É no auge das eleições autárquicas que este tema mais se faz sentir, por muitas e variadas razões. Mas nenhuma delas é válida, transparente ou democrática. Nenhuma!
O que não há como negá-lo é que, a baixa política afasta o eleitorado, divide pessoas, amigos e famílias. É um facto indesmentível. Fora a coação que é exercida sobre muitos funcionários e munícipes, coartando-lhes as liberdades individuais.
Tantos de nós sabemos disso, e eu sei por experiência própria. Já provei, de forma indirecta, desse fel vindo se supostos “amigos”…
Quem, como eu, viveu este processo desde as primeiras eleições autárquicas livres, em 1976 e até aos dias de hoje, e as vai comparando, sabe como tem regredido perigosamente.
Há uma deterioração do exercício do cargo de Presidente da Câmara, por mera culpa dos protagonistas e pelas péssimas decisões ou mordomias que avistamos e são mais que muitas, há que dizê-lo, em abono da transparência que a República, os cofres da autarquia e os impostos de todos nós, exigem.
Urge mudar.
Separar as águas tal como agora se vê é, para muitas pessoas, não diria impossível, mas quase, tal é o fanatismo.
Rompem-se novas e velhas amizades, troca-se de passeios, bloqueiam-se nas redes sociais ou, simplesmente, afastam-se como se tivessem lepra. O clima fica tenso e raivoso.
Nem sequer fá-lo do vira-casaquismo – a não ser a troco de qualquer coisa que o poder dá, corrompe, oferece, coage, à custa de todos nós, mas também subjuga e pune, como velhos ditadores o faziam.
Por que o poder corrompe?
Usado desta forma, sim!
PUBE, as eleições autárquicas deveriam ter todos os ingredientes para não ser assim.
Afinal o que deveria de estar em causa é o bem do nosso concelho, no seu todo.
Por isso, a 12 de Outubro, deveriam de ser eleitos ou reeleitos, os mais competentes nos diversos domínios que a sociedade actual precisa. Também aqueles que, durante quatro anos, evidenciaram uma governação criteriosa e equilibrada de acordo com as reais necessidades que a população necessitava, ano a ano.
E apear os que, apenas, fizeram obra desnecessária para alimentar o seu ego e vaidades supérfluas só nos últimos meses de mandato, pouco se importando se até ali as estradas estavam esburacadas, os espaços verdes descuidados, ignorando a inexistência de habitação social, ou outras obras importantes que fizeram questão de ignorar.
O que vemos, na grande maioria das pequenas câmaras do interior, é que são umas empresas enormes, tantas vezes os maiores empregadores do concelho – e sempre a crescer! A título de exemplo, a Câmara de Cerveira tem à volta de … 300 funcionários!
Ora, isto só por si, pode dizer muito!…
Por outro lado, Câmara muitas há em que os seus presidentes pensam que quem não alinha com ele ou o seu Partido, são contra eles e não sentem remorsos e desconforto moral c penalizando fortemente o funcionário, afastando-o do seu posto de trabalho, para um arquivo qualquer, como uma forma de retaliação por ter tido uma orientação política isenta ou diferente da sua! E não é preciso ir muito longe!…
Grandes democratas!
Isto porque a Lei o impede de o despedir. Não o faz por incompetência do funcionário, mas por prepotência sua.
E lá se vai a eventual amizade e o direito à liberdade de escolha do funcionário que, em teoria, tem para as calendas.
Muitos fazem a penosa travessia no deserto, mas outros deixam-se vencer pelo cansaço e juntam-se a eles. Ora isto é tudo, menos liberdade e democracia.
(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor).






