Admiro as pessoas que não se deixam moldar pelas manchetes, que não confundem o brilho da tela com a luz da verdade.
Gente que, diante do ruído incessante das opiniões fabricadas, mantém o silêncio sereno de quem pensa por conta própria. Há uma nobreza discreta em quem não se apressa a partilhar indignações de empréstimo nem se embriaga com as opiniões do momento.
Essas pessoas têm uma inteligência que não se mede em diplomas, mas em discernimento. Sabem que a informação é um alimento poderoso e, como todo alimento, pode nutrir ou envenenar. Leem nas entrelinhas, percebem as ausências, questionam os interesses por trás das palavras ditas com tanta certeza. Enquanto muitos apenas repetem, elas observam. Enquanto muitos seguem o coro, elas escutam o tom.
Admiro profundamente quem consegue, mesmo em tempos de algoritmos e manipulação emocional, conservar a autonomia do pensamento. Quem entende que nem tudo o que é popular é verdadeiro, e que a verdade raramente cabe em slogans. São essas pessoas que, em vez de gritar com a multidão, escolhem compreender o que a multidão grita, e por quê.
Há uma lucidez quase poética em quem caminha à margem da histeria coletiva. Em quem troca a pressa da opinião pela paciência da reflexão. Em quem não teme mudar de ideia quando encontra um argumento melhor, nem se envergonha de dizer “não sei”.
Admiro, enfim, as pessoas que têm inteligência acima da “mídia”, não porque se sintam superiores, mas porque preservam algo que o ruído quer extinguir: a capacidade de pensar com o próprio coração, e não com o que lhes é servido em voz alta. São faróis silenciosos num mundo de luzes falsas. E, talvez por isso, são tão raros quanto necessários.






6 comentários
Informação em excesso tolda o discernimento de qualquer um.
A capacidade de expurgar o que é verdade e mentira é uma necessidade premente.
Excelente texto. Parabéns.
Vivemos num mundo formatado. Há determinadas palavras que,uma vez postas a circular,duram uma eternidade.
A informação nunca é de mais.
Porém, cabe reflectir, pesquisar,ler diversos jornais,obter o contraditório.
E, sobretudo,ter pensamento autónomo.
Adorei. O texto é um elogio a quem pensa com a própria cabeça num mundo cheio de manipulação e ruído mediático. Mostra admiração por quem não se deixa levar pelas manchetes nem pelas modas das redes, e valoriza o pensamento crítico e sereno. É uma crítica à superficialidade da mídia e um lembrete de que a verdadeira inteligência está em quem reflete, e não apenas repete.
Parabéns…é sempre bom lembrar.
Como dizia o Jeremias, no livro que publicou:
– O importante não é encaixares-te mas sim destacares-te.
Amigo e Colega,
José Venade,
Fui leitor do Diário de Lisboa, do Diário Popular, do Jornal do Centro, do O Comércio do Funchal, do Diário do Norte, e sou do Avante, onde descobri uma nota sobre os mundiaisvde futebol e com uma foto do primeiro mundial, em 1930.
Nem só de comunismo trata o semanário.
Na Rússia não há Partido Comunista.
Há cá e em diversos países do Mundo.
Por cá houve PCP (CDU, é CDS, na Alemanha), enquanto houve Álvaro Barreirinhas Cunhal, qual escritor Manuel Tiago e pintor.
Depois…
Acabou a ala intelectual, MDP/CDE.
Vai o PCP, o PAN, o BE, o Livre e haverá o eclipse total do Iniciativa Liberal (?), segundo um colunista de um periódico.
Não sei o que tenho de IN?
IA, mas não vou. Sou velho. Enquanto tiver IN, já é bom!
Montenegrismo.
Luís Montenegro, aquele que muitos diziam não ter perfil para ser líder de um partido, muito menos primeiro-ministro, simplesmente conduziu o partido e a direita ao governo, venceu as duas últimas eleições legislativas, venceu as autárquicas e o partido soma várias vitórias nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Sim Montenegrismo é uma realidade! (Jorge Paulo Oliveira , Chefe do Grupo Parlamentar do PSD, in “Opinião” do Jornal “Cidade Hoje”)