dos pequeninos, mesmo que o dia-a-dia continue, constante e corriqueiro, a desafiar o nosso imenso poder de sonhar.
Joana Button
Poeta do Agora e Exploradora do Amanhã




1 comentário
Excelente…. Se revi-me no texto
Parabéns